SAÚDE
Novo método de Estimulação Magnética Transcraniana busca tratamento para depressão
O novo método traça o protocolo mais adequado ao perfil patológico do paciente
Por Raisa Carvalho
Em 05/01/2017 às 00:04
O psiquiatra Alberto Iglesias explica como funciona o tratamento (Fotos Wenderson de Jesus)

Os transtornos depressivos no Brasil são muito comuns. São mais de 2 milhões de novos casos por ano. Trata-se de um transtorno tratável por um médico, não sendo necessários exames laboratoriais e de imagem para seu diagnóstico e tratamento.

De acordo com o psiquiatra Alberto Iglesias, a causa da depressão normalmente é um desequilíbrio químico no cérebro e acontecimentos estressantes, como a perda de um familiar.

“O paciente pode apresentar vários sintomas persistentes, como: ansiedade, falta de interesse, tristeza, apatia, choro excessivo, isolamento social, falta de concentração lentidão, pensamentos suicidas, insônia, falta de apetite, níveis de energia reduzida”, relatou.

Segundo ele, existem vários tipos de depressões, que vão desde uma depressão leve a uma depressão grave com sintomas psicóticos.

“O tratamento também varia e vai desde a terapia com psicólogo até o tratamento conjunto (terapia com psicólogo mais psiquiatra), com prescrição de medicamentos antidepressivos e novas técnicas de tratamento, como a Estimulação Magnética Transcraniana”, explica.

Ele explica que desde 2012 está aprovado no Brasil, pelo CFM (Conselho Federal de Medicina) o tratamento de Estimulação Magnética Transcraniana.

“O tratamento eficaz no Brasil para depressões e esquizofrenia auditiva, em outros países aprovados pelos seus respectivos órgãos de controle para diversos outros transtornos psiquiátricos, como fibromialgia, uso abusivo de substancias químicas, depressão bipolar, etc”, contou.

Este novo conceito de tratamento através de ondas eletromagnéticas no cérebro é fundamentado cientificamente de maneira muito simples, pois a condução de informações através dos neurônios acontece de maneira elétrica e entre os neurônios na fenda sináptica através de neurotransmissores.

“Quando o tratamento médico psiquiátrico, através de medicamentos antidepressivos, que visa elevar a quantidade de neurotransmissores, principalmente a serotonina, não traz resultados satisfatórios, mesmo em tempo e dose adequada, está na hora de fazer uma Neuromodulação na atividade elétrica do neurônio, em depressões para aumentar a frequência elétrica do neurônio, e na esquizofrenia auditiva para diminuir a frequência elétrica do neurônio, nos respectivos locais do cérebro onde estas informações são processadas” disse.

O psiquiatra explica que o tratamento medicamentoso e psicoterapêutico não devem ser abandonados.

“É preciso normalizar a condução elétrica dos neurônios e os neurotransmissores na fenda sináptica, trazendo novamente o paciente para um estado de estabilidade emocional e de humor, normalizando o paciente para suas atividades diárias, familiares e laborativas com um bom controle de seus transtornos”, finalizou.

Como funciona?

A Estimulação Magnética Transcraniana Repetitiva (EMT) é um procedimento médico que utiliza estímulos elétricos e magnéticos excitatórios ou inibitórios para reestabelecer o funcionamento cerebral. Estimulação Magnética Transcraniana tem sido utilizada no tratamento da depressão.

Após consulta especializada com o médico que tem conhecimento em Estimulação Magnética Transcraniana Repetitiva, é traçado o protocolo mais adequado ao perfil patológico do paciente. Os pacientes utilizam uma touca devidamente identificada e de uso único e exclusivo, sob o couro cabeludo, onde o médico irá medir e marcar o limiar motor (LM) do paciente, que é intensidade do campo magnético necessária para produzir movimentos motores em cada indivíduo.

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