LENTE ESCLERAL
Conheça a lente de contato que trata doenças como ceratocone
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O médico oftalmologista Lucas Vianna tira dúvidas sobre as lentes esclerais
Por Folha Web
Em 07/02/2018 às 00:20
Lucas Vianna é médico oftalmologista especialista em catarata, córnea e cirurgia refrativa e lente de contato (Fotos Divulgação)

Com o passar dos anos, graças à tecnologia e a profissionais capacitados, a medicina ocular vem mostrando os seus avanços e melhorando a qualidade de vida de muitas pessoas que apresentam problemas de visão. A utilização de óculos de grau ou lentes de contato depende muito de cada paciente e do quadro que o mesmo possa apresentar.

Em algumas doenças, como o ceratocone, por exemplo, a melhora da visão com óculos ou lentes de contato gelatinosas pode ser difícil, devido à grande irregularidade da córnea (parte transparente do olho).

Nestes casos a única opção não cirúrgica que resta são as lentes rígidas gás permeáveis. As mais comuns são menores, se apoiam sobre a córnea e podem ser difíceis de adaptar (parar no olho como um bom padrão) e de tolerar (conforto do paciente). Por este motivo, desenvolveu-se recentemente as lentes esclerais. Aqui em Boa Vista os médicos oftalmologistas Lucas Vianna, Rômulo Ferreira e Hirlana Almeida realizam a adaptação das lentes esclerais na clínica Oculistas Associados de Roraima.

Segundo o médico oftalmologista Lucas Vianna, as lentes esclerais são um tipo de lente rígida gás permeável maior, que se apoiam na esclera (parte branca do olho) e que são em geral muito mais confortáveis e com melhor adaptação em relação às demais lentes. Além disso, não representam um procedimento cirúrgico.

“Às vezes o paciente pensa se tratar de cirurgia por causa da lente intraocular colocada no lugar do cristalino durante a cirurgia de catarata. A lente escleral é de contato, por fora do olho. Entre as lentes de contato, as mais comuns são as gelatinosas, as quaissão muitas vezes comercializadas livremente até mesmo pela internet e utilizadas sem orientação pelos pacientes, que normalmente nos procuram apenas quando ocorre alguma complicação decorrente do uso inadequado e má adaptação. As lentes rígidas são utilizadas normalmente em casos de doenças da córnea, mas podem e devem ser utilizadas em pacientes normais também (apenas para correção de grau), por serem muito mais fisiológicas e com maior transmissão de oxigênio, apesar do desconforto inicial maior”, explica Vianna.

A adaptação da lente escleral é um procedimento que é feito há pouco tempo na cidade de Boa Vista. De acordo com o médico, o procedimento começou a ser feito na clínica no final do ano passado. Por ser uma novidade no Estado, poucas pessoas entendem ou sabem desta lente.

“Normalmente os pacientes que adapto as lentes esclerais são aqueles com alguma doença corneana (principalmente o ceratocone) que já tentaram o uso das lentes rígidas tradicionais e por desconforto intenso ou por terem casos avançados da doença, não conseguiram se adaptar. Quando o paciente coloca uma lente escleral já nota logo de início um conforto maior e melhora importante da visão, o que pode muitas vezes mudar a qualidade de vida e até mesmo reincorporar a pessoa ao ambiente de trabalho e vida social normal”, acrescentou. O médico esclareceu que normalmente esse tipo de paciente não enxerga bem com óculos ou lentes gelatinosas, mesmo colocando o grau correto.

Existem algumas contraindicações para o uso da lente, as principais são: alergia e intolerância à lente e alteração da conjuntiva e esclera na região onde a lente se apoia no olho.

Qual a faixa etária de idade para realizar a adaptação da lente escleral?

Não existe uma recomendação formal que defina qual a melhor idade para o paciente fazer a adaptação da lente escleral. A colocação e retirada da lente exige um certo treinamento. Para crianças muito novas às vezes pode ser difícil a adaptação, mas já adaptei em crianças que colaboravam bem, muitas vezes melhor do que um adulto. Tudo vai depender mais da colaboração e motivação do paciente do que da idade propriamente dita.

Existe um tempo de repouso determinado após a adaptação da lente?

Não há repouso, o paciente vai, faz o teste de lente e vai para casa. No teste experimentamos lentes com curvatura e tamanhos diferentes até achar aquela com melhor adaptação. Após alguns ajustes específicos e identificarmos o grau correto do paciente, encomendamos a lente da fábrica e normalmente depois de quinze dias a um mês, a lente chega e o paciente já sai usando o produto.

Quando o paciente tem que tirar a lente de contato para descanso?

Depois de adaptada, o paciente pode utilizá-la o dia inteiro, sendo importante retirar sempre para dormir. A lente escleral tem menos troca de oxigênio. Então, para quem deseja utilizar o dia inteiro, o ideal é retirá-la na hora do almoço durante 30 minutos ou uma hora para oxigenar a córnea, renovar o líquido que fica embaixo da lente e aí depois voltar a usar.

Qual a durabilidade de uma lente escleral?

As lentes rígidas em geral têm alta durabilidade. Porém, mesmo com muitos cuidados, com o uso diário e passar dos anos elas podem sofrer pequenos arranhõese perder o tratamento de superfície. Já tive pacientes extremamente cuidadosos que utilizavam a mesma lente há 5 anos. Porém, já tive outros cuja lente durou 2 minutos, pois assim que a pegaram deixaram cair no chão e pisaram em cima, quebrando-a. Então, em geral, tem uma durabilidade bem maior do que as comuns e vai depender muito do cuidado do paciente.

Para mais informações sobre adaptação da lente escleral, horário de atendimento e valores do procedimento, ligue para os números (95) 99123-1905 / 98121-1422 / 3624-1406 ou dirija-se até a clínica Oculistas Associados de Roraima que fica na Av. Nossa Senhora de Consolata, nº 1780 – Centro.

Lucas Monferrari Monteiro Vianna

Lucas Monferrari Monteiro Vianna é médico oftalmologista especialista em catarata, córnea e cirurgia refrativa e lente de contato. Possui Doutorado em Oftalmologiae em Ciências Visuais pela Universidade Federal de São Paulo e pelo Hospital John Hoskinsnos Estados Unidos e atualmente é professor da pós-graduação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ.

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