PESCADORES ACUSAM
Garimpo ilegal prejudica pesca
Água barrenta e produtos químicos despejados na água estariam inibindo a produção de peixes na região
Por Folha Web
Em 12/02/2018 às 02:02
Alguns pescadores pensam em vender os barcos por não mais ter como sustentar as famílias (Foto: Diane Sampaio)

Pescadores que trabalham nos rios Uraricoera e Amajari, região Norte de Roraima, tem sofrido com a poluição das águas, supostamente resultante do garimpo ilegal. 

A presença de produtos químicos na água, confirmada pela Fundação Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Femarh), ocasiona a queda na produção. Alguns pescadores pensam inclusive em vender suas canoas, uma vez que a atividade não garante mais o sustento das famílias.

O presidente da Colônia de Pescadores Z1, de Roraima, Rafael Pinheiro, afirmou que as amostras de água coletadas pela Femarh foram encaminhadas à Agência Nacional das Águas (ANA), para análise mais detalhada. “A Femarh afirmou apenas que a água está alterada. A ANA vai nos dizer a origem destes químicos, que acreditamos ser mercúrio do garimpo ilegal”, avaliou.

De acordo com os resultados apresentados pela Femarh, em coletas realizadas no início do ano, a turbidez da água era de 13 a 14. Coletas recentes indicam ser agora entre 24 e 28. O PH que ia de 6,30 a 6,48 estava em 9,35.

“Existe um nível de PH ideal para o peixe sobreviver e reproduzir. Há somente relatos que essa poluição é causada por garimpo ilegal, mas nenhuma confirmação. Nós, pescadores, temos certeza que é devido a isso, mas não podemos fazer nada”, lamentou.

Pinheiro afirmou que os peixes de pele eram os mais pescados e agora está difícil encontrá-los. “Eles tem grande valor comercial. O quilo varia entre R$ 12,00 e R$ 17,00, porém é muito difícil esse tipo de pescado agora”, relatou o pescador.

Como consequência da falta de peixe, muitos pescadores estão pensando em abandonar a atividade. “Na Colônia ouço muitos relatos de pescadores que pretendem vender suas canoas, pois a atividade não garante mais o sustento das famílias. Além disso, essa exposição frequente a produtos químicos pode nos matar. Acredito que estejamos em um ponto sem retorno, onde a situação só tende a piorar”, concluiu.

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