MUDANÇAS
Como lidar com grandes mudanças, sejam elas boas ou más
Gostei (0) Não gostei (0)
Por Folha Web
Em 04/07/2018 às 00:20
Lidar com mudanças é uma das coisas mais difíceis quando você já estabeleceu sua própria maneira de viver (Foto: John Picton/ Creative Commons)

Grandes mudanças ocorreram no seu mundo. Agora, você passa a questionar muitas coisas, e principalmente tenta entender o que aconteceu com a sua vida. Quando estas grandes mudanças acontecem, ainda que positivas, você poderá se colocar inúmeras indagações, e particularmente se sentirá ansioso com o que virá a seguir.

Se o seu relacionamento com os familiares é bom, e os mais velhos (ou os mais jovens) decidem sair de casa, isto pode provocar um choque, e às vezes, você terá de aceitar esta decisão, e talvez a primeira coisa que lhe ocorra seja alugar o quarto daquele que saiu. E quando um filho casa, você não só perderá o filho ou a filha, como terá de aceitar parentes adquiridos em razão do casamento, com suas próprias ideias e estilo de vida.

Há também mudanças que não são positivas, como a perda de um ente querido, que o fará mergulhar no mesmo desespero, mas com uma dor e um estresse emocional maiores. É neste momento que você precisa respeitar os seus sentimentos e conversar com pessoas capazes de compreender sua situação. É importante lembrar que nem todo mundo conseguirá sentir o que você sente, portanto tenha cuidado com a pessoa que escolher para abrir o seu coração.

Experimentar a necessidade de chorar em vários momentos do dia é normal para alguém que passa por uma grande mudança e pelo estresse que ela acarreta. Muitas pessoas guardam o seu sofrimento emocional o dia todo até chegar em casa para então chorar ou mascarar a dor de algum modo. Sugiro que chore à vontade, porque é a melhor maneira de por tudo para fora. Tentar mascarar o sofrimento ou fugir dele nunca funciona.

Alguém disse que a única coisa com a qual se pode contar na vida é a mudança, porque tudo muda.

Deixar-se ir com a corrente é uma grande solução, desde que você consiga; a maioria das pessoas resiste a isto, principalmente quando as mudanças que elas encontram provocam grande desconforto. A verdade é que a única escolha que você tem é encarar da melhor maneira possível o que está ocorrendo na sua vida ou no seu ambiente.

Estes são os momentos em que encarar os seus pensamentos e as emoções mais profundas pode ser de grande ajuda. Desse modo, você poderá analisar seus sentimentos e compreender o que acontece com você. Talvez seja difícil aquietar sua ansiedade e conseguir ouvir, mas não tenha pressa e não desista. Ensinei esta técnica a muitas pessoas, e quase sempre ela funciona. Respire fundo e sinta o que está havendo dentro de você. Esta é realmente uma experiência que acalma, e lhe proporcionará uma compreensão maior da maneira de lidar com o que virá a seguir.

Uma grande mudança pode ser exatamente a coisa de que você mais precisa, ou revolucionar sua vida de uma maneira que você jamais imaginou. Muitas pessoas passaram por experiências negativas e viraram o jogo, procurando ter calma suficiente para pensar e processar as questões e os motivos do que está acontecendo. Procure apenas tentar.

Fonte: Barton Goldsmith - O Estado De S.Paulo




Um canto todo seu

Roberta D’Albuquerque é psicanalista, escreve semanalmente neste espaço e em diversos jornais do Brasil sobre infância e comportamento

Mudo meu consultório de endereço esta semana depois de um período memorável de rua Itambé. Um espaço pensado em cada milímetro, sonhado em cada taco, planejado em cada xícara de café. Paquero o prédio há muitos anos, desde o primeiro dia da formação em psicanálise e a partir de agora, é de lá que escutarei meus analisandos – os presenciais e os via Skype –, que escreverei meus textos, que me sentirei próxima de cada um de meus leitores (são 14 colunas semanais no Brasil, no Canadá e nos Estados Unidos). Será também de lá que cultivarei a delícia do silêncio.

A semana da mudança coincide (!) com a leitura que concluí hoje: Um teto todo seu de Virginia Woolf, um livro que recomendo com força, que reli algumas vezes, que me faz muitíssimo sentido. O texto é resultado de uma palestra dada pela autora em 1928 sobre a produção literária feminina, a posição da mulher na sociedade de então e suas consequências para a expressão e a escrita da época.

Importante pensar em que lugar estivemos, estamos e queremos estar. Desde o coletivo até as decisões individuais. Me peguei pensando no valor que venho dando a meus desejos e confesso um certo orgulho pela semana que começa. Esta coluna é uma tentativa de incentivo. Uma lembrança para que você, que me lê agora, esteja atento às suas paqueras. Pode ser um consultório, uma viagem, uma mudança de carreira, um amor. Se há algo que te povoa a cabeça por um tempo, que vai e volta com uma certa frequência, que vez por outra surge em um sonho, invista. Tempo, energia, recursos. Ponha mais de você, na sua vida, se implique. Procure um teto todo seu. Tenho certeza que você merece.

Não existem comentários. Seja o primeiro a comentar!