Por Fabiano de Cristo
Em 20/08/2019

Editorial

Hoje começamos a abordar o assunto ‘aposentadoria’. A ideia é escrever em duas partes para que os leitores possam acompanhar. No primeiro texto explico o conceito de aposentadoria e como é importante se manter precavido para o futuro. 

Esqueça tudo o que você pensava sobre aposentadoria 

Aposentar-se é algo de que ouvimos falar desde a juventude. Esse conceito traz consigo muitos mitos e bastante ansiedade, mas afinal, como vou conseguir me virar com o escasso dinheiro da aposentadoria concedida pelo governo? Eis a hora de pensar realmente sobre essa aposentadoria e se realmente ela existe ou é apenas um conto de fada. 

Quando pensamos em aposentadoria, logo vem a imagem de velhinhos simpáticos, jogando golfe na Flórida ou em um cruzeiro pelo Caribe (fato), porém não aqui no Brasil, pois logo em seguida, tomamos um banho de realidade: lembramos que, no Brasil, a aposentadoria tem a cara “um pouco” diferente do que vemos nos filmes ou até mesmo na realidade norte americana ou europeia. 

E como você iria sentir se eu dissesse aposentar-se nada tem a ver com “ficar velho”? E ainda: que isso não está nem um pouco relacionado a “ficar parado, sem fazer nada”? Quer algo melhor ainda? Sim, amigo leitores, em sua velhice, você pode ser um daqueles simpáticos senhores de chapéu-panamá branco, vivendo a vida entre tacadas e mojitos sob o sol da Flórida. Bom demais para ser verdade? Mas acredite, é a verdade! 

Como tudo na vida, esses objetivos possíveis, no entanto, podem ficar muito distantes da realidade. Caso você não possua o conhecimento apropriado e acredite que a sua aposentaria está tão garantida assim só contribuindo o mínimo e colhendo os frutos na sua velhice, se não fizer um devido esforço e nem ter disciplina, muita disciplina, com disposição e perseverança, nada é impossível. 

Futuro

Lembra aquela imagem que você projeta de si mesmo, com 80 anos, numa cadeira de balanço, esperando o tempo passar? Esqueça isso! Não houve, em toda a história humana, pelo que sei, um dicionário que colocasse “aposentadoria” como sinônimo de “velhice”. Então, comece esquecendo isso. É claro que, quanto mais tempo você tem, mais os juros compostos vão trabalhar a seu favor. 

Se aposentadoria nada tem a ver com idade avançada, o que ela é, então? Antes disso, pense no motivo pelo qual você trabalha. Pode até dizer que ama seu trabalho, mas, no fim, é para “pagar as contas”, certo? A fim de prover conforto para você e sua família. Trocando em miúdos: você trabalha para seu próprio sustento. 

Como é possível sustentar-se sem trabalhar? É aí que a mágica de uma boa educação financeira – junto com os juros compostos e uma carteira de investimentos bem gerida – dá o ar da graça. O que alguns chamam de “renda passiva” é quando seu dinheiro “trabalha para você”. Isso quer dizer que a renda derivada de seu patrimônio, por meio de juros, dividendos, aluguéis e similares, é capaz de suprir a necessidade financeira de sua família, de forma total ou parcial. 

Claro, isso não acontece do dia para a noite. A não ser que você tenha a sorte de nascer em uma família abastada, construir um patrimônio capaz de derivar esse tipo de renda leva tempo e requer disciplina. 

APOSENTADO, SIM; PARADO, NÃO! 

Gostaria que a partir de agora fixassem em suas mentes o termo “aposentadoria financeira”, justamente para criarmos distância da noção convencional de “não trabalhar e aposentar-se”. Outro nome muito comum, nesse contexto, é “independência financeira”. Essa expressão confunde muita gente, pois é bastante ampla; pode dizer respeito à independência financeira dos pais; dos bancos; de pensão; via doações ou, finalmente, do trabalho – a qual nos interessa no presente momento. 

Conseguir criar um patrimônio grande o suficiente para não depender do trabalho é um privilégio. Isso é fruto de muito esforço e dedicação. Contudo, não há nenhuma regra vinculando sua “aposentadoria financeira” ao abandono de suas atividades. 

Por outro lado, saber-se financeiramente aposentado traz consigo uma redução considerável do estresse causado pela pressão orçamentária da família. Essa tranquilidade proporciona um oceano de opções: desde manter-se na atividade atual, sem mudar nada, diminuir o passo, até fazer algo completamente diferente, que mova a sua paixão. É interessante como grandes negócios florescem quando não há pressão por resultados financeiros imediatos. Já ouviu a expressão “dinheiro chama dinheiro”? Essa é uma de suas versões, na prática. 

Rendimento

Pense em separar 10% de todo o seu rendimento, desde a sua primeira remuneração, e siga isso durante sua vida, como uma religião. Ou, para ficar mais fácil, faça o raciocínio reverso e considere que seu rendimento efetivo é a diferença entre o que entrou e a parcela para sua aposentadoria. Supondo que ganhe R$ 1000,00, líquido, você irá separar R$ 100,00 para sua reserva. Deste modo, passe a considerar como salário R$ 900,00, para evitar cair em tentação. Use e abuse das transferências automáticas programadas, para o dia de seu recebimento. Assim, o dinheiro já irá para o destino esperado. 

Fabiano de Cristo
jornalista@teste.com.br
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