Por Opinião
Em 27/11/2020

A alfabetização é mais do que aprender a ler e escrever

Kellin Inocêncio* e Gisele Cordeiro** 

A alfabetização há tempos é um dos assuntos mais relevantes no cenário brasileiro. E digo “cenário” pois não abrange tão somente a área educacional, mas também, a social e política de igual modo. Fazendo um exercício de reflexão sobre a temática, voltamos no tempo na época do Brasil Império. Reis e rainhas, povo analfabeto. Caminhando cronologicamente, encontramos uma educação que segrega, ou seja, somente para os “com posses” e mais, do sexo masculino. Algumas longas décadas adiante e encontramos outras formas de governo, cada qual com sua bandeira, mas, todos apresentando algum propósito para a educação e, naturalmente, a alfabetização era incluída nesse movimento. Contudo, até o ano de 2019 essa preocupação – seja ela apenas de cunho político ou não, se apresenta com os mesmos objetivos: diminuir o índice de analfabetos no país.

Apesar de todos os esforços para a melhoria da condição de ser alfabetizado, há uma latente necessidade de avanço. Nesse cenário, precisamos não de um movimento político isolado de alfabetização, afinal, já tivemos tantos – Pnaic, Mais alfabetização, Programa Brasil Alfabetizado etc – mas sim, de um movimento articulador de formação integral dos nossos estudantes. Buscar formar nossas crianças e dar-lhes condições para que não tenham que abandonar a escola e lutar por sua sobrevivência e de sua família, não sem antes decodificar o mundo das letras, de compreender a necessidade e a importância de saber ler, escrever, se posicionar política e socialmente, de ser “gente” perante uma sociedade capitalista.

Em nosso último senso demográfico (2010), percebemos que a maior parte dos analfabetos acima dos 14 anos de idade estão alocados nas áreas periféricas, ou seja, numa condição socioeconômica que demanda políticas públicas, não apenas voltadas para a alfabetização, mas de qualidade de vida, ou seja, saúde, moradia, saneamento básico, de lazer – sim! – educação, formação, trabalho e tantos outros aspectos que englobam o viver com o mínimo de dignidade.

A alfabetização é isso: é vida, é progresso, é social. O país ainda continua – não com reis e rainhas, entretanto, com um grande percentual de cidadãos analfabetos – totais ou funcionais.

*Mestre em educação e professora do Centro Universitário Internacional Uninter.

*Doutora em educação e coordenadora da área de Educação da Escola Superior de Educação do Centro Universitário Internacional Uninter.

A procura

Afonso Rodrigues de Oliveira*

“Um ser humano rico procura ouro na sociedade, um ser humano sábio garimpa ouro no solo do seu ser”.

Você acha mesmo que o mundo, hoje, está mais violento do que no passado? Corta essa. O que acontecia era que naquela época não tínhamos televisão nem jornais. Todos nós conhecemos a história do Tamerlão. O cara foi e é considerado o mais feroz de todos os conquistadores da Mongólia no século XIV, da era cristã. Numa de suas invasões, os habitantes do país invadido reuniram mil crianças e com elas formaram uma parede, na tentativa de intimidar, emocionalmente, o Tamerlão, e ele desistir da invasão. Pura ingenuidade. Sem pestanejar, o cara ordenou à cavalaria que passassem por cima das crianças, esmagando-as todas sob os cascos dos cavalos.

Mas ele não parou por aí. Certa vez ele invadiu Bagdá, ordenou a seu exército que matassem todos os habitantes. E com as cabeças dos mortos ele mandou montar 120 pirâmides espalhadas por toda cidade. A filosofia do cara era: “A terra deve ter um só dono como o céu tem um só Deus”. A fera, se é que é assim que deve ser considerado, morreu em 1403.

Desculpem-me pela grosseria do assunto, mas não podemos, nem devemos ignorar os fatos que a história, hipocritamente camufla. Procure combater a violência dentro de você. Não fique aí procurando pepitas onde não há ouro. Só quando nos conhecermos seremos capazes de nos livrarmos de todo e qualquer tipo de violência. Afinal, somo todos de origem racional. E a maior das violências está, certamente, na banalização e vulgarização da violência midiática. Se você assistir a todos os telejornais, certamente vai acabar ficando doente. Isso não quer dizer que não devamos assistir-lhes. Mas isso requer um aprimoramento que não é fácil. É quando já estamos preparados para sermos nós mesmos em condições culturais, espirituais, emocionais e mentais, para ver e ouvir o fato, sem se impressionar com ele. Quando nos impressionamos com os fatos, estamos vivendo em função deles. Presos a eles e nos esquecendo de nós mesmos. E é aí que a onça bebe água, a porca torce o rabo e a vaca vai pro brejo. E você fica sozinho no cercado. E nem mesmo percebe que está encurralado.

Quando nos deixamos levar pela onda, infalivelmente nos afogamos nela. A morte estúpida de pessoas mortas nas ruas, na batalha doentia na desordem, dá-nos a lição valiosa.  Numa declaração pública de uma mãe de uma vítima de tiros nas ruas, sentimos os horrores em que ainda vivemos. Vamos fazer nossa parte para mudar melhorando o mundo. Para que possamos esquecer um passado que deve ser esquecido, alimentando nossa cultura com a Educação. Pense nisso.

*Articulista

Email: afonso_rr@hotmail.com

95-99121-1460

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