CENÁRIO POLÍTICO
Cientista político diz que mudanças só podem ocorrer por vontade da população
Por Paola Carvalho
Em 09/10/2017 às 01:30
Para Roberto Ramos, o eleitor acaba compactuando com o fortalecimento da corrupção quando vota continuamente no político envolvido em atos ilícitos (Fotos: Wenderson de Jesus)

Com o início das movimentações e especulações de quem poderá se candidatar nas eleições do próximo ano, o cientista político e professor da UFRR (Universidade Federal de Roraima), Roberto Ramos, fez uma análise do cenário político atual, durante o programa Agenda da Semana, na Rádio Folha 1020, neste domingo, dia 8.

Para o cientista, as mudanças tão clamadas pela população, devem ser originadas do próprio povo, assim que entenderem a importância da escolha de representantes e em quem devem depositar a confiança e o voto.

“O eleitor tem uma responsabilidade no sentido de poder se colocar abertamente na observação dos fatos e fazer a escolha política. Um eleitor que escolhe um político mesmo sabendo que ele é desonesto, não pode criticar.

Uma coisa é votar sem saber, mas votando repetidamente, mesmo sabendo dos fatos, mostra que aceita a conduta do político. Quando há essa situação, meio de uma parceria não explícita, gera o fortalecimento daquilo que a gente está combatendo que é a corrupção”, analisou.

Outro ponto levantado pelo cientista é a escolha do político pelo lado emocional, pela pessoa em si, e não conforme as atitudes no cenário, sem a população se preocupar o suficiente para pesquisar as propostas do então candidato ou experiência de trabalho.

“Tem uma série de pessoas que se deixam levar pelos discursos antes de perceber a realidade e quando percebem a realidade, não aceitam mudar porque é mais confortável ficar no discurso. Isso é muito negativo para o ato político. A gente pode ter um caráter emocional, mas a política é racional. Eu reforço a ideia de que há uma conivência entre o eleitor, que sabe que o outro ou a outra tem as demonstrações corruptas e escolhe não entender a importância desse ato, e sim, o gosto pessoal”, declarou.

Apesar do cenário negativo, o cientista afirmou que ainda é possível ter esperança e reforçou que a corrupção não é algo enraizado somente no país, como muitos acreditam. “A corrupção da forma generalizada não é algo típico dos países em desenvolvimento ou do Brasil. É do mundo inteiro. A diferença fica no combate, o processo de punição para quem faz”, frisou.

PRÓXIMAS ELEIÇÕES – Candidato a prefeito de Boa Vista nas últimas eleições pelo PT (Partido dos Trabalhadores), o professor Roberto Ramos se desfiliou da sigla recentemente, segundo ele, por não concordar com algumas atitudes da sigla e atualmente se encontra sem filiação partidária.

“Eu acompanhei de perto a política de educação do Partido dos Trabalhadores e não se pode negar que foi uma ação séria de investimento na população, de acesso à educação, ampliação das universidades, dos centros de pesquisa, institutos federais. Isso foi um fator importante para a escolha na época da candidatura. Mas tem essa questão de como o partido conduziu suas políticas. Algumas delas eu não concordo e tem também outras questões, de grupos internos. Eu achei que o espaço que poderia ser dado de mudança não foi adequado, então, melhor seguir por outro caminho”, explicou.

Sobre a possibilidade de concorrer a algum cargo político nas próximas eleições, o professor informou que, no momento, a ideia não está entre os seus planos, porém, não descarta a possibilidade. “É preciso ainda avaliar que tipo de contribuição se pode dar”. (P.C.)

FÁBIO ALMEIDA disse: Em 09/10/2017 às 07:55:38

"O professor Roberto Ramos acerta em sua posição, porém deixou de avaliar uma questão importante que é o poder econômico de alguns candidatos, o qual desequilibra o processo de disputa, inclusive interferindo na vontade do eleitor. As estruturas partidárias centradas em pessoas, não em programas partidários também impõe dificuldades imensas, priorizando seus donos ou apoiadores internos. Deixando de ter explícito o que o partido quer."