POSSE RESPONSÁVEL
Poucos donos se interessam em pôr microchip em seus animais domésticos
Em nove meses de campanha, apenas 260 animais receberam o chip dentro de uma estimativa de 150 mil animais no Estado
Por Folha Web
Em 15/11/2017 às 01:19
Autora do projeto, Ana Maria Nóbrega diz que é necessária uma lei que obrigue os donos de animais a realizarem o cadastro (Foto: Hione Nunes)

Lançada em fevereiro deste ano, a intenção da campanha “Posse Responsável” é identificar, por meio de chips eletrônicos, cerca de mil cães e gatos de Boa Vista. Passados dez meses, apenas 260 animais foram microchipados, segundo a Rede de Apoio e Defesa de Animais em Roraima (Radarr), responsável pela aplicação do material. Com a implantação do chip, o dono do animal recebe uma ficha de cadastro contendo os mesmos dados do microchip: endereço, informações de contato e número de identificação do bicho.

A procura pelo serviço é baixa por falta de interesse da própria população. Cerca de 70% do produto ainda estão em estoque, dificultando o trabalho. Até o momento, foram feitas três campanhas em locais estratégicos da cidade e, mesmo assim, não houve adesão. “A gente já vem trabalhando a microchipagem de identificação eletrônica como meio de a população conhecer os pré-requisitos para uma posse responsável de animal. Fizemos algumas campanhas, mas ainda sem sucesso. Seria necessária uma lei para obrigar os proprietários de animais a realizarem esse procedimento”, disse a coordenadora do projeto, Ana Maria Nóbrega, professora do curso de Medicina Veterinária da Universidade Federal de Roraima (UFRR).

Segundo ela, com a lei efetivada seria possível fazer o acompanhamento das zoonoses existentes na Capital, além de confirmar o número de animais domésticos existentes, estimados em mais de 150 mil.

Para a presidente da Organização Não Governamental (ONG) Radarr, Palmira Leão de Souza, é necessário que haja mais campanhas pela cidade, pois é durante esses eventos que os proprietários buscam fazer a microchipagem em seus animais, pois acabam conhecendo como funciona o projeto. “Infelizmente, faltam parceiros e voluntários para isso”, frisou. Atualmente dez pessoas se revezam nas ações da ONG.

O projeto funciona da seguinte maneira: os interessados devem procurar primeiramente a Radarr, na Rua Antônio Augusto Martins, nº 63, bairro São Francisco, zona Norte, onde é realizado um cadastro inicial e o pagamento do boleto. Após isso, a pessoa deve levar seu animal de estimação, juntamente com o comprovante de pagamento, até o Centro de Zoonoses, no bairro Centenário, na zona Oeste, onde um veterinário realiza a implantação do chip.

Após colocar o chip, as informações vão para uma base de dados do Sistema de Identificação de Animais de Estimação e Cavalos da América Latina (SIRAA) e, além das informações do proprietário, é possível fazer um acompanhamento de vacinas e, consequentemente, do controle das doenças que podem afetar a população.

A intenção é destinar o valor arrecadado na compra de novos kits e, com isso, deixar a ação contínua. “A gente precisa avançar na implantação dos microchips para conseguir fazer um número maior de compra e procedimentos”, explicou Ana Maria Nóbrega. (P.A)

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