Por Opinião
Em 22/02/2021

ENQUANTO UNS SE CALAM...

Linoberg Almeida*

Não sei se já percebeu, mas o silêncio diz muita coisa. E como não estamos em época de eleição, abre-se uma oportunidade para conversarmos com amigos, vizinhos, sociedade sobre o que queremos da Política. Depender de quem libera mercúrio, vota contra o regime democrático dando guarida a criminoso, ou não é capaz de representar as vontades reais da população é inadmissível.

Para que essa galera pegue seu banquinho e saia de mansinho você precisa estar alerta sempre. Jogar para a plateia sem nos posicionar corretamente na conciliação do desenvolvimento econômico com as questões de equidade social e impactos ambientais é perigoso. Nossos rins, fígados e corações estão na reta e muitos deles e delas parecem nem dar bola. Pensam no bolso e na urna.

Sentimos na pele o atraso que vivemos. E eleitos brincam com nossas histórias, feridas ainda abertas e deixam de lado sua missão de conduzir reformas estruturais que sustentem nossa transformação. Vamos combinar que pra além de ser contra ou a favor, lidar com o fato de que mineração sustentável pode ser uma realidade desde que dentro de preceitos constitucionais, ouvindo as partes interessadas, protegendo e minimizando danos com uso de tecnologia, reduziria o desgaste das cenas dos últimos capítulos. Ainda bem que conseguimos via Supremo Tribunal Federal botar a bola no meio do campo.

Falando em Supremo, queria entender como alguém jura a Constituição prometendo manter, defender e cumprir seu texto, observar leis, promover o bem geral do povo, sustentar a união, a integridade, a independência e se põe conivente com quem ataca o Estado Democrático? O caso do tal Daniel sei lá o que, deputado insignificante ao sistema político, mostra que uma hora a conta chega para quem alimenta e se alimenta de xingamentos, palavrões, falsas verdades. De nervoso no Youtube a mansinho no telão do plenário, seu destino foi o banimento. Que seja cassado. Só espero que defensor eleito que não entendeu os sinais claros da democracia seja também expurgado.

Alô, você! Sabemos que o Brasil nunca teve uma reforma do sistema político, uma reforma além das questões eleitorais. O sistema político está baseado num frágil poder de representação. “Não me representa” é pouco. Sei que muitos sabem o que não querem, e saber o que queremos é o mais complicado. Há de convir que muitas vezes entregamos o ouro a quem não entende de igualdade, diversidade, justiça, liberdade, participação, transparência e controle social.

O diálogo que sempre peço e retomei no começo do texto é peça fundamental para garimparmos melhor entre a gente quem merece falar pela gente. No frigir dos ovos, acompanhar de perto é único caminho para avaliar quem merece carregar essa honra. E sinceramente, tem figurinha repetida por aí que não merece fazer parte do nosso álbum, quiçá de nossa vida legislativa. Para isto, o remédio não é o silêncio.

*Sociólogo, professor da UFRR

AI DE MIM!

José Henrique Ferreira Leite*

A locução interjetiva “ai de mim!”é bem conhecida e antiga. Contudo, para quem conheceu o pastor Antônio Paulo de Oliveira, a frase soava como invenção e marca registrada sua. Há duas semanas ele a repetiu várias vezes num prazeroso encontro que tivemos debaixo da frondosa mangueira do quintal da minha casa. Estávamos ele, sua querida Ana Lúcia, Hessyzinha e eu. De plano, urge que pontuemos, por primeiro, alguns aspectos do homem, sua história e personalidade, visto que, neste momento, fomos surpreendidos com sua precoce e inesperada morte. O Pastor Antônio Paulo foi mais uma vítima da Covid-19, mal que tem ceifado milhares de vidas aqui e mundo afora. O pior disso é que sua esposa também se encontra hospitalizada e intubada em estado muito grave. Apelamos para que Deus minore a sua dor e console a todos os seus familiares nestes tormentosos dias.

