Por Parabólica
Em 19/12/2018

Bom dia,

A semana que se prenunciava menos tensa com o anúncio da chegada dos R$ 225 milhões destinados ao pagamento dos salários atrasados dos servidores estaduais mudou o cenário totalmente depois que o interventor na Secretaria Estadual da Fazenda, general Eduardo Pazuello, decidiu mandar fazer um levantamento em cada secretaria estadual, exigindo que cada servidor fizesse “prova de vida”, e trabalhando. Essas secretarias amanheceram com a presença de, pelo menos dois militares fardados, que exigiam de cada servidor a apresentação da carteira de identidade. A cada apresentação o nome era checado numa relação, e ato contínuo a informação era repassada, provavelmente, para a Secretaria da Fazenda.

Embora, por princípio, quase todos concordem com necessidade na busca pela moralidade, era visível o constrangimento dos bons e sérios servidores com a presença daqueles militares exigindo a identificação deles, já magoados pelo atraso de seus salários. De fato, é muito mais razoável que se pague os salários de todos e depois seja exigida a devolução, caso seja detectada alguma irregularidade e recebimento indevido.

TIME

Com o anúncio dos últimos nomes para compor o primeiro escalão do governo estadual e a nomeação de quase todos eles, o governador Antonio Denarium (PSL) praticamente está com a equipe completa para começar a tomar e implementar as primeiras medidas de seu governo. São 26 as secretarias, um pouco menos que no governo anterior e na composição fica muito claro que ele procurou atender as principais forças políticas que ajudaram na sua eleição, desde espectro empresarial que deu sustentação a sua candidatura, quanto às forças políticas que a impulsionaram.

ANTECIPOU

A nomeação do agrônomo Renato Primo para a Secretaria de Agricultura e Abastecimento, que já foi candidato a deputado estadual – ele é filho do empresário José Lopes Primo, um dos mais influentes empresários, tanto do comércio quando da produção rural do estado –, foi antecipada faz mais de um mês aqui pela Parabólica. Ele terá a missão de manter o ritmo de crescimento da área plantada com grãos em Roraima, que nos últimos três anos cresceu a uma taxa de 20% de média anual.

ARAUTO

E não é que o ainda notório senador Romero Jucá (MDB), cercado de processos em que é acusado de envolvimento com a roubalheira de dinheiro público instalada nos governos do PT e MDB, virou arauto da moralidade? Por uma conta nas redes sociais, ele anunciou que o governo federal, de seu velho e inseparável parceiro Michel Temer, realizará uma auditoria fiscal em Roraima. É crível? Parte das lideranças mais expressivas do MDB anda irritada com a manobra que foi feita para prolongar por mais alguns meses sua permanência na presidência do partido.

CAÓTICAS

Jucá disse que a auditoria está prevista na Medida Provisória, que autoriza a transferência dos R$ 225 milhões para o governo estadual, por conta da intervenção federal que afastou a governadora Suely Campos (PP). A auditoria será feita pelo Ministério da Transparência e pela Controladoria-Geral da União. Segundo Jucá – acredite se quiser –, o objetivo será “de apurar as contas caóticas que Roraima apresenta frutos da profundidade dos desvios e da grande corrupção da governadora afastada Suely Campos”.

MAROTA

Aliás, esta história de auditoria fiscal nas contas do governo de Roraima tem todo um jeitão de coisa marota deste governo moribundo que não se farta de proporcionar fatos grotescos que passam longe de uma conduta republicana que se espera de um presidente. Ora, descontados os pontos facultativos, os sábados e os domingos; esta intervenção federal termina daqui a sete dias úteis. Que tipo de auditoria é possível fazer num período tão curto? Tudo leva a crer que esta é mais uma patuscada para municiar seus aliados em Roraima contra os adversários.

PRORROGAÇÃO

Os arautos dessa notícia de auditoria fiscal nas contas do governo estadual falam que ela pode ser prorrogada por mais 60 dias. Ora, de um lado é uma hipótese pouco provável: primeiro porque paralisaria as possibilidades de alterações constitucionais do Congresso Nacional pelo mesmo prazo; e depois é uma decisão que só poderia ser tomada pelo próximo presidente Jair Bolsonaro (PSL). E além do mais, uma prorrogação da intervenção já incidiria contra o mandato de Antonio Denarium que assume na tarde do dia 1º de janeiro de 2019. É tudo muito maroto. 

INCONFORMADO

E enquanto quase todos os políticos eleitos prometem apoiar o novo governo – ou pelo menos dar a tradicional trégua de seis meses –, o notório Romero Jucá ainda inconformado com a derrota nas urnas teima em agredir seus adversários naquela eleição. Primeiro, ele partiu para cima do senador eleito Mecias de Jesus (PRB), que o mandou “para o final da fila”. Esta semana foi a vez do também senador eleito Chico Rodrigues (Democratas), que em visita à Folha, e em entrevista à Rádio Folha FM 100.3, o classificou, entre outras coisas, como traidor de compromissos políticos. E citou uma série de exemplos para sustentar essa acusação.

COLETIVA

Antônio Leocádio Vasconcelos, um servidor público que já ocupou diversas funções em Roraima, em governos diferentes, resolveu quebrar o silêncio. Condenado em primeira instância da Justiça Federal local, a mais de cinco anos de prisão, por conta daquele caso da Cardan, que até 2009 era uma das principais fornecedoras da Secretaria Estadual de Saúde, Leocádio vai falar hoje, desde a sua residência no Caçari, sobre sua condenação. Entre outras coisas, ele vai dizer que assumiu aquela secretaria em 2010, antes, portanto, dos fatos objetos da apuração que fundamentou sua condenação.

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