Por Parabólica
Em 26/05/2020

Bom dia,

Hoje é terça-feira (26.06). E os roraimenses acordamos com a notícia de que o Hospital Geral de Roraima (HGR), o único até agora a internar doentes com o Covid19 com idade maior que 13 anos na rede pública, está colapsado. Não restam mais vagas nos leitos de UTI, e nem em leitos de espera. Falta quase tudo naquela unidade, que é maior do estado, e para completar os profissionais de enfermagem, representados por seu sindicato, ameaçam entrar em greve por promessas não cumpridas pelo governo do estado e pela falta de condições de trabalho, de equipamentos de proteção individual e até mesmo de medicamentos essenciais ao atendimento dos pacientes.

O secretário estadual de saúde, coronel Olivan Júnior, como é do conhecimento público, já reconheceu a situação calamitosa do setor público estadual da saúde e narra um cenário quase dantesco vigente na Secretaria Estadual de Saúde (Sesau), fruto de anos de administrações –inclusive da atual-, permeado de corrupção, malfeitos e falta de gestão. Nesses tempos, foram gastos bilhões de reais, que seguramente fez sofrer os que tiveram o infortúnio de precisar dos serviços públicos de saúde, mas que deve ter enchido os bolsos de empresários desonestos e políticos que parecem não ter limites da ambição de enriquecimento com dinheiro público.

Esse cenário de terra arrasada motivou o secretário, Olivan Júnior, a sugerir ao governador Antônio Denárium (sem partido) -, que fosse solicitada junto ao general Eduardo Pazzuelo, ministro interino da saúde, intervenção federal na Secretaria Estadual de Saúde.  Olivan Júnior reconhece explicitamente que não tem forças suficientes para enfrentar os interesses corporativos de todos os lados; os vícios sedimentados por anos de incúria e conivência com os malfeitos e, especialmente, pelos interesses políticos e econômicos incrustados nas relações pouco republicanos e desrespeitosas com os anseios e o interesses da população.

E o problema não é apenas financeiro, afinal, em entrevista concedida à Radio Folha FM 100.3, no último domingo (24.05), o secretário Olivan Júnior declarou a existência de fundos para enfrentar a pandemia e reorganizar a Sesau, e suas dependências hospitalares, ambulatoriais e operacionais. O que falta é condições concretas para a adoção de medidas para implantação de uma nova forma de gestão. Embora ele não tenha explicitado isso, resta cristalino que na sua avaliação, sem instrumentos de efetivo mando, não restará condição de força para enfrentar os interesses arraigados no sistema público estadual de saúde.

O que mais assusta é que em vez de se discutir claramente essa possibilidade de intervenção federal na Sesau, os dois mais importantes protagonistas da administração pública local, que deveriam se concentrar no combate da pandemia do Covid19, aproveitam da oportunidade para auferir ganhos políticos em pleno tempo de angústia coletiva. Para ir à forra contra Denárium, que acusou a prefeitura de não dar a devida atenção básica (primária) à população atingida pelo vírus, a prefeita Teresa Surita (MDB) não perdeu a oportunidade e distribuiu, via redes sociais, notas apoiando a intervenção federal na saúde pública estadual.

Como reação as falas da prefeita, o governo estadual, através do senador Telmário Mota (Pros), -que tem se mostrado nos últimos tempos o porta-voz dos interesses do governador-, fez encaminhar a Denárium um ofício pedindo intervenção estadual no Município de Boa Vista, sob o argumento de que a atual administração municipal, não cumpre com suas obrigações de dotar as Unidades Básicas de Saúde (UBS) de condições mínimas para o atendimento primário às pessoas acometidas pelo Covid19. Segundo o senador, a falta de atendimento nas UBSs do município sobrecarrega a demando no Hospital Geral de Roraima (HGR), o que de sorte, já fora dito pelo governador.

E no meio desse tiroteio, com munição eleitoreira, resta uma população atônita que não sabe a quem recorrer para minorar os efeitos do Novo Coronavírus; e muito menos de que maneira vai viver sem dinheiro para financiar o sustento da família. Que bom, se toda essa energia, e meios disponíveis para potencializá-la fossem utilizada em condutas colaborativas para indicar, e efetivar, medidas sanitárias e econômicas para trazer o mais rápido possível a vida dos brasileiros e das brasileiras ao normal. É uma pena ter de assistir esse espetáculo desnecessário e inoportuno.

Ah! Sim. Essas histórias de pedidos de intervenção, inaugurada pelo ex-presidente Michel Temer (MDB) que interveio marotamente no governo do estado em dezembro de 2018, para afastar a ex-governadora Suely Campos, parece ser uma confissão explícita de nossa incapacidade de nos autogovernar. Como nos velhos tempos de Território Federal, continuamos esperando que Brasília nos dê respostas para todos os nosso problemas. Aqui, parece que os políticos locais só apenderam nestes 32 anos de emancipação, a ganhar (ou comprar?) eleições para se perpetuar no poder. Pobre Roraima.   

Parabólica
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