FEIRA DE CIÊNCIAS
Fortalecimento do agronegócio em Roraima é foco de pesquisas científicas
Projetos envolvem a bovinocultura de corte, piscicultura, apicultura, produção de leite e de vegetais
Por Paola Carvalho
Em 07/12/2017 às 21:00
Acadêmicos de Aquicultura, do IFRR Amajari, desenvolveram projeto que utiliza a água da criação dos peixes na produção das hortaliças (Foto: Nilzete Franco)

Durante a realização da 25ª Feira Estadual de Ciências de Roraima (Fecirr), nos dias 6 e 7 de dezembro, alunos da educação básica, ensino fundamental e médio, da Educação de Jovens e Adultos (EJA) e de unidades de ensino superior, apresentaram projetos científicos voltados para diversos temas, entre eles, o fortalecimento de práticas que auxiliem os produtores rurais no desenvolvimento do agronegócio em Roraima.

O foco se manteve em produções. As cadeias que tem o maior potencial de desenvolver no Estado, como a de bovinocultura de corte, criação de peixes, produção de leite, mel e vegetais. O coordenador do curso de Zootecnia da Universidade Federal de Roraima (UFRR), Jalison Lopes, explicou que a disciplina desenvolve projetos junto com os alunos, professores e produtores rurais voltado para o trabalho da produção animal, da cadeia produtiva animal e várias etapas do agronegócio.

“A gente busca desenvolver pesquisas que vão contribuir para o fortalecimento do agronegócio do Estado, principalmente, nas cadeias de bovinocultura de corte, leite, piscicultura e apicultura”, explicou.

Ele ainda ressaltou, “Nesta edição da Feira de Ciências estamos apresentando alguns resultados de pesquisa na área de controle de parasitas de peixes, desenvolvidos com o tambaqui. Os parasitas interferem na eficiência alimentar dos animais e atrapalham o desempenho deles quando a gente fornece as rações, então, é importante controlar esses parasitas”.

Os alunos de Zootecnia da UFRR também desenvolvem estudos para ampliar a qualidade do mel que é produzida no Estado e voltados para a melhoria da qualidade do leite em Roraima, além da criação do gado para alimentação.

“Estamos desenvolvendo, inicialmente, na região do Cantá, mas a ideia é fomentar o crescimento da bacia leiteira em diversas regiões do Estado, principalmente, na questão de higienização adequada dos animais durante ordenha, manejo nutricional, conforto dos animais, o grupo genético melhor para se trabalhar. Também atuamos com a suplementação dos bovinos de corte, que vão proporcionar o ganho de peso adequado para os animais ao longo do ano inteiro, para impedir que eles percam peso no verão e garantir um ciclo mais rentável para o produtor”, complementou.

O coordenador ressaltou que a participação do produtor rural é essencial para o desenvolvimento dos projetos, que buscam uma solução para problemas que eles enfrentam nas suas rotinas diárias.

“A gente tenta colocar o produtor a par da ideia do trabalho e se possível colocar ele para participar dessa pesquisa como um parceiro. Muitas vezes a pesquisa é desenvolvida nas propriedades, algumas no Centro de Ciências Agrárias, mas a ideia é sempre essa, de ter o produtor junto da gente e levar esse benefício para os agricultores depois”.

Outro projeto voltado para a produção rural, desta vez, utiliza a criação de peixes em harmonia com a produção de vegetais. Antônio Adalto, acadêmico do curso de Aquicultura do Instituto Federal de Roraima (IFRR) Campus Amajari, explicou que a unidade de ensino superior desenvolve um projeto com uma unidade demonstrativa de aquaponia, ou seja, um sistema de cultivo que une a psicultura, que é a produção de peixes e a hidroponia, o cultivo de plantas sem o uso do solo, com as raízes submersas na água.

“Estamos com uma pequena estrutura montada, com seis metros quadrados, onde a gente utiliza um reservatório que vai colocar os peixes com dois filtros: um decantador e um filtro biológico”, explicou o acadêmico.

Segundo Antônio, quando a água passa pelo filtro biológico ocorre a colonização de bactérias. “Essas bactérias vão transformar a amônia, que é uma substância tóxica que sai dos peixes, em nitrito. Posteriormente, esse nitrito se transforma em nitrato, que é na forma de nitrogênio, que as plantas vão assimilar”, informou.

De acordo com o estudante, com o processo de recirculação, o produtor pode ter uma economia de até 90% de água, além de maiores resultados na produção, com as plantas crescendo melhor e com o ciclo de produção mais rápido. “

É uma forma de ter um produto como um peixe e as hortaliças, pensando na produção rural. Quem tiver interesse em saber mais do projeto, pode entrar em contato com o IFRR Amajari, a gente fez essa demonstração aqui e faz em outros municípios, para que o produtor possa instalar uma unidade como essa na sua propriedade, economizar água e poder criar dois produtos com uma qualidade maior”. (P.C.)

(Foto: Nilzete Franco)
(Foto: Nilzete Franco)
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