CUIDADO COM A SAÚDE
Mais de 300 boa-vistenses lutam contra o tabagismo
Unidades de saúde municipais oferecem o tratamento e possuem grupos antitabagismo
Por Minervaldo Lopes
Em 13/01/2018 às 02:01
O cigarro está relacionado a mais de 80% dos casos de câncer de pulmão, faringe e cavidade oral (Foto: Hione Nunes)

O tabagismo é a principal causa de morte evitável no planeta, sendo considerado um problema de saúde pública, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). Em Boa Vista, segundo a Prefeitura de Boa Vista, 315 pessoas fazem tratamento contra a dependência do tabaco nas unidades básicas de saúde. 

“Quase todas as unidades básicas de saúde de Boa Vista oferecem o tratamento e possuem grupos antitabagismo. O tratamento é realizado com adesivo de nicotina e a medicação que ajuda a diminuir a ansiedade”, informou.

Conforme a Administração Municipal, os trabalhos são reforçados graças à atuação de 18 grupos antitabagismo. O tratamento do dependente do cigarro é contínuo e mensal, com duração de seis meses a um ano. “Nesse período, os pacientes são acompanhados ainda pelos agentes comunitários de saúde nas visitas domiciliares e pelo grupo de WhatsApp das unidades”, frisou.

De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde (Sesau), o Estado fornece apenas o apoio necessário para que as cidades se cadastrem e passem a oferecer os serviços do Programa Nacional de Controle do Tabagismo no Sistema Único de Saúde (SUS).

Ainda segundo a Sesau, uma articulação junto ao Instituto Nacional do Câncer (Inca) estaria em curso para a promoção de capacitações para que os municípios reforcem as ações contra o tabaco. “Cada município cadastrado assume o compromisso de montar uma equipe multiprofissional, que se reúne com um grupo de 10 pacientes uma vez por semana. Na reunião ocorre avaliação clínica, psicológica, regulação na dosagem dos medicamentos e fisioterapia para ajudar na respiração do paciente”, informou.

PREJUÍZOS – De acordo com o Instituto Nacional do Câncer, o tabagismo é responsável por causar um prejuízo anual de R$ 56,9 bilhões. Deste quantitativo, R$ 39,4 bilhões são destinados ao custeio de despesas médicas e R$ 17,5 bilhões com custos indiretos ligados à perda de produtividade, causada por incapacitação de trabalhadores ou morte prematura.

Somente no ano de 2015, segundo o Instituto, 256.216 pessoas morreram vítimas de doenças relacionadas ao tabaco, representando 12,6% dos óbitos de pessoas com mais de 35 anos. Desse total, 35 mil foram vítimas de doenças cardíacas, enquanto 31 mil de Doenças Pulmonares Obstrutivas Crônicas (DPOC).

“Por conter uma série de substâncias, o cigarro é hoje o principal fator para o surgimento de tumores cancerígenos em cavidade oral e laringe. Associado ao álcool, ele potencializa os malefícios do tabagismo, levando, na grande maioria dos casos a pessoa ao óbito”, afirma a cirurgiã de cabeça e pescoço, Drª Ragly Santos.

À Folha, Ragly comentou que estudos mais recentes têm comprovado cada vez mais os riscos que o tabagismo provoca nas pessoas. “Só para se ter uma ideia, o câncer de pulmão é atualmente a quarta causa de morte de pessoas no país, tudo isso devido ao consumo de cigarro, e a gente sabe que a única maneira de cortar o mal pela raiz é realmente se livrando do vício”, disse a cirurgiã.

“O cigarro afetava muito a minha disposição física”, diz ex-fumante

Largar o cigarro nem sempre é uma tarefa fácil para muitos fumantes, principalmente quando o vício inicia quando jovem. No entanto, dar o primeiro passo é, sem dúvida, a escolha mais certa para retomar uma vida saudável.

“Nunca tive nenhuma advertência física, mas percebi que isso [cigarro] afetava muito a minha disposição. Você não tem uma boa noite de sono como antes e o rendimento para os exercícios físicos diminuem com o passar do tempo”, comentou o técnico em transições imobiliárias, Maicon Ferri, de 27 anos.

O rapaz conta que decidiu parar de fumar há duas semanas e que, até o momento, ainda não sentiu nenhum tipo de efeito colateral. Para ele, uma decisão bem acertada, uma vez que quer prolongar sua qualidade de vida.

“Comecei a fumar com 19 anos, quanto estava em uma festa de amigos, e acabou que virou um hábito. Como hoje tenho uma filha e decidi adotar medidas mais saudáveis por ela e também por mim, que já sinto uma melhorar no meu dia a dia”, contou.

Sentindo-se mais disposto e sem a mínima vontade de voltar a fumar, Ferri aconselha outros jovens a também se manterem longe dos vícios relacionados ao tabaco e também a bebida, outro fator que aumenta os riscos para o desenvolvimento de doenças. “O conselho que dou às pessoas, principalmente aos mais jovens, é que o ideal é manter uma boa qualidade de vida, o que não inclui o cigarro nem a bebida. Além da melhora na saúde, acaba que você consegue evitar gasto financeiro sem retorno positivo”, pontuou. (M.L)

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