Por Fabiano de Cristo
Em 06/08/2019

Editorial

No professor finanças de hoje vou trazer cinco atitudes importantes que são capazes de transformar a sua vida financeira. As dicas serão divididas em duas partes, a primeira você lê hoje e a segunda você poderá conferir aqui na nossa coluna na próxima terça-feira. Confira

5 atitudes para transformar sua vida financeira

1. Agradeça (de verdade) pelo que já possui 

Parece clichê, dica de livro de autoajuda e até mesmo conselho chato de mãe, mas é importante demonstrar gratidão pela história criada até o dia de hoje. Se você não mostrar apreço pela pessoa que vê no espelho, será difícil contar com ela para ajustar as finanças e colocar o bolso em dia. 

E quando falamos em agradecer pelo que você já possui, queremos apenas que você reconheça que as dificuldades existem, mas que você e sua família também podem superá-las se assim desejarem. Agradecer porque vocês têm oportunidades (com o contato a este material) de reavaliar determina- das decisões, mas sem ignorar a importância delas na formação de todos. 

Errar é normal, e nós já erramos bastante (e continuamos errando). No entanto, se deixar levar pelos erros e suas consequências ruins é abrir mão da chance de aprender a mudar a própria história. Agradecer pelos erros é também entender que eles são uma escola fantástica para o sucesso. Da próxima vez que você errar, observe e interprete os sinais e aprenda com a experiência. 

Lembre-se também que o passado você apenas contempla, mas para que essa “viagem” faça sentido você terá que se desprender de certas amarras emocionais e vestir o manto da humildade. Agradeça por ser quem você é e aceite o desafio de vencer apenas a si mesmo, em uma competição por bem estar, felicidade e qualidade de vida. Agradeça e vamos em frente! 

2. Enxergue suas finanças como prioridade 

Dinheiro é bom e todo mundo gosta! Essa afirmação não é uma invenção nossa e é bem antiga. Ah, sim, dinheiro foi feito para ser gasto, mas isso não significa que devemos desperdiçá-lo, certo? Óbvio? Sim, mas na prática a situação é bem diferente (o dinheiro vira até razão para acabar com relacionamentos de muitos anos, isso não é loucura?). 

Finanças familiares precisam ser uma prioridade. O que isso significa? Que é fundamental colocar o dinheiro como um dos pilares de uma vida familiar equilibrada, saudável e feliz. Ora, todos nós temos preocupações genuínas com a saúde, trabalho, relacionamentos pessoais, por que o dinheiro fica de fora dessas conversas profundas? 

3. Encare suas dívidas com coragem e humildade 

O problema é que você está endividado, certo? Fique tranquilo, você não está sozinho. E dizemos mais: esta não será sua última dívida, e não é isso que necessariamente deve acontecer. O lance do endividamento excessivo é que ele tira o seu principal meio de viver com dignidade: o sorriso no rosto, a alegria do dia a dia, a felicidade nos pequenos detalhes. 

É preciso aceitar e entender as implicações de viver em um país com uma das taxas de juros mais elevadas do mundo. Por aqui, os juros do cartão de crédito são, em média, de 430% ao ano. No Peru, os juros são de 55%; no Chile, 54,24%; na Argentina, 50%. Nos EUA, a taxa média é de 17% ao ano. 

Isso significa que uma dívida não paga no cartão de crédito pode dobrar em seis meses aqui no Brasil. O cheque especial também é perigoso na medida em que juros elevados (mais de 200% ao ano) e é muito fácil de usar. Tenha em mente que crédito fácil é crédito caro. 

4. Crie um plano para lidar com as dívidas 

Nós bem sabemos como é difícil dormir quando as dívidas somam altos valores e continuam a crescer enquanto tentamos sonhar. Isso é horrível, mas agora você já entendeu que pode mudar essa história (e nós estamos aqui para incentivá-lo e ajudá-lo). É hora de colocar os pingos nos “is” e criar uma estratégia vencedora para lidar com o endividamento. 

# Dicas Legais

Sugerimos este roteiro para vencer e acabar com as dívidas de forma de- finitiva: 

• Diagnóstico. É o primeiro passo para entender exatamente o que está acontecendo. Separe algumas horas para fazer um levantamento completo de todas as dívidas e de sua situação financeira. Apure desde o saldo devedor atualizado até os juros que estão sendo cobrados. 

Priorização. Nesse momento, onde tudo já está organizado e documentado, você estará pronto para ir para o segundo passo, que é a definição de prioridades. Nem sempre será possível quitar todas as suas dívidas em uma única vez – aliás, ter essa chance é algo bem raro. As- sim, a primeira opção deve ser pagar as dívidas cujas taxas de juros sejam maiores, afinal elas aumentarão o saldo devedor com mais rapidez. 

• Negociação. O brasileiro tem muita vergonha de pedir desconto e, por uma questão cultural decorrente dessa característica, quem faz uma negociação de dívida muitas vezes acaba abrindo mão de apresentar uma contraproposta para o credor. A vergonha de barganhar geral- mente custa caro, muito caro. Lembre-se que o interesse de receber por parte do credor é grande. 

• Honrar o pagamento do acordo realizado. Quando se termina uma negociação entre credores e devedores, o resultado normalmente é uma proposta justa. A partir daí, é importante que se mantenha o pagamento do acordo. Para isso, é fundamental que o orçamento da família esteja preparado para suportar um período com essa nova despesa. 

• Enfrentar o verdadeiro “vilão”. É comum em situações delicadas como as relacionadas ao endividamento ficarmos buscando culpados. Muitas vezes, nos escondemos em desculpas e tentamos responsabilizar os outros por exageros nossos – é muito simples e confortável colocar a culpa no cartão de crédito, nos juros altos, na loja que sempre faz promoções, no vizinho que sempre compra coisas e etc. 

5. Construa uma reserva para emergências 

Guardar dinheiro para situações imprevistas e emergências é algo funda- mental dentro do conceito de educação financeira. A vida nos dias de hoje é muito complexa e também arriscada para que você aposte que nunca precisará disso. 

Nas nossas palestras sempre nos perguntam “Qual é a única certeza que você tem em relação às emergências? ” e a resposta vem em uníssono: “Que elas acontecem de tempos em tempos”. Em tempos de “vacas magras” como o atual, o risco aumenta ainda mais com a possibilidade de per- da do emprego ou queda nas vendas do seu negócio. 

• Registre suas receitas e despesas. Faça um controle bem detalha- do, de pelo menos três meses, de todas as despesas da família. 

• Separe o importante do supérfluo. Agora com uma ótima visibilidade da situação financeira familiar, reúna a família e, juntos, façam uma análise profunda, identificando os itens que poderão ser cortados. 

• Defina um valor mensal a ser poupado. Com algumas despesas cortadas e algum dinheiro sobrando por conta da priorização mais inteli- gente, já é possível começar a poupar. Defina um valor fixo mensal a ser poupado ou um percentual da renda familiar para começar a guardar. 

• Escolha investimentos adequados ao seu perfil. Decida qual será o destino dado ao dinheiro poupado. Aqui é necessário levar em consideração o perfil do investidor (conservador, moderado ou agressivo), bem como o montante a ser aplicado e também a sua experiência como investidor. 

• Mantenha o dinheiro como uma prioridade. A cada 6 meses (ou um ano, dependendo do montante poupado), faça uma nova avaliação da situação financeira da família para verificar como está o crescimento da reserva de emergência e se já é possível considerar novos investimentos em outros objetivos e metas. 

Fabiano de Cristo
jornalista@teste.com.br
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