Por Parabólica
Em 16/11/2018

Bom dia,

A quem servem os feriadões em Roraima? Seguramente eles não servem para os que trabalham e dependem do mercado para sobreviver, sejam empresários ou empregados que tenham parte de seus rendimentos dependente das comissões de venda. Pedimos para um repórter da Folha, dar uma volta por Boa Vista com a atenção voltada aos movimentos das ruas e nos estabelecimentos comerciais e de serviços, inclusive nos hotéis boa-vistenses.

Deu para notar muitos estabelecimentos comerciais abertos, especialmente na parte da manhã, esperando a chegada dos poucos clientes que ainda permaneciam na cidade. São proprietários esperançosos de conseguir pelo menos parte do faturamento necessário à cobertura dos compromissos mensais, que são os mesmos quer os governos (federal, estadual e municipais) trabalhem apenas 17 dias, dos 30 do mês de novembro. São igualmente, centenas – talvez milhares –, de empregados vendedores que precisam vender para ganhar comissões, essenciais para complementar o orçamento mensal, que neste mês vem sobrecarregado pelo aumento cavalar da conta de energia elétrica.

Nosso repórter foi também fazer uma pesquisa sobre o movimento da rede hoteleira local, afinal em muitas capitais brasileiras – Salvador (BA), por exemplo, está com 90% da capacidade hoteleira esgotada –, para sondar se o feriadão melhorou o afluxo de turistas de outros estados, ou mesmo de outros municípios roraimenses para a capital boa-vistense. Triste foi a constatação de que não houve qualquer aumento significativo na procura por hospedagem nesse feriadão absurdo de seis dias consecutivos. Quase ninguém encontra motivo para vir a Boa Vista, apesar da propaganda municipal, dizê-la ser uma das melhores do país.

ESVAZIAMENTO

Este esvaziamento econômico da capital roraimense em períodos de feriadões pode encontrar parte explicação numa das características mais perversas de nossa realidade: a imensa e vergonhosa concentração de renda em Roraima. Temos um dos maiores coeficientes de Gini – este coeficiente mede a concentração de renda de uma região, que pode ser um país, um estado ou uma cidade –, e reduz o tamanho do mercado. No caso concreto, os que têm dinheiro aproveitam a folga para gastá-lo noutros mercados, alguns em seus estados de origem. Roraima para essa gente é um grande acampamento onde ganham dinheiro. E só isso.

POBRES

Foram vários os candidatos nas últimas eleições que contaram a mesma história: o percentual de pobres entre a população de Roraima é enorme e assustador. São milhares de pessoas, especialmente idosas e crianças, que não conseguem fazer as três refeições aqui em Boa Vista. Nalgumas cidades do interior a realidade é ainda mais perversa, levando à migração de famílias inteiras para a capital roraimense. Dados oficiais indicam que até 30% da população roraimense vive abaixo da linha de pobreza. Esses são os que permanecem, até por falta de opção, em Boa Vista. E eles não têm dinheiro para encher os balcões das lojas.

COMANDO

A 1ª Brigada de Infantaria de Selva, a principal unidade militar de Roraima, vai mudar de comando. O novo comandante será o General de Brigada, Márcio BESSA Campos, que substituirá o atual comandante, General de Brigada Gustavo Henrique DUTRA de Menezes. A passagem de comando ocorrerá no próximo dia 1º de dezembro, e será presidida pelo Comandante Militar da Amazônia, o General de Exército César Augusto NARDI de Souza.

CAÇA

Esta é de âmbito nacional, mas vale a pena ser tratada aqui na Parabólica. Alguns sites de notícias dizem que a equipe de transição do novo presidente Jair Bolsonaro (PSL) que fazer uma “limpa” de petistas que hoje ocupam cargos importantes no Ministério das Relações Exteriores. Fontes da Parabólica, bem situadas junto a amigos do novo presidente, dizem que esta disposição se estende até ao Palácio do Planalto. Uma longa lista já circula em mãos de figuras que serão importantes no novo governo.

REPOSIÇÃO FLORESTAL

O deputado estadual Brito Bezerra (Progressistas), líder do governo na Assembleia Legislativa de Roraima (ALE-RR), anda incomodado com a falta de apreciação do Substitutivo do Projeto de Lei (PL) nº 017/2018, que trata da Reposição Florestal no Estado de Roraima, de sua autoria e do deputado Jânio Xingu (PSB). O projeto deve destravar o setor madeireiro que vem sofrendo redução na produção e na geração de empregos, devido à rigidez da legislação, mas forças ocultas impedem que ele possa ser sancionado ainda pela atual governadora Suely Campos (Progressistas).

POLO

Em Roraima, o principal polo do setor madeireiro fica no sul do Estado. Brito reforçou a necessidade da aprovação do PL devido o setor madeireiro ser responsável por gerar mais de 16 mil empregos diretos e estar com a produção paralisada, devido à falta de reposição florestal. “Queremos que a Assembleia delibere com esse PL que já está pronto, para que possamos aprová-lo, e a governadora Suely Campos sancione a lei, presenteando essas famílias”, disse Brito ao comentar que a nova legislação levará ao aquecimento da economia com o aumento na arrecadação por meio do ICMS (Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços).

Parabólica
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