Por Marcelo Tito
Em 11/12/2019

Por que é tão difícil dizer não

É bem provável que você conheça alguém que vive atolado em contas que não fez, pelo simples fato de ter sido fiador de alguém que costumeiramente não paga suas dívidas.

Ou talvez você conheça alguém que passe boa parte do seu dia atarefada
com atividades que não lhe dão prazer ou que não são suas, para facilitar a vida de alguém que está “de boas”, sem a menor preocupação.

Ou ainda pior, que permanece em relacionamentos com pessoas difíceis.

Por que é tão difícil dizer não (Imagem: Divulgação)

Se formos olhar pela perspectiva racional e prática, nesses e em muitos
outros exemplos, a questão poderia ter sido resolvida com um sonoro “não”.

“Não, não serei seu fiador, se você sujou seu nome por não pagar suas dívidas, não irá sujar o meu”.

“Não, eu não vou fazer, a obrigação é sua, organize-se melhor! ”.

“Não, não farei isso, pois me sinto prejudicado”.

É bem possível que nesse momento, você esteja pensando:

 “nossa, que palavras duras! ”, ou: “uma pessoa que fala um ‘não’ desses é uma pessoa ruim! ”.

E é aí que mora o “X” da questão.

Ruim para quem?

Ser bom é dizer sempre “sim”? Ainda que isso prejudique sua vida?

Ser bom é fazer tudo para os outros, sem olhar as consequências que
isso trará para o outro e principalmente para você?

Quando dizemos sim a uma criança, somos recompensados com sorrisos, com abraços, com beijinhos no rosto e outros gestos de alegria e gratidão que são recebidos por nosso organismo como algo positivo, reforçando de forma consciente e inconsciente nossa atitude.

Agora, quando somos obrigados por alguma circunstância a dizer um “não”, somos bombardeados por gritos, choro, palavras negativas, desprezo e muitas coisas negativas, tornando aquela experiência muitas vezes péssima, com a consequência de nos fazer sentir mal durante o resto do dia, como uma forma de punição para nós.

Assim, evitamos essa palavra a qualquer custo.

Ninguém quer ser visto pelas pessoas que ama como alguém ruim. Todos querem sentir o prazer de estar ajudando ou fazendo aquilo que foi pedido.

Contudo, quando uma criança pede para pular do décimo andar, pois
acredita que poderá voar e lidar com a situação de forma segura e tranquila, ou
quer usar a caneta em seu olho para pintar de outra cor que considera mais bonita, ela recebe um sonoro “NÃO, NÃO PODE”. E mesmo que ela receba o “não” com choro e gritos, o “não” é mantido e uma explicação é realizada.

O que gera aprendizagem.

E fazemos isso com certa tranquilidade, pois é o certo a ser feito, afinal, se trata de uma criança.

Mas quando se trata de um adulto, muitas vezes nos questionamos se o
errado não somos nós, se não é o outro que está certo. Se deveríamos dizer “sim”, mesmo querendo dizer “não”. Muitas vezes esse “sim” ocorre para evitar discussões intermináveis ou para nos sentirmos melhores naquele momento.

Mas sabemos que em breve alguém vai pagar a conta.

Você percebe que muitas vezes colocamos a racionalidade de lado e damos as rédeas às emoções, ao desejo de ser amado e aceito?

Contudo, quando isso ocorre, não permitimos ao outro uma

oportunidade de aprendizagem bem maior do que a criança teve.

Vamos continuar dizendo “sim”, quando queremos dizer “não”, e isso faz parte de nós. Contudo acredito que devemos buscar ser cada vez mais assertivos e, principalmente, aprendermos com cada experiência.

Um grande abraço e até a próxima.

Marcelo Tito
marcelotitopsi@gmail.com
Psicólogo, especialista em Dor CRP-20 / 9545
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