SALÁRIOS ATRASADOS
Trabalhadores de obra ateiam fogo em fachada de prédio em construção
Objetivo era chamar a atenção da empresa responsável pela construção do prédio que abrigará a Rede Cidadania Juventude
Por Folha Web
Em 24/08/2017 às 01:49
Obra, localizada na Rua Topázio, no Jóquei Clube, abrigará a Rede Cidadania Juventude (Foto:Wenderson de Jesus)

Operários da Empresa Pacaraima Ltda, contratada pelo Governo do Estado para construção do prédio que abrigará a Rede Cidadania Juventude, sediada no antigo Clube do Trabalhador, localizado no bairro Jóquei Clube, zona oeste de Boa Vista, atearam fogo em pedaços de madeira da fachada do prédio que está em obras em protesto ao atraso no pagamento dos salários.

A manifestação aconteceu ontem, 23, e policiais militares foram acionados para conter os ânimos dos operários. À Folha, os trabalhadores alegaram que estão há vários meses sem receber a remuneração.

Segundo os trabalhadores da obra, a ideia de atear fogo nas madeiras que isolam a construção foi a única forma de chamar a atenção da empresa responsável pela obra. Os operários afirmaram que tentaram por várias vezes localizar a pessoa que responde pelo pagamento dos salários, mas disseram que o escritório da Pacaraima Ltda, situado na Rua Barão do Rio Branco, no centro de Boa Vista, sempre está fechado.

Um operário, que não quis ser identificado, disse que procurou o escritório por três vezes para falar com o responsável e ter uma satisfação sobre o atraso salarial, mas encontrou as portas fechadas. Revoltados, os trabalhadores decidiram pelo protesto. “Nós acertamos que íamos atear fogo nas madeiras para que alguém se fizesse presente na obra, e falasse algo sobre o atraso do pagamento do nosso dinheiro e assim fizemos”, justificou.

Conforme outro trabalhador, que também pediu para não ter o nome divulgado, o protesto teve o efeito esperado: o proprietário da empresa compareceu ao local e firmou o compromisso de realizar o pagamento na manhã de hoje, 24. “Só com o protesto conseguimos falar com alguém. Trinta minutos depois do protesto, o dono apareceu e falou que vai nós pagar. Ele nos prometeu e, por isso, suspendemos os novos protestos já planejados”, comentou.

OBRAS – A construção de um espaço para atender jovens em situação de vulnerabilidade foi iniciada na gestão de Anchieta Júnior, ainda com o nome de Viva Juventude. A obra ficou parada por quase três anos. No final do ano passado, a obra de construção do rebatizado Rede Cidadania Juventude foi anunciada e a expectativa era que fosse concluída no primeiro semestre de 2017, o que não ocorreu.

A obra, localizada na Rua Topázio, no bairro Jóquei Clube, recebeu recursos de cerca de R$ 6 milhões e já contava com alguns setores concluídos, como a quadra esportiva e piscina. No entanto, de acordo com os moradores da região, a obra abandonada causou transtornos à população.

GOVERNO - Em nota, a  Secretaria do Trabalho e Bem-Estar Social (Setrabes) esclareceu que não tem responsabilidade sobre pagamentos de empresas privadas e que os pagamentos realizados à referida empresa, responsável pela execução da obra, estão dentro dos prazos legais estipulados em contrato. “Desta forma, a Secretaria Estadual de Infraestrutura já notificou a empresa”, informou.

EMPRESA – O proprietário da empresa Paracaima Construção Ltda, Pedro Pinto, que é responsável pela obra de reforma e ampliação do prédio que vai abrigar o Programa Rede Cidadania Juventude, do Governo, procurou a reportagem da Folha para esclarecer o motivo do atraso no pagamento dos servidores terceirizados.
Segundo ele, o não pagamento dos salários que é realizado de forma quinzenal ocorreu por conta de um atraso de dois meses no repasse feito pela Secretaria Estadual de Infraestrutura (Seinf). “Atrasaram e consegui manter o pagamento em dia com verba própria até este mês, mas depois não tive como segurar”, disse.
Conforme o empresário, o contrato entre a Paracaima e o Governo do Estado gira em torno de R$ 2 milhões. “Parte desse dinheiro já foi repassado para a empresa e com isso quitamos os vencimentos dos trabalhadores, que também recebem cesta básica e café da manhã”, garantiu. (E.S)

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