NARCÓTICOS ANÔNIMOS
Grupos auxiliam dependentes químicos a largarem o vício sem uso de remédios
Narcóticos e Alcoólicos Anônimos promovem encontros diários e gratuitos em bairros diferentes da Capital com base nas experiências de ex-viciados
Por Folha Web
Em 11/01/2017 às 01:11
Narcóticos Anônimos atuam há 11 anos ajudando as pessoas a largarem o vício (Foto: Wenderson de Jesus)

Não é de hoje que os problemas envolvendo a dependência química preocupam autoridades e a sociedade em geral. Em Roraima, existem grupos filantrópicos de apoio a pessoas que vivem essa realidade diariamente. O Alcoólicos Anônimos (AA) atua no Estado há 40 anos e o Narcóticos Anônimos (NA) há 11 anos. Ambos realizam orientações e conversações todos os dias em pontos diferentes da cidade e utilizam um método de 12 conceitos para ajudar as pessoas a largarem o vício.

Os dois grupos se denominam uma espécie de irmandade. São pessoas que já viveram o problema na pele, admitiram que precisavam de ajuda, conseguiram abandonar o vício e se tornaram membros. Um deles, que preferiu não se identificar, está há 30 anos sem consumir álcool e afirma que mudou de vida. “Perdi para a bebida seis esposas, dois carros e 90% dos empregos que arrumei. Não construí nada em Roraima durante essa época. Quando resolvi entrar para o Alcoólicos Anônimos, passei a ter saúde, uma vida feliz, adquiri minha casa, meu carro e hoje sou uma outra pessoa. É isso que buscamos: ajudar e orientar as pessoas a fazerem o mesmo”, disse.

Segundo ele, tudo é feito no sigilo e não há uso de medicação ou internação. “Aqui utilizamos 12 métodos, incluindo autoconhecimento, profundo crescimento, admitir a existência do problema, acreditar em algo maior e que existe cura. O alcoolismo é uma doença e as pessoas precisam entender isso. Às vezes, algumas pessoas nos procuram para ajudar outras que não aceitam a condição. Visitamos essa pessoa, mantemos o sigilo de quem nos informou e vamos orientando aos poucos, inserindo a pessoa no meio até ela aceitar”, explicou.

Um membro do NA disse que está sem usar drogas há mais de 13 anos. “O NA é uma irmandade mundial ativa em mais de 131 países e com mais de 58 mil reuniões semanais no mundo. As pessoas se reúnem diariamente para trocar experiências. Ninguém é forçado a nada. Existe o livre arbítrio e a boa vontade de querer ingressar. Infelizmente, o orgulho ainda fala mais alto. Clínicas de reabilitação dão apenas suporte, não salvam. Todos aqui somos adictos em recuperação. Se nós podemos, qualquer um pode. Basta dar o primeiro passo”.

Ambos os grupos não sabem estimar quantas pessoas atendem por reunião ou quanto já atenderam até hoje. “Não há como fazer uma contagem, porque existem pessoas que vão apenas uma vez às reuniões, outros que frequentam diariamente e se tornam membros e, como existe o sigilo, é difícil ter uma contagem oficial, mas recebemos muitas pessoas que querem mudar de vida diariamente”, explicou.

Como procurar os serviços

As reuniões de ambos os grupos acontecem diariamente em pontos diferentes da cidade. A participação é gratuita e mantém o sigilo da identidade da pessoa. Para quem deseja participar de uma reunião do NA, basta se dirigir à Igreja Católica São Bento, na Av. Ataíde de Teive, bairro Liberdade, toda terça-feira, quinta-feira e sábado, a partir de 19h30; ou na Escola Severino Cavalcante, localizada na Av. Nazaré Filgueiras, no bairro Pintolândia, toda segunda, quarta e sábado no mesmo horário. Telefone para contato: (95) 99122-4016.

Para quem deseja participar de uma reunião do AA basta se dirigir à Escola Estadual Costa e Silva, na Av. Professor Agnelo Bittencourt, São Francisco, todo domingo, a partir das 17h; ou na Igreja Santa Rosa, localizada Rua Campo Grande, Nova Cidade, toda terça-feira às 19h30; Escola Princesa Isabel, no Centro, toda segunda, quinta e sábado, a partir das 20h. Os encontros também acontecem na Igreja São Mateus, localizada no bairro Paraviana, toda quarta-feira, às 19h, entre outros lugares, incluindo no Município do Cantá. Telefone para contato: 3623-5030.

Prefeitura e Governo do Estado também prestam assistência

A Prefeitura de Boa Vista afirmou, através de nota, que o trabalho do município se dá com ações preventivas, por meio da oferta de escolas com qualidade, de projetos sociais que oferecem outras oportunidades para crianças e adolescentes. O município dispõe ainda dos Centros de Referência em Assistência Social (Cras), que oferecem orientação e apoio às famílias de como lidar com diversos temas, entre eles o alcoolismo e uso de drogas.

“A prefeitura acompanha ainda os dependentes por meio do Centro de Referência Especializado da Assistência Social (Creas). As demandas chegam ao Creas através de encaminhamentos da rede de saúde, educação e dos Cras, e também pela equipe de abordagem social da unidade”, informou a nota.

GOVERNO – Por meio de nota, o Governo do Estado afirmou que dispõe de duas unidades de atendimento para dependentes químicos: o Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Outras Drogas 24h (Caps AD) e a Unidade de Acolhimento Maria da Consolação Inácio de Matos.

“O Caps AD atende a pacientes da Capital, do interior e até estrangeiros. Estas pessoas procuram o serviço por conta própria ou são levados por familiares e amigos. Os usuários são atendidos por uma equipe multidisciplinar composta por 63 profissionais. Os medicamentos necessários para a reabilitação são disponibilizados na própria unidade com a prescrição médica. A unidade dispõe de oito leitos, sendo quatro masculinos e quatro femininos”, informou a nota.

Já a Unidade de Acolhimento é voltada para o tratamento prolongado de dependentes de crack, álcool e outras drogas, funcionando como uma residência para tratamentos prolongados de dependentes químicos maiores de 18 anos, de ambos os sexos, que se encontram em sofrimento psíquico com necessidade de cuidado integral. A estrutura técnica conta com 24 servidores. O ambiente tem capacidade para receber até 15 pessoas e conta com sala administrativa, dormitórios, banheiros, refeitório, área de lazer e de convivência.

O Caps AD 24h atua em conjunto com a Unidade de Acolhimento e o fluxo de atendimento funciona da seguinte forma: a pessoa com dependência química que necessitar de ajuda deve procurar o Caps AD 24h, localizado na Rua Sócrates Peixoto, 138, Jardim Floresta. Lá o paciente é recebido e fica em tratamento por até 14 dias, e, se não apresentar melhora, é encaminhado para a Unidade de Acolhimento para dar continuidade ao tratamento por um período mais prolongado.

Lima disse: Em 11/01/2017 às 14:02:16

"Parabéns aos voluntários, pelo grande e valioso trabalho, que Deus os recompense, aliás não deve ter pagamento maior do que ver um assistido bem, limpo e retimando suas vidas. "