Por Opinião
Em 09/04/2020

Uma pausa para viver

Carlos Arruza*

 
Alguma coisa nos move. Para muitos é Deus. Para outros, a sorte, o dinheiro, o desafio entre tantos outros motivos para acordar e começar a se mexer. Ao procurar o melhor nome para isso que nos move na crise atual da pandemia do coronavírus, prefiro chamar essa coisa de natureza.
Somos corpos desejantes em conflito com nossas identidades construídas e naturalizadas. O que isso quer dizer? A todo o momento, podemos entrar em colapso no encontro dos nossos desejos mais autênticos, e na maioria das vezes, desconhecidos, com aquilo que desejamos conscientemente, o desejo da nossa identidade construída.
É nessa hora quando se revela o caos. Quando nos falta o chão. Quando os questionamentos mais terríveis surgem e sem qualquer resposta que possa de fato aliviar nossa angústia. Algumas ferramentas importantes entram então em cena: religião, política, família, entre outras que fazem parte das nossas conexões frequentes e que ganham força na tentativa da manutenção dessa identidade. Mas até que isso possa ocorrer surgem os chamados sintomas: angústia, ansiedade, medo e delírios, estes que podem ser de caráter depressivo como uma fantasia negativa ou mesmo na ideia da invencibilidade, assumindo o papel do super-homem, quando nada irá nos vencer.
A nossa diferença como corpos desejantes versus identidade para a natureza como um todo é que na natureza não encontramos construções. A natureza fala sempre no lugar de corpo desejante e não negocia seus direitos. Na nossa pretensão de alcançarmos um ideal individual ou coletivo, travamos uma batalha insana para a manutenção daquilo que acreditamos ser o melhor, na maioria das vezes contrariando aos desejos da natureza.
Não cabem aqui julgamentos. Apenas um convite para olharmos o processo individual ante a crise pela qual passamos e, quem sabe, localizarmos um território mais seguro. Quando começamos a experimentar o olhar de quem localiza sua própria estrutura como identidade construída, entendemos também a necessidade da desconstrução não como fim, mas como um processo que sempre vivemos sem nos dar conta. Entendermos a importância de estarmos inevitavelmente ansiosos e seus consequentes benefícios é diferente de não admitirmos estar mal e querermos nos livrar da ansiedade, e, com isso, transformarmos ansiedade em potência e não mais num agente para confundir o processo natural dessa máquina desejante, a nossa própria natureza.

Mas o momento é de urgência. O que devemos fazer então para não enlouquecer?
Não se passa por uma desconstrução pessoal sem sentir os abalos da estrutura. É hora então de identificar os sintomas e decidir se eles serão seus aliados ou não. Ser cuidadoso está intrinsicamente associado ao medo. Por isso, medo pode ser potência se usado conscientemente. Precisar sair de casa para algumas tarefas indispensáveis é uma realidade. Um pouco de ousadia, que pode esbarrar no delírio do super-homem, se faz necessário.
Mas quanto ao isolamento? Como lidar com essa situação que para muitos já está impraticável?
Não é uma resposta simples. Enfatizar a construção de identidade e de máquina desejante torna-se indispensável. Esse momento pode ser encarado como um castigo ou uma oportunidade, assim como os sintomas advindos dele. Querer se livrar dele é diminuir potência. É preciso considerar uma lei básica da natureza: ela é auto reguladora. O que quer dizer que não existe nada que seja natural sem ser a favor da vida como um todo. Se você ainda está vivo é porque faz parte desse mesmo corpo. E como parte, você precisa entender o movimento proposto pela natureza e agir a seu favor, muitas vezes contrariando seu desejo consciente, o de não ficar isolado.
A natureza sempre está com as cartas na mão e nos convida a jogar um jogo em que todos podem sair ganhando. Observamos as regras do jogo, desconstruamos nossos antigos hábitos para experimentarmos novas estratégias. Esse é o convite. Esse é o nosso poder ainda ativo. Não está na hora de pensarmos no que virá depois. Agora é tempo de querer jogar, viver esse processo da forma mais leve possível e cada um saberá como fazê-lo. O que poderá acessar. Em que condições e de quais ferramentas poderá se servir. E aí pode estar o pulo do gato: pararmos para identificar o que exatamente possuímos e o quanto tudo isso ainda nos serve.


