JESSÉ SOUZA - Folha de Boa Vista
Por Jessé Souza
Em 19/07/2021

Um vídeo, antigos problemas na saúde municipal e excessos por parte de agentes públicos

Jessé Souza*

As imagens de um vídeo que circulou desde a noite de sábado revelam muito bem os recorrentes problemas que pais e mães enfrentam  em busca atendimento médico para os seus filhos no Hospital da Criança Santo Antônio, sob responsabilidade da Prefeirtura de Boa Vista: a falta de médico com a seguida demora no atendimento, que revolta qualquer pessoa que paga seus impostos e que estão fragilizados naquele momento de dor.

O problema já havia sido identificado três dias antes, quando a Promotoria de Defesa da Saúde realizou uma inspeção judicial naquela unidade hospitalar, como parte de uma diligência de uma Ação Civil Pública movida contra o Estado e Município em 2013. Isso mesmo!!!! Oito anos atrás, quando muita coisa já aconteceu e várias pessoas já morreram vítimas não só da pandemia.

A diligência foi acompanhada por outras autoridades, como o juíz da Infância e Juventude, Parima Veras, além de técnicos da Vigilância Sanitária Municipal. Quase uma década depois, lá foi identificada a falta de médicos, que impõe um sofrimento a mais para pais e mães com suas crianças doente.

Como pode ser notado, foi preciso um ação para cobrar a Prefeitura de Boa Vista a melhorar o atendimento naquela unidade, porque a saúde pública nunca foi prioridade dos políticos e gestores públicos. Mesmo com a demora na tramitação da ação, as autoridades municipais não conseguiram resolver o antigo problema da falta de médicos, que é recorrente.

No caso do vídeo, foi mostrada a típica truculência da Guarda Municipal, com os agentes já chegando com visível excesso, sem conversar, sem se inteirar dos fatos, sem ouvir o pai envolvido no episódio, acusado de se exceder por causa de sua revolta com o atendimento recebido no Hospital da Criança. Conforme relatos  no vídeo, os pais chegaram pela manhã e só foram atendidos à noite!

Com a administração municipal tem o hábito de não ouvir nem consultar as pessoas, parece que o mesmo ocorre com serviços prestados à população por fiscais e guardas municipais, que repetidamente são flagrados agindo com excesso, especialmente naquela unidade hospitalar e nas ações truculentas para derrubar casas de famílias pobres acusadas de serem invasoras.

Aliás, o atual prefeito Arthur Henrique (MDB) assumiu e uma de suas primeiras decisões foi mandar demolir casas de famílias que ocuparam uma área de boa-fé, nas proximidades do Anel Viário, considerada uma ocupação irregular. Sem ouvir as famílias, sem notificá-las e sem ao menos garantir o direito de se defenderem, fiscais e guardas foram lá como cães raivosos.

Atos desse tipo vêm da administração anterior, quando a prefeita era Teresa Surita (MDB), inclusive com um caso em que um fiscal, durante a demoliação de um casa, agrediu uma mulher grávida que protestava contra ação municipal que destruía sua casa com um trator. Pelo que se vê, parece que esse tipo de excesso é institucionalizado em uma administração que não faz questão de ouvir, consultar e agir com transparência.

Que esta deligência, que demerou oito anos, possa resultar na solução dos problemas na saúde pública, ainda que tardio, pois vivemos um momento em que a saúde precisa ser tratada com mais prioridade ainda. De quebra, que possa servir também para resolver esse outro grave problema da violência e do excesso de agentes públicos municipais. Isso também não pode ficar impune.

*Colunista

Jessé Souza
jesse@folhabv.com.br
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