RORAIMA
O nu da roraimense Fluvia Lacerda
Aos 36 anos, Fluvia Lacerda foi a primeira modelo plussize a posar nua e estrelar uma capa da Playboy Brasil
Por Vanessa Vieira
Em 06/03/2017 às 00:18
Autoconfiante, Fluvia diz que as críticas passam despercebidas (Foto: Divulgação )

Fluvia Lacerda poderia ter escolhido qualquer lugar do mundo para posar nua e estrelar a primeira capa de uma modelo plussize na revista Playboy Brasil, mas ela preferiu voltar às raízes, ao rio onde se banhava quando criança - o Rio Branco - e ao Estado que leva no coração e que a faz chorar nas despedidas.

Depois de anos de convites e recusas, Flúvia aceitou, aos 36 anos, ser fotografada. Não que estar sem roupa a iniba, tanto que ela já posou nua para revistas europeias. Mas, até a transição de fase da revista no ano passado, a Playboy Brasil não era a praia dela. “Em 2011, eles me chamaram para fazer foto para a coluna ‘Mulheres que Amamos’. Desde então sempre me convidavam, mas a revista tinha outro perfil. Recentemente, ela foi vendida e mudaram o estilo. Agora colocam mulheres de biótipo diferente, mulheres polêmicas. Me chamaram de novo e eu, de primeira, recusei. Aí me convenceram a ir conversar com a Tábata [Pitol, diretora de redação da Playboy]”, relembrou.

Tábata disse à Fluvia que a revista queria muito o ensaio. “Eu falei que topava, mas que tinha de ser do meu jeito. A ideia de fazer em estúdio não tinha nada a ver comigo. A Tábata até sugeriu que a gente fizesse em Nova Iorque [onde Fluvia reside], mas eu quis fazer em Roraima. Sou caboca, bicho do mato”, contou.

Dispensando produção, equipe grande e até maquiador, Flúvia passou oito dias em Roraima com o fotógrafo e amigo Renato G. Pedro. “Desisti de maquiador porque tava muito quente. Eu transpiro muito e aqui é muito úmido. A maquiagem também não tinha nada a ver com o ambiente do ensaio, que era algo selvagem, na mata, na água”, disse. “Foram oito dias de aventura total. Eu e o Renato nos enfiamos no mato, nos ambientamos. Do jeito que eu queria. Pouca maquiagem e descabelada”, recordou.

Algumas fotos foram feitas no rio Branco, onde Fluvia brincava com os amigos quando era criança. “Eu vim morar em Roraima com dois anos. Eu cresci aqui no São Pedro. As melhores lembranças que eu tenho da minha infância são daqui. Foi o único período da minha vida estável no sentido de morar num lugar só. Depois disso, eu finquei pé em Nova Iorque, mas minha carreira nunca me deixou ficar parada”, disse.

É em Roraima que ela criou raízes. “Eu tenho uma ligação muito forte com essa terra. Eu moro fora há mais de 20 anos e aqui é o único lugar que eu choro quando vou embora. Eu viajo o mundo, mas eu nunca sinto um aperto no coração como aqui. Aqui eu fico à vontade, com meus amigos, posso andar descalça e descabelada”, contou, justificando a escolha.

Mesmo amando Roraima, foi nos Estados Unidos que ela foi descoberta e começou a carreira. “Saí daqui em 1994. Morei uns meses em Natal (RN) e, de lá, fui pra Nova Iorque. Comecei a trabalhar como faxineira, babá. Um dia fui parada num ônibus em Manhattan por uma editora de uma revista de moda. Ela perguntou se eu já tinha pensando em trabalhar como modelo plussize. Achei que ela tava me sacaneando”, disse.

Fluvia passou um mês com o cartão da agenciadora e, com apoio da família, resolveu ir atrás de uma agência. Fez teste em quatro agências e foi chamada nas quatro. “Eu sempre gostei de moda, mas o pouco que eu sabia era que pra ser modelo tinha que ser esquelética. Então eu nunca tive o sonho de ser modelo. Quando surgiu a oportunidade, eu fui, fiz a polaroid [fotos em que a modelo está sem maquiagem e vestindo camiseta e calça jeans] e recebi oferta de todas”, recordou. Com quatro meses de carreira, ela passou a viver de moda.

Quanto às críticas que recebe pelo peso, Fluvia diz que passa batido. “Sou muito cabeça feita. Autoconfiança é muito nato pra mim. Eu sempre percebi isso como as pessoas vomitando a negatividade delas nos outros. Tem crítica, mas tem muito mais elogio. Por exemplo, recebi centenas de mensagens de mulheres dizendo que nunca tinham comprado uma Playboy, e que iam comprar. A receptividade e a aceitação foram muito boas.”, comentou.

Para ela, existe uma necessidade das pessoas em tentar se encaixar em um molde que não é delas. “Todo mundo quer ter aparência de alemã, do olho azul, de cabelo esticado. Todo mundo querendo seguir o mesmo estilo. Mas nosso povo é extremamente mestiço. Nós somos isso. Mulher brasileira tem bunda, tem peito, cintura, quadril”, avaliou.

Mesmo viajando o mundo todo como modelo, sempre que a agenda permite, Fluvia passa um tempo em Roraima, para rever os amigos de infância, pescar... “Venho fugida, mas venho. Não acontece com muita frequência, mas sempre que posso tô por aqui pra rever todo mundo. Não tem lugar que supere a beleza daqui e eu já viajei muito. Cada lugar tem sua beleza distinta, mas pra mim isso aqui é muito forte”, concluiu.

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Fluvia Lacerca
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