MENORES INFRATORES
Internos entram em confronto, queimam colchões e refeitório do CSE em rebelião
Há um mês, gestão do CSE é compartilhada por quatro secretarias do Estado
Por João Barros
Em 06/12/2017 às 00:33
Durante toda a tarde de ontem, o clima foi tenso dentro do CSE (Foto: Hione Nunes)

No começo da tarde de ontem, dia 5, o clima ficou tenso no Centro Socioeducativo Homero de Souza Cruz Filho, localizado na região do Bom Intento, zona Rural de Boa Vista. Por volta das 12h os adolescentes conseguiram quebrar os cadeados dos dormitórios onde ficam isolados, em seguida arrombaram a porta de acesso e saíram armados, intimidando os agentes socioeducativos e correndo em direção ao bloco onde estão os menores que se denominam de facção rival. Em um mês e meio, segundo os agentes socioeducadores, essa é a sétima amotinação.

No momento em que o motim estourou dentro da unidade, havia cerca de 10 agentes. Os infratores que conseguiram escapar dos quartos e iniciaram o tumulto são do Bloco B I, no entanto, os agentes informaram à reportagem da Folha que já tinham avisado à direção que os cadeados estavam “batizados”, o que significa que estavam fragilizados e poderiam ser violados sem muitos esforços.

Pelo menos 70 adolescentes rebelados juntaram aproximadamente 15 colchões na área do refeitório e atearam fogo, queimando mesas, cadeiras e parte da estrutura do prédio. Eles estavam armados com pedra, pau e estilete. Os agentes acabaram recuando para não serem feridos.

Quando perceberam que estavam livres para agir, os menores invadiram a área do Bloco AI na intenção de matar os rivais de facção. “Eles foram para matar e, enquanto não matarem, vão ficar tentando. Só não aconteceu o pior ainda porque os agentes não deixaram, mas o caso é muito sério e parece que ninguém vai tomar providência. Nós que fazemos a guarda interna não demos conta de conter os adolescentes e tivemos que pedir ajuda da Polícia Militar”, relatou um dos agentes.

Homens do Choque que integram o Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) da Polícia Militar tiveram que intervir e acalmar os ânimos dos internos. A PM utilizou balas de borracha e bombas de efeito moral, para conter os rebeldes.

No total, três adolescentes ficaram feridos e tiveram que ser levados ao Pronto Socorro Francisco Elesbão, no Hospital Geral de Roraima (HGR), para receber atendimento médico especializado. Além de escoriações pelo corpo, os menores tiveram ferimentos na cabeça e retornaram da unidade de saúde com curativos e faixas.

Todos os envolvidos no motim foram separados e levados em um veículo especial para a Delegacia de Polícia, onde prestaram depoimentos sobre os delitos praticados e os motivos da rebelião. Todos eles vão responder pelos atos infracionais. Ao fim do procedimento da autoridade policial, os adolescentes retornaram ao prédio do CSE.

Os agentes informaram à Folha que alguns ainda não tiraram férias porque não querem abandonar os demais colegas diante da instabilidade no CSE. “Nós ajudamos uns aos outros. Queremos que as autoridades façam alguma coisa. O nosso dever é levar esses problemas ao conhecimento das autoridades. Se não falarmos, estamos prevaricando”, acrescentou.

Durante toda a tarde de ontem, a movimentação de familiares, dos menores, foi intensa em frente ao Centro Socioeducativo. Todos buscavam informações sobre número de feridos e seus respectivos nomes. A imprensa tentou conversar com o diretor da unidade no momento em que ele deixava o prédio, mas ele se recusou a dar informações.

OUTRO LADO – Em nota, a Secretaria de Justiça e Cidadania (Sejuc) confirmou que a confusão foi iniciada por volta das 11h30, quando um grupo de 20 socioeducandos conseguiu quebrar as grades dos quartos com a intenção de agredir outros internos. “Durante a confusão, eles atearam fogo em redes que ficam na área de visitação da unidade, e um dos jovens foi ferido no braço por outro interno. A Polícia Militar foi acionada e conteve a situação”, disse.

Em relação às providências adotadas, a Sejuc também informou que está sendo feita a identificação dos internos, para que os mesmos sejam encaminhados para a Delegacia da Infância e Juventude, para procedimentos da Polícia Civil, tendo em vista o cometimento de dano ao patrimônio público e lesão corporal. (J.B)

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