*Psicólogo (Carlos Arruza é registrado no Conselho Regional de Psicologia do Rio de Janeiro (CRP 05/33478) com o nome de Carlos Francisco Pinto Silva)


REFLEXÕES EM TEMPOS DE ISOLAMENTO 

Vivemos tempos conturbados, os mares não se acalmam, o medo e a desinformação encontram terreno fértil. Nosso maior problema não é a pandemia provocada pela propagação do coronavírus, essa apenas serviu para expor ou deixar mais evidente nossos reais problemas. Não consegui escolher um único tema para a crônica de hoje, minha cabeça está fervilhando de informação e dúvidas, por isso vou fazer diferente. Vou escolher alguns assuntos e vou abordá-los sem nenhum compromisso com a conclusão. Portanto, os deixarei em aberto, na esperança que você reflita e tire suas próprias conclusões.

A CRUZ DE BOLSONARO X A ESPADA DA OPOSIÇÃO
Votei em Bolsonaro e ainda não me arrependi. Mas, não posso me tornar o alienado que tanto critiquei entre os esquerdopatas que são incapazes de aceitar que seguem um líder ladrão e corrupto. Por isso, não perco meu tempo discutindo com quem fez de suas convicções políticas um dogma. Percebo que, nesse momento de pandemia, Bolsonaro tem se mostrado perdido, deixando transparecer o completo desalinho de pensamento com alguns de seus ministros. Suas manifestações mais atrapalham que ajudam e ele perde uma ótima oportunidade de mostrar-se líder de um governo coeso. Mas isso não autoriza que a esquerda e seus lacaios, se transvistam em pele de cordeiro para fazer o que mais sabem, mentir, criar caos e tramar para que tudo dê errado e assim, tirar proveito para seu projeto de poder. Se Bolsonaro só pensa na reeleição, a esquerda oposicionista também. Lula, Ciro, Rodrigo Maia, Alcolumbre e mais uma renca de políticos mal intencionados, partiram para o vale-tudo e, para colocarem as mão nas chaves dos cofres públicos, se juntaram aos veículos de comunicação, que também perderam a mamata dos vultosos repasses de dinheiro público, para desestabilizar o país e tentar derrubar o governo democraticamente eleito e que, até agora, não roubou como fizeram os velhacos de antes. Um exemplo explicativo é a programação da Rede Globo, 24 horas divulgando notícias negativas e alarmistas ao mesmo tempo que rasga elogios à atuação de governadores oposicionistas. Em meio a essa rede de intrigas, a mudança de comportamento indica que Bolsonaro acusou o golpe e deverá reagir.     
CORONA EM RORAIMA E O SUMIÇO DOS GRÃOS  
Enquanto o corona começa a fazer vítimas em Roraima, a prioridade do governador é repassar mais de 5 (cinco) milhões de reais para a construção da nova sede do Ministério Público, quando deveria era investir na saúde, reformando unidades de saúde ou fornecendo EPI’s aos profissionais da linha de frente. Denarium, montou um circo e anunciou um plano econômico para enfrentar a crise. Muita mídia, muita enganação e pouca ação. Cadê o Renda Cidadã? Até agora não tem sequer cadastrados as poucas famílias que serão beneficiadas. Se antes o “Crédito do Povo” atendia cerca de 35 mil famílias carentes, o programa de Denarium, se um dia for colocado em prática, só atenderá 3 mil famílias. Na cabeça dele, o número de famílias carentes deve ter diminuído. Também o que esperar de um governador que não tem competência nem de proteger o agronegócio, onde mantém influencia e interesses pessoais. Um exemplo é o sumiço de mais de 200 mil sacas de grãos (soja, sorgo, milho...) que estavam guardados nos silos da Cooperativa Grão Norte. O prejuízo é maior entre os pequenos produtores que não terão como honrar seus compromissos, diferente dos grandes.  
PREFEITA E VEREADORES DE BOA VISTA TRAMAM NO ISOLAMENTO
Enquanto o povo tenta se proteger da contaminação, ficando em casa, a prefeita Tereza Surita, com o apoio dos caros e pouco produtivos vereadores de Boa Vista, trama contra os servidores públicos municipais. Sem nenhum pudor, ela enviou a Câmara Municipal projeto alterando a Lei Orgânica e retirando vários diretos dos servidores, reduzindo salários e pensões e aumentando a contribuição previdenciária. O pacote de maldades, atinge até os profissionais que estão nas ruas trabalhando para proteger a população, e sem equipamentos de proteção. Diante da reação dos servidores, a prefeita recuou e retirou o projeto, o que não apaga a má intenção. Também, já vazou a informação de que a prefeita e seus vereadores tramam a doação de uma área institucional no Paraviana para um grupo de magistrados (voltaremos a esse tema). Estamos em isolamento, porém, de olho e acompanhando de perto.