Antes de mais nada, precisamos dizer que o pastor Antônio Paulo, ao longo da sua vida, foi um homem pacífico, compreensivo, cordial, bem-humorado, caridoso, consolador e sábio. Sem medo de cair no laço do hiperbolismo, ousamos dizer que juntando todos os bons adjetivos da nossa língua, mesmo assim, não seriam suficientes para qualificar o ser humano que foi o pastor Antônio Paulo de Oliveira.

Da infância, adolescência e juventude de Antônio Paulo de Oliveira, pouco sabemos. Um erro imperdoável da nossa parte, posto que convivemos tantos anos com ele e nunca o interrogamos a respeito. Sabemos, porém, que nasceu no dia 7 de setembro de 1951, na pequena cidade de Icapuí, Ceará. O nome do seu pai era Agripino Mateus de Oliveira e sua mãe, Francisca das Chagas de Oliveira. Quanto ao mais, o que hoje evidenciamos da sua vida se relaciona à sua rica história a partir de 1988, quando o conhecemos e convivemos com ele durante 11 férteis anos de pastorado da Igreja Batista Regular de Boa Vista.

Homem dedicado que foi à sua missão de ministro do evangelho e professor de crianças, sua formação acadêmica e religiosa, bem como suas atividades profissionais se perfazem daquilo que foi seu objetivo de vida,ou seja, o ensino. Assim, conforme pinçado do site da APEC, podemos relacionar: Antônio Paulo de Oliveira era graduado e pós-graduado em Teologia pelo Seminário Batista do Amazonas (AM) e Seminário Betel (Rio de Janeiro/SP). Foi missionário entre as crianças, pastor, mestre, evangelista, conferencista e escritor. Atuou como missionário da APEC (Aliança Pró-Evangelização das Crianças) no Rio de Janeiro, ABC Paulista, tendo trabalhado, ainda, no Departamento de Literatura e Educação. Como pastor, trabalhou com afinco durante 11 anos na Igreja Batista Regular de Boa Vista, RR, e durante 20 anos na Igreja Batista Regular do Bairro de Assunção em São Bernardo do Campo, SP. Neste mês de fevereiro de 2021 estava por completar 2 meses apenas de pastorado da Igreja Batista Regular do Calvário em Boa Vista,RR. Deve-se registrar ainda: Antônio Paulo, que serviu como missionário da APEC, foi editor chefe da revista O evangelista das Crianças e presidente da diretoria nacional. Publicou dois livros: o primeiro, intitulado “No passo Dos Meninos” e o segundo, com o título “Coisas Do Alto”. Este já foi publicado, mas o autor faleceu antes de recebê-lo da editora.

Nos demais parágrafos, nos ocuparemos das atividades do pastor Antônio Paulo de Oliveira, à frente da Igreja Batista Regular de Boa Vista, no período de dezembro de 1988 a junho de 2000. Já no fim, é que diremos da motivação que o levava a repetir com tanta frequência a locução interjetiva que deu título a este texto.

A primeira vez que o pastor Antônio Paulo pisou por estas bandas, foi nos idos de 1977, num acampamento espiritual da Igreja Batista Regular de Boa Vista, na quadra carnavalesca daquele ano. Ali mesmo, no Acampamento Elim, propriedade da igreja, no final do ciclo de palestras proferidas por ele, os líderes da igreja o cutucaram com o desafiador e inesperado convite: sair de São Paulo, onde dirigia o Instituto de Liderança e o Departamento de educação da APEC (Aliança Pró-Evangelização das Crianças), para pastorar o rebanho batista regular nos campos de Roraima. Já no dia dez de dezembro de 1988, Antônio Paulo assumia a liderança da igreja com a sólida bagagem administrativa e educacional que havia adquirido na APEC. Chegou com sua esposa Ana Lúcia Sicsúde Oliveira, as duas filhas Maressa e Ana Paula e o caçula Isaque.

