SAÚDE PÚBLICA
Servidores reclamam de sobrecarga por falta de enfermeiros no Hospital Geral
Conforme denúncia, sem profissionais para atender nos blocos e no Grande Trauma, técnicos de enfermagem sofrem com a sobrecarga de trabalho
Por Luan Guilherme Correia
Em 07/03/2017 às 02:44
Presidente do Conselho Regional de Enfermagem, Josias Ribeiro: “Cobramos do governo a contratação de novos profissionais” (Foto: Antônio Carlos)

Profissionais da Enfermagem do Hospital Geral de Roraima (HGR) denunciaram a sobrecarga de trabalho em alguns setores da unidade. É o caso dos blocos A, B, C e Grande Trauma. Eles relataram que isso acontece devido à falta de profissionais, como enfermeiros e técnicos de enfermagem.

Segundo um denunciante, que é técnico em enfermagem, a escassez de profissionais no Bloco B é tão grande que eles chegam a ficar com 15 pacientes para realizar cuidados em um plantão de 12 horas. “Isto é muito cansativo e não dá para realizar todos os cuidados como deveria ser, pois alguns procedimentos não são feitos e quem perde com a falta de profissionais são os pacientes”, disse.

Conforme ele, a situação vem ocorrendo desde junho de 2016. “A unidade está sem enfermeiros e ficam apenas os técnicos, mas não temos como trabalhar assim. Existe equipe que não tem enfermeiro e não conseguimos trabalhar com a alta demanda. Os leitos não têm lençóis, não tem como fazer a limpeza e falta pessoal suficiente para fazer os procedimentos”, afirmou.

A situação mais crítica, conforme a denúncia, está no Bloco C, que abriga o setor de psiquiatria. “Ali tem equipe que há três meses é composta apenas por dois técnicos em enfermagem. Não tem enfermeiro e, segundo a lei do exercício profissional de enfermagem, o técnico em enfermagem só pode desenvolver suas atividades com a supervisão do enfermeiro, mas isto não está acontecendo no HGR”, relatou.

CONSELHO – A situação sobre o déficit de profissionais de enfermagem no HGR e em outras unidades de saúde da Capital chegou ao conhecimento do Conselho Regional de Enfermagem em Roraima (Coren-RR). “Nós temos trabalhado com a fiscalização nas unidades e tentado disciplinar o exercício da enfermagem passando pela questão do dimensionamento”, disse o presidente da entidade, Josias Ribeiro.

Segundo ele, uma resolução do Conselho Federal de Enfermagem prevê o correto dimensionamento dos enfermeiros nos hospitais. “Isso tem que ser feito conforme os níveis de média assistência, baixo nível ou de ação intensiva. No bloco A do HGR temos 59 leitos e, se fizermos análise rápida, precisaria ter no mínimo três enfermeiros, além de 10 técnicos”, explicou.

O presidente informou que foi feita a abertura de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) para cobrar a contratação de novos profissionais. “Encaminhamos um relatório ao gestor da unidade e a Secretaria de Saúde sobre essa ausência de profissionais de nível médio e superior”, frisou.

Conforme Ribeiro, o problema poderia ser resolvido com a contratação de enfermeiros que passaram no último concurso, em 2013. “Temos um concurso vigente do cadastro de reserva que está vencendo agora este ano. Poderia ser resolvido esse déficit com o chamamento desses profissionais. O que se pode fazer agora é comunicar ao Ministério Público de Roraima e entrar com ação civil pública contra o Estado”, declarou.

Sesau afirma que chamará novos profissionais para suprir carência

A Secretaria Estadual de Saúde (Sesau) esclareceu, por meio de nota, que tem ciência do quadro atual de profissionais no setor e que vem trabalhando para suprir as demandas, começando pelas mais urgentes. “Mesmo em um momento de crise e de contenção de despesas, o Governo do Estado tem feito todo o empenho possível para promover um reforço nas equipes assistenciais. Prova disso é que nos últimos dois anos foram nomeados mais de 700 novos servidores para a Saúde, sendo boa parte da área de enfermagem”, afirmou.

Atualmente, a equipe de enfermagem do Hospital Geral de Roraima Rubens de Souza Bento é composta por 861 profissionais. Embora a unidade tenha uma demanda crescente de atendimentos e internações, em função do crescimento da população e atendimento de pacientes estrangeiros, a direção da unidade monta uma escala de trabalho compatível com a realidade local para atender à demanda. “Quando um profissional falta ao plantão, a unidade chama outro profissional que possa cobrir a ausência de seu colega, mediante pagamento de hora extra”, frisou.

Conforme o órgão, com a iminente inauguração do Hospital das Clínicas, no bairro Pintolândia, na zona Oeste, prevista para julho deste ano, espera que seja desafogada a quantidade de atendimentos na unidade, que atualmente concentra os casos mais graves vindos de todo o Estado e países vizinhos.

Em relação ao concurso público para a área, válido inicialmente até 2015, o certame foi prorrogado para até agosto de 2017. “Por lei, o Estado não tem mais obrigação de realizar novas convocações, considerando que todos os classificados dentro do quadro de vagas já foram convocados, mas ciente da necessidade existente e pelo compromisso com os candidatos classificados para a lista de espera, novas contratações devem ser feitas neste ano, com base em um levantamento das principais necessidades das unidades de saúde do Estado”, frisou. (L.G.C)

Sesau afirma ter conhecimento do problema no HGR e que tem trabalhado para suprir as demandas
Foto: Wenderson de Jesus
MARCIO MARCELO MUNIZ disse: Em 07/03/2017 às 16:27:50

"Rum.. Tiram os médicos e enfermeiros de seus postos para serem diretores, secretários etc..Médico e enfermeiro é pra esta atendendo. deixe a administração para os administradores e contadores, por isso falta profissionais. "

gabi disse: Em 07/03/2017 às 08:34:03

"ISSO MESMO ! HÁ UM DÉFICIT GRANDE NÃO SÓ NA ÁREA DE ENFERMAGEM COMO NO TODO. OS AUXILIARES DE SERVIÇOS DE SAÚDE PRECISAM TAMBÉM SER CONVOCADOS POIS NÓS NÃO SOMOS MENOS IMPORTANTES QUE OUTRAS CATEGORIAS. QUEREMOS EXERCER NOSSO TRABALHO PARA CONTRIBUIR COM A SAÚDE."