LAVA JATO
Jucá protocola PEC para blindar presidentes do Senado e da Câmara
Na PEC, Jucá amplia a prerrogativa para todos os ocupantes da linha sucessória
Por Folha Web
Em 15/02/2017 às 19:00
Texto deve ser encaminhado para a CCJ (Foto: Pesquisa por imagem)

O líder do governo no Congresso, senador Romero Jucá (PMDB-RR), apresentou nesta quarta-feira, 15, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que pode blindar os membros da linha sucessória da presidência da República.

Jucá reuniu as 27 assinaturas necessárias para protocolar a matéria no plenário. O peemedebista negou que haja intenção de proteger alvos da Operação Lava Jato com a proposta.

A Constituição já determina que o presidente da República não pode ser investigado por atos anteriores ao mandato.

Na PEC, Jucá amplia essa prerrogativa para todos os ocupantes da linha sucessória. O projeto beneficiaria diretamente os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) e do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE).

Ambos são citados em delações premiadas no âmbito da Lava Jato.

A iniciativa de Jucá ocorre dias após a homologação da delação da Odebrecht e na eminência da quebra de sigilo dos acordos.

"Todo momento é momento para colocar os pontos nos i's e deixar as coisas claras", disse Jucá.

"Eu não quero blindar a Lava Jato, nós não estamos querendo parar a operação. Qualquer informação nesse sentido é um absurdo", continuou o peemedebista.

Ele destacou que "não é democrático" que o presidente possa "ser sacado" da linha sucessória "pela vontade" do PGR. "É assim que vamos atuar? Vamos diminuir poder Legislativo ou Judiciário por conta de uma pseudo proteção à Lava Jato?", questionou.

Jucá considera que, caso um dos presidentes seja alvo de denúncia, só poderá ser investigado e julgado após o término do mandato de dois anos no cargo.

Jucá defende que é "legítimo" dar o mesmo tratamento aos presidentes dos três poderes para garantir maior "equilíbrio" às instituições.

"Os presidentes não podem ficar suscetíveis a sair do cargo por conta de uma decisão pessoal do procurador-geral da República. Acho que isso não é consistente com a harmonia dos poderes."

Segundo o líder do governo, a sua proposta apenas "defende o que determina a Constituição".

Com a apresentação da PEC, o texto deve ser encaminhado inicialmente para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Se aprovada, irá para apreciação no plenário do Senado.

"Vamos ao debate. Aqueles que quiserem votar, votarão. Os que não quiserem votar, se agacharão, e tirarão a responsabilidade e a representatividade do Senado e da Câmara. Por mim, isso não acontecerá", declarou Jucá.

Confira a lista de senadores que assinou o apoiamento para protocolar a PEC:

Romero Jucá (PMDB-RR)
Eduardo Braga (PMDB-AM)
Aloysio Nunes (PSDB-SP)
Renan Calheiros (PMDB-AL)
Antonio Carlos Valadares (PSB-BA)
Benedito de Lira (PP-AL)
Aécio Neves (PSDB-MG)
Sérgio Petecão (PSD-AC)
Eduardo Amorim (PSDB-SE)
Hélio José (PMDB-DF)
Eduardo Lopes (PRB-RJ)
Garibaldi Alves (PMDB-RN)
Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE)
Cássio Cunha Lima (PSDB-PB)
Flexa Ribeiro (PSDB-PB)
Davi Alcolumbre (DEM-AP)
Maria do Carmo Alves (DEM-SE)
Marta Suplicy (PMDB-SP)
Benedito de Lira (PP-AL)*
Edison Lobão (PMDB-MA)
Lasier Martins (PSD-RS)
Roberto Rocha (PSB-MA)
Valdir Raupp (PMDB-RO)
Zezé Perrella (PMDB-MG)
Roberto Muniz (PP-BA)
Pedro Chaves (PSC-MS)
Otto Alencar (PSD-BA)
José Aníbal (PSDB-SP)

* O senador Benedito de Lira assinou o apoiamento duas vezes

Com informações do Estadão

VAGN disse: Em 16/02/2017 às 13:20:26

"Só canalhas!!!!"

rpd disse: Em 15/02/2017 às 19:36:57

"A raposa cuidando do galinheiro, o qual esta mais sujo que o puleiro."