O pastor Antônio Paulo assumiu sua nova missão com todo gás. Mostrou-se um grande líder espiritual, professor e reformador de uma igreja que claudicava nas surradas idiossincrasias impostas pelo tempo e pela rígida ortodoxia do rito batista regular. O ensino, métodos e costumes da igreja não condizentes com os novos dias, clamavam por mudanças e retirada da poeira que impedia o entendimento e o crescimento espiritual da igreja. Com os novos ares trazidos pelo pastor Antônio Paulo, ganharam todos da igreja, principalmente, jovens, adolescentes e crianças.

No dia 15 de setembro de 1994,no jubileu de ouro da igreja, Ana Lúcia, esposa do pastor, que já era jornalista à época, escreveu o seguinte: “Como era de se esperar, o novo líder iniciou o seu trabalho com treinamento: ofereceu cursos para diáconos e para professores da Escola Dominical... melhorou o conteúdo e métodos e reciclou materiais aplicados na escola Dominical. Isso tudo alargou a visão dos oficiais da Igreja e os preparou melhor para o serviço”.

Somado a isso, o pastor Antônio Paulo com o conhecimento e experiência pessoal que havia acumulado, além dos contatos com outros ministros do evangelho, investiu no crescimento espiritual, social e intelectual do povo da igreja. Promoveu encontros, cursos, palestras, seminários e estudos ministrados por ele e preletores de outras unidades da federação. Assim, a igreja foi agraciada com o ensino repassado por especialistas em assuntos de família, discipulado, aconselhamento, drogas, missões, evangelismo, crianças, casamento, educação sexual e outros. Tudo dentro de uma perspectiva cristã sadia e livre das crostas e ranços do passado.

No dia a dia da sua relação com os adultos, jovens, adolescentes e crianças da igreja, principalmente as crianças, o amor e a delicadeza do pastor Antônio Paulo, fluíam como de um manancial inesgotável e envolviam a todos numa espécie de emanação aromática. O bálsamo das suas palavras inspiradas sarava as mazelas das almas do seu rebanho. Quem, hoje, na faixa dos 30 para cima, não se lembra das suas mensagens e histórias acompanhadas daquelas ilustrações escolhidas a dedo e aplicadas da maneira mais simples e persuasivas possíveis? Já se ouviu muita gente dizer que, com seu jeito manso e correto de ensinar, ele dava forma, cor, gosto, fragrância e movimento aos personagens das suas falas. Ousamos dizer que, seus sermões concisos, claros, recheados de amor e sabedoria atingiam as almas de forma incisiva e eficaz. Quem o ouviu e celebrou com ele momentos como aqueles que testemunhamos, sabe do que estamos falando.

Penso que devo iniciar a parte final deste texto. Não dá para escrever em poucas laudas os feitos que exigem um volume de muitas páginas. Certamente, muitos dos irmãos de fé e amigos do pastor Antônio Paulo de Oliveira, cada um dará a sua contribuição para que sua história não caia no esquecimento. Aliás, sua história já está registrada nos anais da APEC e das igrejas nas quais com tanto afinco trabalhou.

Para finalizar, seguindo o modismo dos nossos dias, mostramos agora o aspecto ligth da personalidade do inesquecível pastor Antônio Paulo de Oliveira. Dentro do homem cheio de sonhos, tarefas realizadas e por realizar, pulsava uma alma suave e bem-humorada. Assim, quer em momentos críticos, quer em momentos de descontração, repetidamente disparava a frase que tinha a sua marca:“ai de mim!”. O “ai de mim!”na sua boca tanto podia significar dor, tristeza, surpresa, prazer e espanto, como também autocomiseração ou autocensura.

Uma das situações que o fazia exclamar deliciosamente a frase, era quando alguém contava os “causos” que tinham como personagens os membros antigos da Igreja Batista Regular de Boa Vista. Principalmente, quando eram pontuadas as manias, costumes e bizarrices daqueles primeiros crentes. Particularmente, sempre fomos afeitos a provocá-lo com as extravagantes historinhas daqueles tempos heroicos,só para fazê-lo rir e repetir sua apreciada locução “ai de mim!”que, às vezes, se fazia acompanhar de outra expressão que era a sua cara: “Caímos na bobagem, irmão!”.

