Eu não sou você, e você não é eu - Folha de Boa Vista
Por Opinião
Em 21/01/2022

Eu não sou você, e você não é eu

Afonso Rodrigues de Oliveira

“Vocês riem de mim por eu ser diferente, e eu rio de vocês por serem todos iguais”. (Bob Marley)

Não quero nem espero que você seja igual a mim. Sou um cara especial. Ninguém tem o poder de acumular, em si, o monte de qualidade que eu tenho. Por isso não me inveje, nem tente se igualar. Já lhe disse que tenho qualidades que outro homem tem, e que toda mulher deseja num homem: sou pequeno, magro, feio, pobre, um péssimo fisionomista, e com um certo grau de daltonismo.

Pronto. Já me identifiquei e pretendo seguir em frente, sem perturbar nem ser perturbado. Então deixe eu ser eu, que eu deixo você ser você. E estou falando do cotidiano. Onde não devemos ser iguais. Só devemos respeitar as diferenças na evolução. Mas vamos lá. Adoro quando vejo que você é diferente de mim. E é aí que fico na minha, respeitando você no que você é. E o que somos, realmente mostramos no nosso comportamento social. É isso aí, cara. Seja superior não tentando ser igual. Viva seu dia, hoje, como se ele fosse o último. Sorria, não interessa o que está acontecendo na contramão do seu sorriso. Nunca deixe de sorrir, com medo de parecer tolo. Se isso acontecer, pare e se lembre do Jaime Costa: “Não há bobo mais bobo do que o bobo que pensa que eu sou bobo”. Não perca seu precioso tempo se aborrecendo com tolices. Elas sempre são um ensinamento. Quando identificamos uma tolice é porque não somos tolos. Mas o seremos, se ficarmos presos a ela.

Não sabemos quantos dilúvios já tivemos sobre nossa querida Terra. Mas pelo que vemos, ainda não aprendemos a viver no avançar da racionalidade, como renascentes do último dilúvio. E como não sabemos quando chegará o próximo dilúvio, vamos procurar viver a atualidade para sabermos viver os pós. Simples pra dedéu.

Jogue fora essa mochila pesada do pessimismo. Procure viver cada minuto do dia, hoje, como ele deve ser vivido. Os acontecimentos, bons ou maus, fazem parte da vida. Olhe sempre para o horizonte e procure a felicidade que está em você e você nem percebe. E não percebe, porque fica perdendo tempo com o negativismo. Pare de ficar perdendo tempo diante de notícias negativas e filmes de terror. Porque mesmo que você não se deixe influenciar por eles, sua mente está absorvendo o mal. E você nem percebe, até que o resultado venha. Aí já é arde demais. Cuide-se.

Pronto. Vai aqui um abraço-quebra-costela, pra você. Sejamos amigos, independentemente da distância que possa estar nos separando. E é aí que somos todos iguais nas diferenças. E quando respeitamos as diferenças não nos separamos. Janeiro já está passando. Não permitamos que ele nos leve. Pense nisso.

afonso_rr@hotmail.com

99121-1460

A pessoa diz não gostar de ler até encontrar um livro que gosta

Por Luciana de Gnone

Uma pesquisa realizada pelo Instituto Pró-Livro revelou que o brasileiro lê em média 4,96 livros por ano. Pode parecer bastante, mas os franceses, por exemplo, chegam a ler mais de 20 obras no mesmo período. O que explica então o desinteresse pela leitura, especialmente entre os mais jovens, no nosso país?

Acredito que estas estatísticas negativas sobre leitura estão, em parte, ligadas à obrigatoriedade de ler os grandes clássicos da literatura brasileira durante o ensino básico. Não me entenda mal, não estou criticando os clássicos, longe de mim.

O que quero dizer é que a maioria das pessoas tem dificuldade em ler e interpretar a linguagem rebuscada dessas narrativas. Esta formalidade, aliada à obrigação imposta sobre estas leituras, acaba criando um afastamento entre os jovens e a literatura que infelizmente se estende para a vida toda.

Há algum tempo, em uma conversa de família, soube que minha sobrinha de 15 anos, que até então não gostava de livros, finalmente descobriu sua paixão pela leitura. Isso aconteceu porque ela estava lendo um livro que despertou seu interesse.

Este caso retrata minha crença que defendo quase como um mantra: a pessoa diz não gostar de ler até ler um livro que gosta. Não acho que o ser humano seja avesso à leitura. Acredito apenas que cada um tem estilos, gostos e interesses diferentes.

Desde que comecei a escrever romances profissionalmente, tento reverter este movimento contra a leitura que parece ter se enraizado na nossa cultura. Na verdade, todas as pessoas que não leem hoje são potenciais leitores, basta encontrar o livro certo.

Como escritora, uso meu ativismo pró-leitura para enfatizar a importância dos livros no desenvolvimento humano. Inclusive, costumo indicar três caminhos para quem não gosta de ler descobrir como identificar os títulos certos para investir seu tempo.

Para saber quais são os seus gêneros literários preferidos, basta analisar os filmes e séries que você mais assiste. Depois, vale procurar os trabalhos de autores destes gêneros e ler resenhas de livros escritos por eles para encontrar aquele que mais chama a sua atenção.

Tem ainda a regra 80/20: se você leu 20% do livro e não gostou, o melhor é deixá-lo de lado e começar uma nova leitura. Se até ali você não se encantou por aquela história, talvez não seja o livro certo ou mesmo o momento ideal para ele.

Se você conhece alguém que se encaixa neste perfil de brasileiros que não gostam de ler, sugira estas técnicas. Pode ser o incentivo necessário para que mais uma pessoa descubra o potencial dos livros e se apaixone pelo universo mágico da literatura.

Luciana de Gnone é escritora e lançou recentemente o romance policial “Evidência 7: Segredo Codificado”.

Opinião
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