Por Francisco Cândido
Em 14/11/2018

BOA VISTA NO COMEÇO DA REPÚBLICA –  O passado e o presente, governantes e governados

A História registra que no dia 15 de Novembro de 1889 foi Proclamada a República, pelo Marechal Deodoro da Fonseca. Antes o sistema político do Brasil era a Monarquia, tendo como Imperador D. Pedro II, e a filha a Princesa Isabel casada com o francês Conde D'Eu.

Veremos nesta reportagem, qual foi o impacto social e político para Boa Vista com a Proclamação da República. O que mudou? Primeiro, vamos ver como era Boa Vista.

Em 1830, após deixar o comando do Forte São Joaquim, o capitão cearense, casado com a senhora Liberata Batista Mardel de Magalhães (filha do ex-comandante o major Carlos Batista Mardel e da índia Geminiana Cândida) instalou à margem direita do rio Branco a sua própria fazenda, e a esta deu o nome de: “Fazenda Boa Vista”.

A Lei nº 092, de 09 de novembro de 1858, assinada pelo presidente da Província do Amazonas, Francisco José Furtado, estabeleceu que no local da fazenda Boa Vista, fosse elevado à condição de Freguesia  “de Nossa Senhora do Carmo da Boa Vista do Rio Branco”. E, em 1887, a Freguesia foi elevada à condição de “Vila de Boa Vista do Rio Branco”.

Em 1877, houve uma grande seca no Nordeste brasileiro, o que motivou a vinda dos primeiros nordestinos para Boa Vista. Mas, como não havia emprego e nem atividade de construção civil, a maioria foi para o interior trabalhar na lavoura e na criação de gado, tornando-se os primeiros fazendeiros da região.

Com a Proclamação da República (15/11/1889), formou-se em Manaus uma Junta Provisória, com o objetivo de fazer a transição do poder da Monarquia para a nova República, e foi substituído o então governador do Amazonas, Manuel Francisco Machado, o barão de Solimões. No dia 04/01/1890, a junta militar provisória deu posse ao primeiro Presidente da Província, o coronel Augusto Ximenes de Villeroy, tendo como vice-governador o senhor Guilherme José Moreira – Barão do Juruá. Ao ser nomeado para governar o Amazonas, pelo o Presidente da República, o Marechal Deodoro da Fonseca, o coronel Villeroy foi promovido ao posto de General, no dia 04/01/1890. E, em julho daquele ano, tomou ciência do comércio entre a Vila de Boa Vista do rio Branco com a cidade de Manaus, no Amazonas.

Villerroy, então publicou o Decreto nº 049, de 9 de Julho de 1890, criando o Município de Boa Vista do Rio Branco, com terras desmembradas da Vila de Moura, próxima do rio Negro. A instalação oficial do Município ocorreu no dia 25 de julho, pelo emissário do Governador Villerroy, o capitão Fábio Barreto Leite. Este, ao desembarcar em Boa Vista, reuniu o povo e nomeou o primeiro Superintendente (Prefeito) João Capistrano da Silva Mota (o “Coronel Mota”), e, para auxiliá-lo, dois Intendentes (vereadores), os senhores José Francisco Coelho e Joaquim Gonzaga de Souza Junior.

O Governador Villeroy permaneceu no poder até o dia 02/11/1890, quando foi substituído pelo engenheiro militar Eduardo Ribeiro, que governou até o dia 05/05/1891.

Quando o município de Boa Vista foi criado, o governo do Estado do Amazonas não tinha recursos financeiros para desenvolver o vale do rio Branco como desejava. Nem o gado que crescia e se desenvolvia nos lavrados de Roraima e que servia, inclusive, para o abastecimento de Manaus, conseguia estimular os governantes amazonenses a investir em Boa Vista ou no interior da região. Resultado: a economia girava apenas com as atividades agropastoril e alguma produção de ouro que vinha da região do Tepequém. O problema maior era a carência de gêneros alimentícios e de outros produtos na cidade. Passou-se então a se depender quase exclusivamente do que traziam os Barcos vindos de Manaus, e que retornavam com a produção de fumo, ouro, couro de boi e gado.

O explorador americano Alexandre Hamilton Rice, quando esteve em Boa Vista em 1924, registrou que: “Boa Vista era o único agrupamento junto ao rio (Branco) que tem a honra de ser chamada de “Vila”. Este aglomerado era composto de 164 casas, que abrigavam uma população de 1.200 almas (pessoas). Alguns destes prédios são de tijolos: a Igreja Matriz, a Intendência (nome da antiga Prefeitura), algumas casas de moradia e o Armazém, também eram feitos de tijolos. Já a maioria das casas era feita de reboco e pau-a-pique”.

A escritora Nenê Macaggi, em seu Livro: “A mulher do Garimpo–Romance do Extremo sertão Norte do Amazonas”, publicado em 1976, escreveu na página nº 110:

“Boa Vista era um Vilarejo até 1926, pequenina e triste (...) muito espalhada, com poucas casas de alvenaria e inúmeras de taipa, cobertas de palhas de buriti ou inajá. Sem árvores, sem praças, e sem flores. Prédios velhos e feios. Quintais abertos e abandonados, sem uma horta ou jardinzinho. Só um bangalô, à distância, embelezando a paisagem. Nenhum grupo escolar, sendo raras as suas escolas regidas por professores primários. Sem Cais, e as margens do rio terríveis para a atracação das embarcações. Ruas  estreitas e barrentas e, no centro da cidade, um coreto coberto de palha. Nenhuma indústria. Comércio regular e população igual à população das cidades interioranas: Curiosa, maledicente, hospitaleira, alegre e amiga de festas e piqueniques”.

A vida em Boa Vista só veio melhorar com a criação do Território Federal do Rio Branco no dia 13/09/1943 (Decreto-Lei nº 5.812), mudado o nome para Território Federal de Roraima em 13/12/1962 (Lei nº 4.182) e, a partir de 1964 com os governadores militares, chegando finalmente a transformação de Território em Estado, no dia 05 de outubro de 1988.

Francisco Cândido
franciscocandido992@gmail.com
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