Por Parabólica
Em 21/09/2018

Bom dia,

Em 2015, os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) num desses surtos de produzir legislação, como tem acontecido nos últimos anos, decidiram vetar o financiamento de empresas a candidatos e partidos nas eleições. Muita gente chiou por conta da decisão, afinal, quem deve produzir leis é o poder legislativo, mas os políticos não lograram modificar a decisão da Suprema Corte pelo fato de que ele veio para eliminar o abuso de poder econômico, principalmente, o Caixa 2, no processo eleitoral.

As eleições municipais de 2016 vieram comprovar que o dinheiro clandestino (Caixa 2) continua a irrigar os cofres de campanha dos candidatos endinheirados, ou com algum acesso a cofres públicos. Por isso, como político brasileiro, em sua grande maioria, se elege comprando votos, os parlamentares federais (deputados e senadores) decidiram criar um tal de fundo eleitoral, uma tungagem que só este ano eleitoral de 2018 tirou da saúde e da educação nada menos que R$ 1,7 bilhões. Essa grana foi somada ao Fundo Partidário, algo em torno de R$ 800 milhões, o que eleva para R$ 2,5 bilhões o dinheiro do contribuinte desviado para os políticos utilizarem em suas eleições.

Para evitar que os dirigentes partidários gastassem consigo mesmo muita grana, que evidentemente tornaria desigual a competição eleitoral, a Justiça fixou limites máximos de gastos com a campanha de acordo com o cargo em disputa, levando-se em conta também o número de eleitores de cada estado. Em Roraima, por exemplo, o limite de gastos com a campanha ao Senado Federal não chega a R$ 3 milhões, somadas as transferências partidárias, as contribuições de pessoas físicas e o autofinanciamento do candidato.

Basta observar o volume de campanha de alguns candidatos, que pode ser medida pelo pagamento de carros adesivados, distribuição às escâncaras de combustíveis, pagamento de cabos eleitorais, marqueteiros, e um batalhão de internautas que passam o tempo todo em redes sociais fazendo propaganda de seus financiadores, para perceber que alguns candidatos estão gastando muito acima dos limites legais. E tudo isso, é olhado com cinismo por quem teria obrigação de fiscalizar e punir esses políticos criminosos.

DE NOVO
E como confiam que podem fazer qualquer coisa sem serem incomodados pela Justiça, dirigentes do setor elétrico federal estiveram reunidos ontem na representação da Eletrobras em Boa Vista para confirmar que agora, depois das cobranças do notório senador Romero Jucá (MDB), eles estão empenhados em resolver a questão dos inúmeros cortes, sem aviso prévio, de energia no estado. Inclusive, anunciaram que desde o último domingo não estão mais recebendo energia da Venezuela, toda ela está sendo gerada pelas termoelétricas já instaladas por aqui.

INSUFICIENTE
Faz algum tempo, os dirigentes da Eletrobras/Eletronorte de Roraima anunciaram publicamente que a capacidade instalada, somadas todas as termoelétricas, não seria suficiente para abastecer todo o estado. Será que a proximidade do pleito, e a vontade de ajudar um determinado candidato foi suficiente para tornar essa capacidade, agora, suficiente? Faz muito tempo, que esse setor elétrico federal brasileiro é cheio de mistério. Inclusive com o pagamento de propinas para notórios políticos em obras de construção de hidroelétricas. E ninguém faz nada.

CUSTO
Afinal, quanto vai custar ao consumidor brasileiro esse corte da energia vinda da Venezuela, agora suprida pelas termoelétricas, que antes eram dadas com capacidade de geração insuficiente para atender a demanda local? Quem estará sendo beneficiado com esta medida? Alguém acredita que Nicolás Maduro está preocupado com a eleição para o Senado Federal em Roraima, a ponto de montar um complô internacional? Tenha paciência, o povo pode não ser aquele que sonhamos, mas não chega a ser tão idiota.

VALE TUDO 1
Domingo (16.09) quando foi entrevistada no programa Agenda da Semana, da Rádio Folha, a governadora Suely Campos (Progressistas) disse que estava aguardando a confirmação de um pedido de audiência com o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, para tratar da questão dos migrantes venezuelanos para Roraima. Esse anúncio, como se vê, foi feito antes daquela patuscada feita na sede da Eletrobras-Roraima. De fato, ontem, a governadora de Roraima esteve falando com o presidente venezuelano, e de anunciar o conteúdo de sua conversa com aquele mandatário quando de seu retorno ao estado.

VALE TUDO 2
A ida da governadora à Venezuela serviu de combustível para a utilização de redes sociais, com operadores pagos, ligando essa visita à questão energética de Roraima. Entre as versões, nesse vale tudo de desespero, foi dito que a senadora Ângela Portela (PDT) teria acompanhado a governadora até Caracas, para dar credibilidade à absurda afirmação de que Nicolás Maduro urde um complô para desgastar a imagem de um candidato a senador. Por conta disso, a assessoria da senadora Ângela Portela ligou para a Parabólica dizendo que ela passou o dia ontem, em caminhada num centro comercial do bairro Pintolândia e visitas a empresas na Capital.

POR QUÊ?
Esse Ibope parece mesmo não ter jeito. Em sua última pesquisa, o instituto praticamente indicou que o segundo turno da eleição presidencial seria disputado entre Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT). Menos de 24 horas depois, o Datafolha publicou uma pesquisa que dá empate técnico entre Haddad e Ciro Gomes (PDT), o que mostra uma possibilidade ainda possível de um confronto entre Bolsonaro e o candidato pedetista. Ciro continua batendo todos os candidatos, caso avance para o segundo turno das eleições.

Parabólica
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