INTERNADA NO HGR
Sesau descarta meningite epidêmica
Possivelmente, a paciente contraiu a doença a partir de uma infecção no ouvido; a possibilidade de transmissão, dessa forma, da meningite é muito menor, mas caso ainda é grave
Por Paola Carvalho
Em 13/07/2018 às 02:04
Em entrevista coletiva, o médico infectologista Mauro Asato afirmou que tudo indica que a paciente venezuelana tenha a meningite bacteriana pneumocócica (Foto: Nilzete Franco)

A possibilidade de meningite bacteriana do tipo meningocócica epidêmica foi descartada pela Secretaria Estadual de Saúde (Sesau) em entrevista coletiva realizada ontem, 12, na sala de Conexão Médica do Hospital Geral de Roraima (HGR). A probabilidade é que a paciente venezuelana tenha contraído a meningite bacteriana do tipo pneumocócica.

Na ocasião, o médico infectologista Mauro Asato relatou que a paciente, de 32 anos, chegou à unidade no dia 7 de julho por volta das 23h, vinda do km 88, após pedir auxílio no hospital de Santa Elena, na Venezuela, e de lá ser encaminhada ao HGR. A venezuelana apresentava febre, dor de cabeça e um quadro de confusão mental. 

“Ela tinha um histórico de um quadro como se fosse gripal e estava tomando medicamento. Dois dias antes foi introduzido o antibiótico pelo fato de uma infecção de ouvido. Como ela não melhorou, ela ficou internada no grande trauma. De lá para cá foram feitos alguns exames e detectada a meningite bacteriana”, explicou Asato.

Por conta da determinação da meningite bacteriana, houve a preocupação de que poderia ser a meningite meningocócica, que é a forma mais grave da doença e de mais fácil transmissão, com grande impacto na saúde pública. Porém, a possibilidade foi descartada. “Nesse caso foi uma infecção que aconteceu com ela mesma, uma infecção de ouvido que acabou penetrando no sistema nervoso central, causando essa meningite bacteriana”, completou o infectologista.

Para determinar que não se tratava da meningite epidêmica, o médico explicou que foi colhido o exame de líquor, popularmente conhecido como o líquido da espinha, um fluido corporal transparente e incolor produzido pelo cérebro. “Foi colhido o líquor e deu um aspecto que a gente chama de purulento com aumento de células, detectando essa meningite bacteriana. O agente etiológico está colhido nas culturas, mas de qualquer maneira, pelo histórico e pelo fato clínico, leva muito mais a crer que seja a meningite pneumocócica”, ressaltou.

Ainda assim, a Sesau alerta que a doença é grave, que a paciente está internada respirando por ajuda de aparelhos e ainda corre risco de morte. “Temos que esperar pelo menos cinco dias para esperar como ela vai reagir. Pode ser que ela saia sem consequências graves ou sequelada. Não tem mais necessidade de manter isolamento, não tem mais risco alto de transmissão”, garantiu.

Mauro Asato ressaltou ainda que, não foi detectado nenhum outro tipo de meningite bacteriana no HGR. “Vira e mexe existem casos de meningite, mas não desse tipo. Não é uma epidemia”, frisou. “Por enquanto esse caso é um caso isolado. A não ser que daqui pra frente comecem a aparecer mais”, frisou.

RECOMENDAÇÃO – Apesar do baixo índice de transmissão da doença, ao se comparar com a meningite epidêmica, o médico infectologista ressaltou que a população precisa adotar alguns cuidados, principalmente no período do inverno quando é mais fácil de ocorrer a transmissão de doenças pelo ar ou água.

“O período chuvoso é propício para qualquer epidemia. O frio aglomera mais gente, o ar não circula tão bem e as necessidades socioeconômicas prejudicam também. Não só a parte de nutrição, como os acessos de serviço de saúde”, afirmou Asato.

O cuidado deve ser redobrado para quem vive em abrigo ou convive em ambientes populosos, do tipo creche, escolas. A principal recomendação, no entanto, é que quem apresentar os sintomas de dor de cabeça, febre alta, pescoço rígido, vômito e quadro de confusão mental, que procure assistência médica imediata.

DADOS RECENTES - De acordo com o Núcleo de Controle da Coqueluche, Meningite e Difteria da Coordenação Geral de Vigilância em Saúde (CGVS), já foram notificados nove casos suspeitos de meningite em Roraima em 2018. Destes, quatro foram confirmados, incluindo o da paciente venezuelana, quatro foram descartados e um ainda está sob investigação.

Dentre os casos confirmados, um foi numa indígena do Município de Bonfim, que veio a óbito em fevereiro. O segundo caso foi notificado no mês de abril, também de um paciente do Bonfim, e o terceiro caso numa menina de 10 anos, de Boa Vista, no mês de maio. Em relação aos dois últimos casos, os pacientes se recuperaram. 

Com relação aos anos anteriores, em 2017 foram notificados 36 casos suspeitos de meningite. Destes, 23 foram confirmados, dois em venezuelanos. Já em 2016 foram notificados 51 casos suspeitos de meningite. Destes, 14 foram confirmados, sendo três em venezuelanos.

ENTENDA – Na tarde de quarta-feira, 11, a Sesau encaminhou nota à imprensa informando que havia diagnosticado uma paciente venezuelana com meningite bacteriana no Hospital Geral de Roraima. Até então, não se sabia se a mulher havia contraído a forma mais grave da doença, a meningite bacteriana meningocócica. 

A meningite é uma infecção que faz as meninges, membranas que revestem e protegem o cérebro e a medula espinhal, inflamarem e incharem, o que pode danificar nervos e o cérebro. As sequelas podem variar entre perda da audição e visão, problemas com memória, concentração, coordenação motora, equilíbrio, aprendizado e fala, epilepsia, paralisia cerebral e até o óbito. (P.C.)

Castro disse: Em 13/07/2018 às 09:42:06

"Acredite se quiser, na SESAU a verdade é a exportação em massa de doenças vindo da Venezuela e ninguém faz nada, mais vão pagar muito caro logo logo "

Luciana disse: Em 13/07/2018 às 03:31:00

"Desculpe dizer, mas a SESAU não tem moral e nem competência pra descartar nada, não dá conta nem dos casos simples da saúde do estado de Roraima. Com todo respeito ao Dr Mauro."

Fernando disse: Em 12/07/2018 às 17:57:17

"É, edição de sexta feira 13, deve vir coisa boa não!!"