O pastor Antônio Paulo tinha entranhado amor pelos seus irmãos da igreja. Cuidava de todos com carinho, sabedoria e consideração. A espontânea retribuição dos irmãos vinha na forma de convites para almoços e jantares. Ele não se furtava a comparecer a nenhum. Nosso bom pastor era, também, um bom garfo. Dava para notar que tinha especial preferência pelos pratos e quitutes preparados por suas queridas irmãs da fé Hessy, a quem afetuosamente tratava por amiga, e Cristina, a quem, também, carinhosamente chamava de maninha. E, naqueles momentos, o “ai de mim!”ganhava sabor de filé com frutas, bolo de chocolate, creme de limão ou o sabor de uma coca-cola bem geladinha, seu refrigerante preferido. A Hessyzinha, sua filha na fé, que o amava incondicionalmente, aqui e ali o chamava carinhosamente de cocólatra. E ele mais uma vez exclamava: “ai de mim!”.

Agora,com a repentina notícia da morte desse grande servidor da humanidade e de Deus, somos nós que exclamamos: “ai de mim!”. Aliás, “ai de nós!”.

É SUA VEZ

Afonso Rodrigues de Oliveira*

“Ninguém pode viver sua vida por você. Ninguém pode conseguir sucesso por você. É sua vez.” (Og Mandino)

Você ainda se lembra do Raimundinho? Aquele garotinho que era “lobinho” na minha turma de escoteiros? Lembranças que guardo, de um tempo que não passa. Foram dias felizes que se estenderam pela minha infância, adolescência, juventude e continuam. Estudávamos, o Raimundinho e eu, na Escola de Base, na Base Aérea de Natal, no Rio Grande do Norte. Éramos escoteiros. E o Raimundinho, como não tinha mais de sete aninhos de idade, era classificado como “Lobinho.”

Sei que estou repetindo este caso pra você, mas vai valer a pena. Estávamos em treinamento, na Base. Aí perguntei para o Raimundinho: “Raimundinho, o que você faria se numa caminhada, você encontrasse uma árvore caída e atravessada na estrada?” Ele empinou-se, meneou a cabeça de um lado para outro, e respondeu: “Eu pulo pu riba.” Isso foi, mais ou menos, entre mil novecentos e quarenta e sete, e quarenta e oito. Faz tempo pra dedéu, mas não me sai da cabeça. São momentos simples e sadios, que nos faz feliz.

É isso aí. Abrace com um sorriso sincero, uma resposta simples que possa vir até mesmo de uma criança. São momentos que ficam plantados em nossas mentes e que geram bons momentos, quando nos lembramos deles. A simplicidade é um elemento que nos engrandece, quando lhe damos atenção. Por que perder tempo com coisas, acontecimentos e tudo o mais que não nos interessas? O popular já nos ensina que tudo que acontece na vida faz arte da vida. E a vida é um período de enriquecimento da alma.

“Ninguém, além de você mesmo, tem o poder de fazer você se sentir feliz ou infeliz, se você não estiver a fim.” Então veja a que você está a fim, escolha e assuma. A escolha é sua. É sua vez. Esteja sempre em bem com sua mente. Vá sempre em frente. Nunca pergunte para o sapo, que encruzilhada você deve tomar. Decida, e se a árvore estiver bloqueando a passagem, pule por cima, dê a volta em volta, faça o que você deve fazer, mas faça. Nunca permita que ninguém bloqueie sua vereda. Porque todas as estradas da vida, por maiores que sejam, não são mais do que veredas, para quem sabe caminhar.

“A vida é uma peça de teatro que não permite ensaio. Por isso, cante, chore, dance, ria e viva intensamente, antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos.” (Charles Chaplin.) Somos todos atores da vida. Estamos todos no mesmo palco. Mas a competição não deve ser confundida com disputa. O importante é que você procure fazer sempre o melhor no que você faz. E você pode ser cada vez melhor. É só acreditar e ir em frente. Pense nisso.

*Articulista

afonso_rr@hotmail.com

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