Por Opinião
Em 19/10/2019

Tá todo mundo louco. Oba!
Rodrigo Alves de Carvalho*

Como sou um cara solidário e caridoso resolvi fazer uma visita à casa de repouso pra quem tem parafusos soltos, mais conhecido como hospício. Chegando lá, me deparei com um sujeito que jurava ser Thomas Edison. Resolvi conversar.

- E aí amigo. Quais são as novas?
- Acabei de inventar a lâmpada.
- Mas a lâmpada já foi inventada.
- Isso mesmo. Eu inventei.
- Mas olha a lâmpada lá no teto.
- A minha lâmpada é diferente... ela brilha no escuro! Ela brilha!
E saiu correndo gritando.
Mais à frente um senhor estava abaixado segurando uma vara de pescar imaginária pescando em um rio imaginário. Cumprimentei-o.
- Bom dia.
- Quieto! Vai espantar os peixes.
- E o que você está pescando?
- Um orangotango! Um orangotango dos grandes!

E começou a fisgar um orangotango imaginário. Puxava a vara imaginária, descarregava linha e gritava para trazer o samburá.

Mais à frente um sujeitinho de estatura bem baixa, devia ter um metro e meio de altura, andava devagar colocando um passo na frente do outro. Fiquei curioso.
- O que você está fazendo andando desse jeito?
- Tenho que tomar cuidado para não pisar nas pessoas.
- Que pessoas? O máximo que tem aí são formigas.
- Parecem formigas, mas são pessoas. Sou tão grande que tenho medo de pisar nelas.
Dei dois passos para sair de perto do homenzinho que achava ser gigante e ele berrou.
- Cuidado! Você vai amassar as pessoas!
Saí dali correndo e me dirigi ao portão da frente daquela instituição. Fiquei analisando por algum tempo sobre a mente humana e suas insanidades. Estava parado no portão quando um enfermeiro se aproximou e perguntou:
- O que você está fazendo aí parado?
- Estou esperando o disco voador. Vou embora para minha casa em Marte.
Com toda serenidade ele me conduz de volta ao hospício.
- Você não tomou seu remédio hoje, não foi? Vamos voltar para o quarto. Você precisa descansar.
 
*Nascido em Jacutinga (MG). Jornalista, escritor e poeta, possui diversos prêmios literários em vários estados e participação em importantes coletâneas de poesia, contos e crônicas. Em 2018 lançou seu primeiro livro individual intitulado "Contos Colhidos" pela editora Clube de Autores.


Candidaturas independentes já

Partidos são vitais dentro da democracia, mas atuam sem transparência hoje. Legendas precisam se reinventar

Roberto Livianu*

Partidos políticos foram concebidos para cumprir papel nobre e fundamental dentro da sociedade moderna. Servem como instrumento institucional concreto para a conquista do poder político.

Eu os defendo como instituições vitais dentro de um sistema republicano e democrático. Mas não da forma como agem hoje, na prática, no Brasil. Sem transparência, sem preocupação com integridade, sem compromisso social, sem democracia, sem lealdade.

Ao longo do tempo, desbotaram-se, desconectaram-se do povo e assumiram curva de acentuada degradação. E hoje, infelizmente, nada mais são que agrupamentos de pessoas que constroem estratégias para a conquista de fatias gordas de poder e dos fundos eleitoral e partidário como fim em si mesmo, sem a necessidade de quaisquer orientações ideológicas.

Deixaram de ser celeiros de grandes líderes, os quais, muitas vezes, até deixam de se lançar na política pelo temor de serem engolidos por lodaçais de práticas desonrosas e desonestas. Ou até muitas vezes praticam perseguição contra parlamentares "desobedientes".

As recentes desavenças entre o partido do presidente da república e o próprio reacendem discussões sobre os partidos políticos no Brasil. E por defender o modelo da democracia pelos partidos, penso que eles precisam se reinventar, resgatar sua credibilidade e ligação com os filiados, além da interlocução com a sociedade civil.

Para isto, precisamos de uma reforma político-partidária, de programas de integridade obrigatórios para os partidos, de accountability, compliance, de transparência e democracia intrapartidária, pois partidos não podem mais ter donos.

Precisam os partidos se nutrir da saudável alternância no poder, do melhor desinfetante já inventado – a luz solar, saindo das sombras opacas inaceitáveis do obscurantismo, prestando contas padronizadas de forma clara e rápida, explicitando critérios de destinação de verbas do fundo eleitoral, fomentando, de verdade, as candidaturas de mulheres, que ocupam espaço reduzido na cena do poder.

