ELETROBRAS
Projeto que permite privatização vai para o Senado
Por Folha Web
Em 12/07/2018 às 01:10
Para o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Urbanitários de Roraima (STIU-RR), Gissélio Cunha, a venda da empresa representaria demissão em massa dos funcionários e aumento no preço da energia cobrada no Estado (Foto: Nilzete Franco)

Nesta semana, a Câmara dos Deputados concluiu a aprovação do Projeto de Lei nº 10.332/18 que determina a venda de seis distribuidoras de energia das regiões Norte e Nordeste do país que são controladas pela Eletrobras. Desde que foi colocado em votação, lideranças sindicais procuraram meios para tentar barrar a privatização, deflagrando paralisação nos serviços e também no envio de sindicalistas para conversar com deputados e buscar apoio político.

Desde o ano passado o Governo Federal tem procurado realizar o leilão das empresas de energia por garantir que as estatais estariam com dívidas exorbitantes e que, após a tomada pela iniciativa privada, haveria melhoria na prestação de serviços e no atendimento ao público.

As distribuidoras são de Roraima, Amazonas, Rondônia, Acre, Alagoas e Piauí que serão ofertadas com o valor de R$ 50 mil após a Eletrobras assumir as dívidas das seis empresas. Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Urbanitários de Roraima (STIU-RR), Gissélio Cunha, a venda da empresa representaria uma demissão em massa dos funcionários e aumento no preço da energia cobrada no Estado.

De acordo com o presidente do STIU, as tentativas de inviabilizar a votação do projeto, agora no Senado, é continuar indo até Brasília buscar fortalecer o apoio político para que a votação não ocorra, pelo menos até as eleições em outubro.

“Vamos esperar para ver se o novo Governo desiste da ideia de vender a Eletrobras. O leilão está marcado para o dia 26 de julho. Se esse Projeto de Lei não for aprovado, provavelmente vai dar um leilão deserto. Se for aprovado antes, que é o que eles querem, vai se tornar atrativo o leilão. Vão ser mais de mil funcionários que serão demitidos com a privatização da Eletrobras”, afirmou.

Dentre os funcionários da Eletrobras, estão também os servidores da Companhia Energética de Roraima (CERR) que foram cedidos para a empresa após a perda da concessão de energia em 2016, o que caracteriza mais de 110 empregados nessa situação.

“A situação da Eletrobras e da CERR é complicada e dinâmica, um dia é uma coisa, no outro pode mudar. Estamos mandando toda semana alguém para Brasília para ver essa situação, estamos gastando uma fortuna em passagem. Agora ficamos sabendo que já querem colocar em votação no Senado para ser aprovado antes do recesso. Vamos ficar acompanhando a situação para ver o que acontece”, completou Gissélio.

O presidente da Eletrobras Distribuição Roraima, Anselmo Brasil, afirmou que em relação à privatização, não tem muito embasamento para falar, pois está sendo apenas prestador de serviço da empresa. Em relação como ficaria a distribuição da energia de Roraima caso aconteça a privatização, o presidente informou que foi feito um documento para uma empresa de pesquisa e posteriormente entregue para o Ministério de Minas e Energia repassando todas as questões e problemáticas que envolvem a questão energética no estado.

“Esse assunto é tratado com o BNDES [Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social] e o Ministério de Minas e Energia, que são os proprietários da empresa. Nós precisamos avançar independente do processo de privatização. Para mim, a privatização é uma coisa e o nosso trabalho é outro, nós não paramos por conta disso. A questão da privatização vai acontecer independente da ligação ou não com o Linhão de Tucuruí”, completou Anselmo. (A.P.L)

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