OPERAÇÃO ATALHO
PF prende fazendeiro que cobrava pedágio para terra Yanomami
A ação foi feita integrada com o Exército.O acusado construiu uma cancela no assentamento
Por Folha Web
Em 13/06/2016 às 11:52
A ação foi feita integrada com o Exército.O acusado construiu um bloqueio com uma cancela em um projeto de assentamento (Foto: Arquivo Folha)

A Polícia Federal em Roraima deflagrou, às 6h da manhã de hoje, a Operação Atalho. Estão sendo cumpridos dois Mandados de Busca e Apreensão, deferidos pela Justiça Federal após representação de inquérito policial que investiga uma rede de apoio ao garimpo na Terra Indígena Yanomami – rio Uraricoera. O investigado D B T foi preso em flagrante em sua residência em Boa Vista/RR, por usurpação do patrimônio da União – art. 2º da lei 8.176/91.

A prática criminosa investigada ocorre em uma fazenda localizada no Projeto de Assentamento Paredão, em Alto Alegre/RR. Há indícios de que o proprietário D B T, conhecido como ZÉ BALA, construiu uma estrada em um dos lotes que ocupa, exigindo pedágio a garimpeiros para terem acesso às margens do rio Uraricoera, via fluvial que dá acesso ao garimpo na Terra Indígena Yanomami.

A investigação aponta cobrança de valores de R$ 100,00 a R$ 500,00 por veículos que fazem transporte de garimpeiros ou da logística do garimpo. Foi construído também um bloqueio com uma cancela na vicinal 6 do projeto de assentamento, forçando passagem pelo pedágio montado por D B T.

A investigação aponta que a fazenda objeto de busca e apreensão é utilizada por ZÉ BALA como ponto de apoio ao garimpo, com fornecimento de hospedagem, alimentação e depósito de materiais ilícitos a garimpeiros e outros envolvidos no garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami. O domicílio do investigado em Boa Vista/RR também é objeto de busca e apreensão.

Há indícios de uso de capangas, com estrutura armada, para intimidação de pessoas para que paguem o pedágio cobrado.

Na residência do investigado em Boa Vista/RR foram apreendidos ouro (valor aproximado de R$ 40.000,00); 17 mil reais em dinheiro; 2 telefones satelitais; uma balança de precisão; GPS; celulares; documentos e 31 carotes vazios para combustível. O trabalho na área rural continua em desenvolvimento, em ação integrada com o Exército Brasileiro. O preso foi encaminhado à penitenciária agrícola, à disposição da Justiça Federal.

Comentários
Gil disse: Em 13/06/2016 às 15:11:11

"Uai, não são os índios os que que aproveitam de sua questão de tutelados para cometer crimes? Os fazendeiros não são sempre os bonzinhos da história? "