ESQUIZOFRENIA
Psiquiatra explica a doença que provoca delírios e alucinações
No Brasil estima-se que há cerca de 1,6 milhão de esquizofrênicos; a cada ano cerca de 50.000 pessoas manifestam a doença pela primeira vez
Por Raisa Carvalho
Em 11/09/2017 às 00:06
A esquizofrenia é uma doença mental crônica que se manifesta na adolescência ou início da idade adulta. (Fotos Divulgação)

Ouvir vozes, paranoia, ver algo que ninguém mais vê, crenças extremistas mal fundamentadas, descuido com si mesmo, hostilidade, fala incompreensível e mudança na personalidade são alguns dos possíveis sintomas de esquizofrenia.

A esquizofrenia é uma doença mental crônica que se manifesta na adolescência ou início da idade adulta. Sua frequência na população em geral é da ordem de 1%, havendo cerca de 40 casos novos para cada 100.000 habitantes por ano.

No Brasil estima-se que há cerca de 1,6 milhão de esquizofrênicos; a cada ano cerca de 50.000 pessoas manifestam a doença pela primeira vez. Ela atinge em igual proporção homens e mulheres, em geral inicia-se mais cedo no homem, por volta dos 20-25 anos de idade, e na mulher, por volta dos 25-30 anos.

“Provavelmente a esquizofrenia é tão antiga quanto a humanidade, desde sempre houve casos de psicose relatados em escritos antigos. O delírio se caracteriza por uma visão distorcida da realidade. O mais comum, na esquizofrenia, é o delírio persecutório quando o indivíduo acredita que está sendo perseguido e observado por pessoas que tramam alguma coisa contra ele”, explica o psiquiatra Alberto Iglesias.

Já, as alucinações caracterizam-se por uma percepção que ocorre independentemente de um estímulo externo. Por exemplo: o doente escuta vozes, em geral, as vozes dos perseguidores, que dão ordens e comentam o que ele faz. “São vozes imperativas que podem levá-lo ao suicídio, mandando que pule de um prédio ou de uma ponte”, completa o médico.

Delírio e alucinações são sintomas produtivos que respondem mais rapidamente ao tratamento. No outro extremo, estão os sintomas negativos da doença, mais resistentes ao tratamento, e que se caracterizam por diminuição dos impulsos e da vontade e por achatamento afetivo. Há a perda da capacidade de entrar em ressonância com o ambiente, de sentir alegria ou tristeza condizente com a situação externa.

“Uma das características do delírio, aliás, a que o diferencia do erro, é que não se consegue removê-lo com contra-argumentação lógica. A convicção é absoluta e tentar dissuadi-lo, é inútil. Ouvir – “Imagine, você não está sendo perseguido. Você está imaginando coisas” -, basta para acreditar que está diante de mais um de seus perseguidores, de alguém que faz parte do complô armado para destruí-lo”, conta o médico.

Delírio e alucinação são os sintomas que chamam mais a atenção. Já os sintomas negativos ocorrem mais no íntimo das pessoas e causam menos impacto nos outros. “É o caso do indivíduo que, certo dia, não vai trabalhar, não avisa ninguém e passa o dia todo deitado. A família percebe o olhar distante, como se estivesse em outro mundo. Ele não se importa com o que acontece ao redor, não cuida da higiene pessoal nem se alimenta direito. Geralmente, esses sintomas marcam o começo da doença, que é marcada por tensão e ansiedade muito grande. A pessoa sente que algo está acontecendo, mas não sabe dizer o que é”, explica o psiquiatra.

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