HOSPITAL GERAL
Pacientes afirmam que triagem não prioriza casos urgentes
Quem estava na fila de atendimento e foi classificado como ‘pouco urgente’, aguardou até quatro horas
Por Folha Web
Em 16/05/2018 às 01:55
Mesmo com fortes dores no joelho, Yachinda Carvalho Rebouças foi classificado como ‘pouco urgente’ (Foto: Diane Sampaio)

Os pacientes que buscaram atendimento médico no Hospital Geral de Roraima (HGR) ontem, 15, relataram à Folha situações de descaso e muita demora no atendimento, inclusive com pacientes idosos e reclamaram ainda sobre a classificação na triagem, que não estaria priorizando os atendimentos de urgência.

A equipe de reportagem foi até o local conversar com os pacientes e verificou inúmeras pessoas aguardando atendimento. À Folha, os pacientes classificados como pouco urgente (verde) relataram que estavam esperando em média de três a quatro horas para serem atendidos as que são classificadas na triagem, enquanto as demais classificações levam em média de uma hora e meia a duas horas.

O autônomo Fagner Magno Souza Santos disse que, após ser atendido na unidade de saúde Cosme e Silva, foi diagnosticado com líquido nos pulmões e foi encaminhado para o HGR para atendimento de urgência. “Cheguei com meu irmão às 10h e já passaram mais de três horas e nada de ele ser avaliado por um médico. Ele relata estar sentindo muita dor nos pulmões e dificuldade para respirar, mas mesmo assim ao passar pela triagem afirmaram que seu caso é pouco urgente e estamos aguardando primeiro atenderem os casos urgentes. Um absurdo”, relatou a irmã, Aline Souza.

Já o estudante Yachinda Carvalho Rebouças ia pela segunda vez ao HGR e ainda não tinha conseguido atendimento para uma lesão que sofreu no joelho esquerdo. Ele contou que na madrugada de ontem, 15, o médico que o atendeu apenas colocou uma atadura e o mandou para casa, sem receitar nenhum medicamento para aliviar a forte dor.

“Não aguentando de dor, retornei hoje bem cedo com os exames e mais uma vez meu caso foi classificado como pouco urgente. Estou aqui desde as 9h e já passa de uma da tarde e nem previsão. Estou sem me alimentar, com muita dor e não informam a razão da demora no atendimento. Quando estive anteriormente no HGR, me disseram que não imobilizaram meu joelho por falta de material”, disse.

Outro caso é de um paciente, que optou por não ser identificado, que ao procurar o atendimento no HGR na madrugada de ontem teve que esperar mais de quatro horas em razão do grande fluxo de pessoas e a morosidade no atendimento.

“Reclamei de fortes dores nas costas e, na triagem, classificaram meu caso sem gravidade. Após esperar por mais de duas horas piorei e comecei a cuspir sangue, e foi quando solicitei uma nova avaliação da triagem, e assim consegui atendimento de urgência. O descaso é grande. Falta ainda material de acesso apropriado para aplicação de soro e medicamento na veia. Um caos total desde a falta de materiais à limpeza da unidade”, afirmou.

OUTRO LADO– Em nota, o Governo do Estado informou que a triagem é realizada por uma equipe de enfermagem treinada para analisar os sintomas do paciente e definir quem precisa ser atendido primeiro. Caso durante a espera o paciente sinta alguma alteração, ele pode voltar ao posto de triagem e solicitar uma nova avaliação. Como a demanda de atendimento de urgência e emergência tem crescido nos últimos anos, a prioridade é para os casos mais graves, pois a demanda dos pacientes menos urgentes, classificados na cor verde, é responsabilidade dos municípios.

Quanto aos materiais hospitalares como luvas, máscaras, toucas, entre outros itens e mais medicamentos estão em fase de aquisição. A Secretaria estadual de Saúde (Sesau) está articulando o apoio para realizar novo transporte aéreo e suprir os itens em falta o mais rápido possível.

Em relação à limpeza do HGR, a Sesau esclareceu que está fazendo o possível para regularizar os repasses junto às empresas terceirizadas sem comprometer outros serviços. Nos casos de eventuais descontinuidades no serviço, serão mantidos os serviços considerados essenciais. A limpeza, por exemplo, é concentrada nos locais mais críticos, como centro cirúrgico, trauma, setor de esterilização e pronto atendimento. (R.G)

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