EXAMES DE TRIAGEM NEONATAL
Pediatra explica principais testes feitos em bebês e qual é a função de cada um deles
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A pediatra e neonatologista Marjorie Fassanaro explica as funções dos principais testes do período neonatal
Por Raisa Carvalho
Em 05/04/2018 às 00:28
Marjorie Fassanaro é pediatra, neonatologista e especialista da saúde do bebê (Fotos: Divulgação)

Os exames de triagem do período neonatal devem ser feitos por todos os bebês após o nascimento. De acordo com a pediatra e neonatologista Marjorie Fassanaro, a triagem neonatal é uma estratégia preventiva para identificação precoce de doenças no recém-nascido.

“É fundamental o conhecimento e o entendimento da gestante, durante o período pré-natal, para que logo após o nascimento, todos os testes sejam realizados no tempo correto e de forma adequada. Apesar de saber que devem ser feitos, muitas pessoas não sabem para que servem. É importante lembrar que estes exames são apenas uma triagem. Casos alterados necessitarão de exames específicos para confirmação do diagnóstico”, ressalta.

A pediatra listou os principais testes feitos em bebês e explicou qual é a função de cada um. Confira:

Teste do Pezinho
É um conjunto de exames realizados através de uma gota de sangue, coletada do calcanhar do recém-nascido. O momento ideal para a coleta é entre o 3º e o 5º dia de vida, não devendo ser realizado antes de o bebê completar 48 horas da alimentação (amamentação) e nunca superior a 30 dias.

“O teste é útil para detectar doenças graves que podem trazer sérios danos para o bebê, porém, se diagnosticadas e tratadas de forma precoce e efetiva esses danos podem ser evitados”, explica a médica.

A pediatra explica que o teste do pezinho básico é obrigatório em todo o território nacional. Compreende triagem para fenilcetonúria, hipotireoidismo congênito, anemia falciforme/ outras hemoglobinopatias, fibrose cística, hiperplasia adrenal congênita e deficiência de biotinidase.

O teste do pezinho ampliado realizado em instituições privadas, inclui a triagem para galactosemia, deficiência de glicose-6- fosfato-desidrogenase e toxoplasmose congênita.

Teste da Orelhinha
Segundo a especialista, o teste pode ser realizado ainda na maternidade ou, após alta hospitalar, até 30 dias de vida preferencialmente. Tecnicamente chamado de teste de emissão otoacústica, foi implementado em 2010.

“Sua função é detectar deficiência auditiva. É feito por fonoaudiólogo, com equipamento especial que emite sons e verifica a resposta dos ouvidos ao estímulo. É um teste indolor, com duração de três a cinco minutos, que algumas vezes tem que ser repetido ou complementado. Pode ser realizado logo no segundo dia de nascimento, e de preferência ainda no primeiro mês de vida. Caso seja confirmado um problema permanente de surdez, não espere. A criança precisa começar tratamento especializado imediatamente ou, no máximo, até os três meses de vida”, explica.

Teste do Olhinho
Consiste na avaliação com oftalmoscópio direto dos olhos do recém-nascido, de forma simples e rápida, realizada pelo pediatra, ainda na sala de parto ou, no máximo, até a alta da maternidade.

“O exame permite que o médico identifique um reflexo avermelhado na pupila. Quando isso ocorre significa que o exame está normal. Se o exame estiver alterado, o bebê deverá ser avaliado pelo oftalmologista imediatamente”, complementa a especialista.

Teste do Coraçãozinho:
Permite identificar precocemente problemas cardíacos graves no recém-nascido. O procedimento é simples, rápido e indolor. A oxigenação do sangue e os batimentos cardíacos do bebê são medidos com o auxílio de um oxímetro de pulso.

“Em caso de alterações o bebê deve ser encaminhado ao cardiologista pediátrico e submetido ao ecocardiograma”, relata.

De acordo com dados da Sociedade Brasileira de Pediatria, cerca de 10 em cada mil nascidos podem apresentar alguma malformação congênita e, entre esses, dois podem ter cardiopatias graves e precisar de intervenção médica urgente.

Teste da linguinha:
“É eficaz, rápido e não dói. O teste da linguinha é um exame padronizado que possibilita diagnosticar e indicar o tratamento precoce das limitações dos movimentos da língua causadas pela língua presa que podem comprometer as funções exercidas pela língua: sugar, engolir, mastigar e falar. O teste da linguinha deve ser realizado por um profissional da área da saúde qualificado, como por exemplo, o fonoaudiólogo. Ele deve elevar a língua do bebê para verificar se a língua está presa, e também observar o bebê chorando e sugando”, explica.

A médica ressalta que o exame não tem contraindicações. “Recomenda-se que a avaliação do frênulo da língua seja inicialmente realizada ainda na maternidade”, finaliza.

 

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