Por Francisco Cândido
Em 17/04/2019

RUA VITORINO PINTO 
Bairro 31 de Março 
Tabelião do primeiro Cartório de Boa Vista


Francisco Cândido  “ Resgatando a memória para registrar a História ”


A Rua Vitorino Pinto, no Bairro 31 de Março, se situa entre as Avenidas Santos Dumont e Brigadeiro Eduardo Gomes. Ela nasce na Avenida Santos Dumont e, transversalmente, finda na Rua Mestre Diogo (próxima ao restaurante do  Dedinho).

Manoel Vitorino Pereira Pinto, foi por muitos anos Tabelião do primeiro Cartório em Boa Vista. Era filho do português Manoel Pereira Pinto, o Coronel Pinto, que chegou com a família ao Brasil no início do Século 19, e se estabeleceu no Pará. Na capital, Belém, ingressou na Guarda Nacional, do Imperador D. Pedro I.  Ao deixar a vida militar, Manoel Pinto foi residir na Ilha de Marajó, onde conheceu e casou-se com a senhora Maria Diniz de Lima -  irmã do rico fazendeiro Sebastião Diniz. Veio para o vale do rio Branco no início de 1900, e se instalou na região da Serra da Lua, onde construiu sua fazenda.. Ao vir para a capital Boa Vista, foi contratado pela Prefeitura para exercer a função de Guarda-livros – como era chamado o Técnico em Contabilidade. Seu escritório/residência, se situava na Avenida Getúlio Vargas, em frente ao hoje Supermercado “DB”. Em sua homenagem, a antiga Rua da Imprensa, onde estão situadas a Secretaria Municipal de Finanças e a SEPLAN, denomina-se Rua Coronel Pinto. Em Boa Vista, o coronel Pinto foi um dos fundadores da Loja Maçônica Liberdade e Progresso (09/09/1940). O casal Manoel Pereira Pinto e Maria Diniz de Lima teve vários filhos: Ernesto, Ernestina, Aurélio, Aurelina, Joaquim, Branca Sofia, Regina, Manoel Parimé; e Vitorino Pinto.

Vitorino Pinto (Manoel Vitorino Pereira Pinto), nasceu em Belém/PA, em 02/11/1898. Passou a infância naquela cidade e, depois resolveu vir ao encontro do pai, o coronel Pinto. Chegou em Boa Vista na década de 20 e foi para o interior cuidar das fazendas da família. Depois retornou para a capital, onde conheceu e casou-se (12/09/1925) com a senhora Blandina Castelo Branco Pereira Pinto – conhecida como “TIA NAZINHA” – uma das primeiras parteiras de Boa Vista. O casal teve os filhos: Deodato, Júlio Vital Pinto, Manoel Parimé (mais conhecido como Castelo); e as filhas: Maria Ínes, Maria da Glória e Maria Íris - ex-dona do Status Lanches, na Avenida Jaime Brasil. Naquele local atualmente funciona a Loja Ponto “I ”.

Muito criativo, Vitorino Pinto, fabricava gelo, pintava letras nas lojas, fabricava e vendia cigarro de palha, feito com fumo de rolo cortado e enrolado em palha de milho. Depois conseguiu um emprego no primeiro Cartório de Boa Vista na Avenida Floriano Peixoto – esquina com a Avenida Jaime Brasil. O Tabelião era o senhor Oscar. Este, gostou tanto do trabalho de Vitorino Pinto que lhe passou o Cartório. Assim, Vitorino se tornou o Tabelião Oficial da Comarca de Boa Vista. Depois o Cartório foi transferido (1951) para um prédio na Avenida Floriano Peixoto (atualmente naquele espaço funciona a Comissão da Pastoral da Terra – CPT), entre a Escola São José e a Casa Esquina do Rio (antiga Loja Bandeirantes). Posteriormente o Cartório foi transferido (1957) para o terreno onde hoje está o Tribunal de Justiça (ao lado da Assembléia Legislativa) e, por fim, o Cartório foi transferido (1962) para uma sala do Fórum Sobral Pinto. Mas, resulta que, no dia 04 de janeiro de 1957, chegava a Boa Vista o presidente da República Juscelino Kubistchek, para inaugurar a Rádio Roraima e a Usina de Luz (CER). E, o juiz à época, o Dr. Maximiliano Trindade, ´´surgeriu`` que o Cartório fosse desmembrado em dois, ficando com Vitorino Pinto apenas o Cartório de Registro de Imóveis, o Criminal e o Eleitoral; enquanto o da Vara de Família e de Registros de nascimentos e de empresas, ficou com o novo Tabelião Deusdeth Coelho. Sentindo-se prejudicado, Vitorino Pinto fez em 1960, uma permuta com o seu genro, o senhor Waldomiro Ferreira de Melo (Didi), casado com sua filha Maria Íris, e que era Tabelião da Comarca de Caracaraí. Nessa troca, o Vitorino Pinto se transferiu para o tabelionato de Caracaraí, enquanto o Waldomiro assumiu como Tabelião do Cartório em Boa Vista. Foi a maneira que o Vitorino achou para se aposentar com algum direito trabalhista. Em Cararacaraí ele sofreu um problema cardíaco e viajou no dia 22/02/1961 para tratamento de saúde na cidade de Paraíba do Sul, no Rio de Janeiro. Depois foi para Brasília para se submeter a novo tratamento médico, mas sofreu um novo infarto. E, no dia  08/06/1969, faleceu Manoel Vitorino Pereira Pinto. 

Obs: As terras onde hoje estão os Bairros Caranã, União, Cauamé e Aeroporto, pertenciam ao Vitorino Pinto. Essas terras foram vendidas para o senhor Jael Barradas. 

Francisco Cândido
franciscocandido992@gmail.com
Silvana Santos disse: Em 17/04/2019 às 16:58:48

"Moro em Manaus e sou neta de Vitorino Pinto. Parabenizo o jornal pela reportagem. Através dela soube de fatos até então desconhecidos. Fiquei comovida e grata pela homenagem à minha família, tal qual meu pai, Manoel Parimé, o Castelo. Obrigada."

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