Luis Cláudio de Jesus Silva, professor universitário, Doutor em Administração. www.professorluisclaudio.com.br

Mente clara em corpo são

Afonso Rodrigues de Oliveira

“As palestras de autoajuda pouco ajudam quando as pessoas não compreendem o funcionamento da mente.” (Augusto Cury)

Lamentavelmente, as pessoas ainda confundem autoajuda com filosofia de botequim. A dificuldade do ser humano está em entender a simplicidade do saber. Pouco entendemos a grandeza do ensinamento no desenvolvimento da mente. Ainda somos mais inclinados a acreditar na fantasia, confundindo simplicidade com fantasia. É muito difícil fazer as pessoas entenderem a importância do relacionamento humano. Vem daí um problema pouco admitido no desenvolvimento profissional. Fica difícil para dedéu, fazer as pessoas entenderem as mensagens em uma palestra realmente dentro das Relações Humanas. 
Já falei disso pra você, aqui nesse papo. Da dificuldade que tivemos em introduzir na indústria paulista, o treinamento nas Relações Humanas do Trabalho e na Família. Foi uma tarefa árdua, e que até hoje continua difícil. O vendaval nas informações atuais confunde as mentes menos desenvolvidas. Não é à toa que a nossa educação está no fundo do poço. E sem ela não há desenvolvimento. E reestruturá-la não é tarefa fácil. Nenhum governo é, nem será capaz de resolver o problema da noite para o dia. O importante é que cada um de nós, cidadãos, faça sua parte para podermos avançar na caminhada para o desenvolvimento.
A ameaça de desemprego no Brasil é apenas parte da ameaça mundial. Então vamos sair de detrás da porta e procurar a saída racional e eficiente para resolvermos o problema. E o problema não é novo. Ele vem de décadas, como consequência do desenvolvimento tecnológico. Está na hora de as empresas abrirem os olhos e verem o problema como ele realmente é. As Relações Humanas não estão somente no atendimento satisfatório ao cliente no ato da venda. Elas vão muito além. Mas, o problema não está apenas nas empresas, mas em todos os ambientes onde os seres humanos atuam. 
Mesmo parecendo repetição enjoativa, é sempre bom citarmos palavras dos que estiveram ou estão, preocupados com o entrave no desenvolvimento humano. E a educação é, e sempre foi, o maior problema para o desenvolvimento. Então vamos fazer nosso dever de casa, educando nossos filhos e netos para o mundo que eles irão viver, como herança dos seus pais a vós. E não conseguiremos avanço enquanto não considerarmos a importância das Relações Humanas. E é muito importante que levemos em consideração a simplicidade no relacionamento humano. 
Os erros elementares a que ainda assistimos em todas as atividades sejam públicas ou particulares, amedrontam os que visualizam e entendem o problema. Pense nisso.

afonso_rr@hotmail.com
99121-1460

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