MITOMANIA
Mentir é o ato de intencionalmente e deliberadamente fazer uma declaração falsa
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Os termos mentiroso patológico, mitônomo e mentiroso crônico são frequentemente usados para se referir a um mentiroso compulsivo
Por Raisa Carvalho
Em 03/04/2018 às 00:27
De acordo com o psiquiatra Alberto Iglesias, a maioria das pessoas faz isso por medo (Foto: Hione Nunes)

Mentir é o ato de intencionalmente e deliberadamente fazer uma declaração falsa. Quando esse comportamento passa a ser compulsivo ele pode se transformar em doença. A mitomania ou mentira compulsiva é uma tendência patológica.

De acordo com o psiquiatra Alberto Iglesias, a maioria das pessoas faz isso por medo, mas a mentira compulsiva interfere no julgamento racional, no relacionamento familiar e especialmente social
“A literatura aponta que não existe uma causa da mitomania, mas um conjunto de fatores associados pode provocar o problema: histórico de vida, relacionamentos, padrão de relação parental, genética e experiências. Acredita-se que a baixa autoestima, necessidade de apreço ou atenção e a tentativa de se proteger de situações constrangedoras marquem o início da mitomania”, explica o psiquiatra.

Na infância, devido à imaturidade mental, as crianças podem mentir com alguma recorrência. Muitas crianças têm dificuldade de enfrentar algumas frustrações e críticas e acabam mentindo para os pais na tentativa de preservar sua autoimagem.

“Essa característica só assume um caráter patológico quando a criança inclinada à mitomania constata que sua mentira pode ser entendida como verdade sem nenhuma consequência negativa associada. Por outro lado, um sentimento de prazer e de poder pode facilmente incitá-la a repetir o mesmo comportamento”, explica o médico.

Segundo ele, a medida que os colegas acreditam em suas histórias e ela começa a se sentir aceita e interessante, a mitônoma passa a contar cada vez histórias mais incríveis e a tornar disso um hábito com a repetição do comportamento de mentir sem nenhuma finalidade específica.

“Esse distúrbio pode ter origem na baixa autoestima da criança e na supervalorização de suas crenças, com o não enfrentamento da angústia ou frustração associada a uma situação”, diz Iglesias.

Para o psiquiatra, o mentiroso compulsivo é definido como alguém que mente como um hábito, desde a infância. “Mentir, neste caso, é a sua forma normal de responder a qualquer pergunta, por mais simples que seja. Algumas vezes são pequenas mentiras, outras são muito elaboradas, cheias de detalhes, que induzem a própria pessoa a acreditar nelas. Mentirosos compulsivos podem esconder a verdade sobre tudo, quer seja algo grande ou pequeno. Por outro lado, para um mentiroso compulsivo, dizer a verdade pode chegar a ser muito estranho e desconfortável”, disse.

O médico relata que o mitômano sempre sabe, no fundo, que o que ele diz não é totalmente verdadeiro, embora não possua consciência plena da intenção de cada mentira.

“As histórias contadas tendem a apresentar o mentiroso sempre favoravelmente. Por exemplo, a pessoa pode ser apresentada como sendo fantasticamente corajosa ou estar relacionada com muitas pessoas famosas”, disse.

Diagnóstico
Com o tempo, é natural as pessoas que rodeiam um mitômano perceberem a mentira. Porém, mais importante do que identificar a ação repetida de mentir, é reconhecer este ato como um hábito patológico.

O mais importante é que o indivíduo consiga reconhecer os prejuízos que seu comportamento pode trazer para si e para terceiros e que queira mudá-lo.

“O tratamento geralmente envolve acompanhamento psicológico e, no caso de pessoas que também apresentem outros quadros psiquiátricos (como depressão e ansiedade), tratamento medicamentoso pode ser recomendado. Nesse contexto trabalha-se a extinção desse hábito disfuncional através do foco na visão distorcida de si mesmo. Algumas pesquisas indicam que certas pessoas podem ter uma predisposição para mentir”, finalizou o especialista.

 

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