Por Parabólica
Em 20/09/2018

Bom dia,

Parece não ter jeito. Os brasileiros e as brasileiras radicalizaram e vão escolher entre uma opção que pode levar o Brasil a se transformar numa Venezuela gigantesca – afinal não resta dúvida que um novo governo petista vai estar fortemente aliançado com os movimentos sociais de extrema esquerda –, pois foram esses movimentos que mantiveram Lula vivo politicamente, depois da prisão.

A outra alternativa é a opção pela eleição de Bolsonaro, que fará com certeza um governo de extrema direita. Se não o fizer, levará ao desencanto um grande movimento de natureza popular que o está levando ao segundo turno, mesmo ele acamado num leito hospitalar.

Onde vai dar tudo isso? Ninguém sabe, mas os brasileiros e as brasileiras, assim querem!               

AUSENTE
Dentro de menos de 20 dias, os brasileiros e as brasileiras vão escolher 27 governadores (26 estaduais e o do Distrito Federal). Uma discussão – a questão da saúde pública – parece até agora ausente das campanhas. O que é estranho, por conta do descalabro que esse serviço público se encontra de ponta a ponta do território brasileiro. Ausência dessa discussão é ainda mais incompreensível quando um dos poucos avanços nas últimas décadas na repartição das atribuições da União, estados e municípios foi a criação do Sistema Único de Saúde (SUS).

REPARTIÇÃO 1
Embora os políticos do Brasil resistam a adotar, na sua integralidade, o SUS; muitos pelo potencial de corrupção na compra de remédios, alimentação e manutenção; outros por uma questão de espaço no exercício do poder; de fato o Sistema Único de Saúde é uma boa sacada, até por criar um fundo único, e definido para financiar esse setor estratégico. De forma geral, a repartição das atribuições entre as três esferas de governo, atribui aos municípios a saúde básica (postos médicos, unidades de pronto atendimento, atendimento de emergência e campanhas preventivas de saúde).

REPARTIÇÃO 2
Aos estados federados cabe realizar as ações de média complexidade (cirurgias gerais, internação hospitalar, clínicas especializadas). À União cabe a prestação do serviço médico de alta complexidade e cirurgias em centros especializados (ortopedia complexa, neurológicas, câncer e outras). Como se vê, se todos cumprissem adequadamente suas atribuições, por certo os brasileiros e as brasileiras teriam uma saúde pública de primeiro mundo. Sem falar, que embora o governo federal, desde Fernando Henrique Cardoso (PSDB), não está mais obrigado a aplicar o mínimo constitucional; estados (12%) e municípios (15%) têm de aplicar essas parcelas mínimas em saúde pública.

RORAIMA
Acontece que os políticos – presidente, governadores e prefeitos – jogam por água abaixo todo o esforço que uma geração de técnicos fez para criar e tentar implantar o SUS. Em Roraima, por exemplo, o atendimento emergencial é feito pelo Governo do Estado (Pronto Socorro Francisco Elesbão), enquanto a Prefeitura de Boa Vista que deveria prestar esse serviço, cuida de um hospital infantil (Hospital Santo Antônio). A Prefeitura não tem igualmente uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), obrigando ao Governo do Estado a transformar numa espécie de UPA o Ambulatório Cosme e Silva. É uma barafunda que ninguém tem coragem de resolver.

MAL
É voz corrente; entre médicos, técnicos e clientes, a conclusão que algo em torno de 80% dos pacientes que demandam o Hospital Geral de Roraima (HGR) são, na verdade, casos que deveriam ser atendidos nos postos médicos municipais, que sem condições de resolutividade, forçam a população a procurar o HGR, que não é destinado a esse tipo de atendimento. O pior dessa história é que, sobrecarregado, o principal hospital de Roraima fica permanentemente lotado; sem pessoal, camas, leitos e remédio, o que torna impeditivo melhorar o serviço prestado. E assim, como não consegue perceber com clareza de quem é a falha, a população atribui o mau atendimento ao governo estadual.

OUTRA
População em estado de rua sempre foi responsabilidade das prefeituras municipais. Aqui, a Prefeitura de Boa Vista faz de conta que o problema não é com ela, ignorando completamente os milhares de migrantes que se acomodam nas ruas, canteiros centrais e em cruzamento de Boa Vista. Vamos tomar aquele exemplo das famílias que estão acampadas na Avenida das Guianas, em frente à Rodoviária Internacional de Boa Vista. A situação sanitária, sem cuidado e fiscalização, incomoda todos quando têm de ir à Rodoviária ou mesmo frequentar o comércio nas proximidades. Pois bem, muita gente atribui aquela situação ao governo estadual. Não é. Quem tem obrigação de atender ou retirar a população em situação de rua é a Prefeitura Municipal. Em Manaus, não tem população migrante em estado de rua.

COMO ENTENDER?
Helder Barbalho (MDB) foi prefeito de Ananindeua, cidade da área metropolitana de Belém (PA), durante oito anos, com apoio do pai, Jáder Barbalho, cacique do partido, e sempre enrolado com acusações de corrupção. Levantamento publicado ontem, mostra que apenas 2,9% dos prédios e residências de Ananindeua têm rede de esgoto, que é lançado diretamente em valas e igarapés da cidade. E, para piorar, menos de 25% daquela população recebe água potável, que é suprida por poços quase sempre contaminados de fezes humanas e outras sujeiras. Em tempo: Helder Barbalho pode ser eleito governador do Pará no primeiro turno. É mole?

Parabólica
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