Os partidos precisam adquirir consciência e humildade que lhes mostre que devem se submeter ao império da lei como todos e todas, sendo inadmissível que articulem a aprovação de leis para anistiar multas por eles devidas por violações à própria lei.

É inaceitável que se autorize por lei, que acaba de ser aprovada, a utilização de recursos do fundo partidário para aquisição de helicópteros, carrões de luxo ou até iates ou mesmo o pagamento ilimitado de advogados e contadores. Isto abre brechas para o crime de caixa dois eleitoral, além de agredir o senso comum e a essência democrática de exercício do poder em nome do povo, pelo povo e para o povo. Indagariam ao povo que representam se está de acordo?
Precisamos tornar realidade as candidaturas independentes, direito universal consagrado no Pacto de San José, subscrito pelo Brasil, para que galguemos um degrau civilizatório importante e para retirar os partidos da zona de conforto respaldada pelo monopólio de concessão de legendas.

Hoje, apenas cerca de 20 países (incluído o Brasil) vedam estas espécies de candidaturas, impedindo-se a saudável e legítima competição entre legendados de partidos e independentes.

Há um processo iniciado por Rodrigo Mezzomo no Rio, em 2016, que hoje se encontra no STF sob relatoria do Ministro Barroso, que designou audiência pública sobre o tema para o próximo dia 9 de dezembro – dia internacional de combate à corrupção.

É tempo de evoluirmos impelidos pelos bons ventos da democracia e da livre e limpa competição pelo voto, permitindo já para 2020 candidaturas independentes aos cargos de Prefeito e Vereador. Tomara sejam tais ferramentas úteis para o reposicionamento profundo dos partidos. Ganham os partidos, ganha a sociedade, ganha a democracia.

*Promotor de Justiça São Paulo, doutor em direito pela USP, presidente do Instituto Não Aceito Corrupção (INAC) e diretor do Ministério Público Democrático (MPD).


Controle as emoções

Afonso Rodrigues de Oliveira*

“Não viva emoções mornas ou vazias. Cultive seu interior, extraia o máximo de pequenas coisas. Seja transparente e deixe que as pessoas saibam que você as estima e precisa delas. Repense seus valores e dê a si mesmo a chance de crescer e ser mais feliz.” (Aristóteles Onassis)

Acordei, hoje, meio borocochô. Irritado comigo mesmo, e sem saber por quê. Até que cometi o erro de dar uma resposta simples, mas meio grosseira, para a dona Salete. Sem olhar pra mim, ela falou tranquila: “Não se envolva com os problemas.” Parei, pensei e não entendi que problemas estavam me aborrecendo. Sorri, sacudi a cabeça pra lá e pra cá, e me lembrei do Onassis. Por que ficar se aborrecendo com coisas vazias? Quando você se aborrece é porque não está à altura do valor que tem. E por que ficar perdendo seus valores para adversários inferiores a você? Te manca, cara!

Estamos terminando mais uma semana. E o que devemos levar dela na nossa lembrança? Depende de sua escolha. Então seja superior para escolher o superior. Procure sempre o melhor dentro de você. A fala tranquila da dona Salete mudou totalmente o meu comportamento para comigo mesmo, naquele momento. E daquele momento vou transferindo para momentos futuros. Faça isso todos os dias da sua vida. Viva um dia melhor, amanhã, deixando de lado os maus pensamentos e acontecimentos que possam ter azucrinado você, ontem. O que passou é passado. E o passado só deve ser lembrado quando valer a pena. E só valerá a pena quando tiver feito você se sentir feliz.

Procure viver seu fim de semana como ele deve ser vivido. O divertimento vai depender do seu grau de evolução racional. Quando somos felizes sabemos viver a felicidade na caminhada do bem. É nos momentos de transtornos em que a felicidade parece estar querendo fugir, que devemos nos analisar e ver o que está acontecendo conosco mesmo. Quando as coisas não estiverem agradando, talvez você esteja seguindo o pensamento de quem diz que “A felicidade está onde a pomos. E nunca a pomos onde estamos.” Eu penso pelo lado oposto. Ela, a felicidade está sempre onde estamos, já que ela está dentro de nós mesmos. O problema é que nem sempre estamos preparados para vê-la onde ela está. 

Todos os seus sentimentos estão nos seus pensamentos. Quando sabemos dominar nossos pensamentos não os levamos para o abismo do negativo. Tudo que acontece na vida faz parte da vida. E quando sabemos viver a vida como ela deve ser vivida, não há por que sofrer. Controle sempre seus pensamentos nas veredas da felicidade. Só vivemos o que pensamos como chance para o que realmente somos. Pense nisso.

*Articulista
afonso_rr@hotmail.com
99121-1460  

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