NA UFRR
IPHAN promove debate sobre patrimônio afro, cultura e identidade
Evento promove mesa-redonda e exposição fotográfica no auditório Alexandre Borges nesta terça-feira, 14, a partir das 18h
Por Paola Carvalho
Em 14/11/2017 às 17:00
Segundo a técnica em antropologia do Iphan em Roraima, Larissa Guimarães, objetivo é dar voz a sujeitos que participam na construção do patrimônio em Roraima (Foto: Nilzete Franco)

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) promove nesta terça-feira, 14, uma mesa redonda com o tema “Patrimônio Afro: Cultura e Identidade”, no auditório Alexandre Borges, na Universidade Federal de Roraima (UFRR).

A programação inicia às 18h com a exposição fotográfica “(In)tangível – Patrimônio e Diversidade Cultural em Roraima”, do fotógrafo Jorge Macedo, seguido pelas palestras com pesquisadores da UFRR, Universidade Estadual de Roraima (Uerr) e representantes da Associação de Umbanda, Ameríndios e dos Cultos Afro-Brasileiros de Roraima (Asuaer), além de apresentações culturais.

Segundo a técnica em Antropologia da Iphan em Roraima, Larissa Guimarães, o evento é alusivo ao Dia da Consciência Negra que acontece na próxima semana, dia 20 de novembro e foi pensado para tratar de questões relacionadas à negritude, ao negro e a negra na discussão em torno do patrimônio.

“O Iphan resolveu fazer um evento dando voz a sujeitos que participam na construção do patrimônio em Roraima e que tem certas especificidades por se tratar de um grupo que, historicamente, foi muito inviabilizado, teve suas praticas culturais em determinados contextos proibidos. Isso tudo feito pelo próprio estado brasileiro em diferentes momentos. Então, o estado brasileiro que proibiu agora reconhece como patrimônio e estimula políticas de incentivo, de valorização, de fomento”, pontuou Larissa.

DEBATE – A mesa redonda consistirá na apresentação acadêmica do professor e cientista social Carlos Borges, da UERR, que tem trabalhos relacionados à plantas medicinais e terreiros em Roraima, seguida pelo professor Amarildo Ferreira Júnior do Instituto Federal de Roraima (IFRR), que realiza uma pesquisa sobre os “Diablos Danzantes de Yare”, uma manifestação cultural religiosa da Venezuela que acontece em São Francisco de Yare, realizada majoritariamente por negros e negras.

Do ponto de vista prático, Tata Bokulê da Asuaer, falará sobre a vivência e da preservação e realização diária de atividades culturais afro-brasileiros em Roraima. Segundo Larissa, foi a forma que o Iphan encontrou de trazer os dois mundos e esclarecer o ponto de vista das diferentes situações.

Preservação do patrimônio cultural também é papel do Iphan

A técnica em antropologia do Iphan Roraima informou que, apesar do entendimento popular, o instituto não trabalha somente com a preservação arqueológica e tombamento de prédios históricos.

“O Instituto foi fundado sobre a ideia do patrimônio edificado, o material como é chamado. As políticas do patrimônio imaterial, que são exatamente as formas de expressão e manifestação das pessoas, os feitos sociais coletivos, é muito recente”, informou Larissa.

A antropóloga explicou que a política de preservação cultural foi definida dentro do Iphan através de um decreto presidencial nº 3551/2000, que institui o Registro de Bens Culturais de Natureza Imaterial que constituem patrimônio cultural brasileiro, cria o Programa Nacional do Patrimônio Imaterial e dá outras providências.

“A discussão sobre o tema começou a ser estruturada a partir de 1997. Não que não houvesse essa discussão anterior, mas só a partir desse momento que foi definida a importância de estruturar uma política voltada para esse tipo de patrimônio”, explicou.

Para Larissa, a questão da política ter sido implantada apenas há 17 anos, ou seja, recentemente contribui para a falta de conhecimento da população sobre o papel do Iphan.  “Também pesa sobre isso o desconhecimento, o fato de quem nem todos os Estados conseguem trabalhar com ela de fato, acabam ampliando essa imagem de que o Iphan só trabalha com arqueologia”, completou.

Outra situação levantada por ela é que a superintendência estadual do Iphan foi instaurada em Roraima somente em 2009, pois antigamente a representação funcionada no Amazonas. “Em 2009 foi reestruturado isso e todos os estados contaram com uma superintendência, o que é um super avanço”, acrescentou.

Sobre os trabalhos desenvolvidos em Roraima que tem a missão de fortalecer a identidade e garantir o direito à memória estão o trabalho com capoeiristas e artistas indígenas no Estado, elencou Larrisa.

“Nós temos um trabalho desde 2012 com a capoeira aqui no Estado, projetos com relação às panelas de barro macuxi, o inventário de diversidade lingüística yanomami, projetos na Serra da Lua e outras demandas que vão surgindo ao longo dos anos. As ações são recentes, mas tem recebido toda a atenção do Iphan em Roraima”, frisou. (P.C.)

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