JESSÉ SOUZA - Folha de Boa Vista
Por Jessé Souza
Em 20/07/2021

A quem interessa dizer que a RR-203 está bem, quando a situação é crítica?


Jessé Souza*


Ainda não deu para entender a quem o Governo do Estado quer ludibriar em relação ao asfaltamento da RR-230, rodovia estadual que atravessa por todo o Município do Amajari e finda na Vila do Paiva, a sede da Serra do Tepequém, o único ponto turístico realmente consolidado de Roraima.

O governador Antonio Denarium (sem partido) foi lá, neste fim de semana, e postou em suas redes sociais fotos que mostram como se estivesse tudo bem. Mas não está bem. Definitivamente nunca esteve. Os moradores comem o pão que o diabo amassou, sofrendo prejuízos por causa da buraqueira e correndo riscos de acidentes. O turista também sabe que a situação é crítica. Os produtores que têm fazendas na região idem.

A obra de asfaltamento mostrou sérios problemas menos de dois meses depois de iniciada. O asfalto novo da rua principal da Vila Tepequém esfarelou-se apenas com o trânsito de veículos e precisa ser refeito. Em outro trecho que recebeu asfalto novo já surgiram buracos e, mesmo para o olhar de um leigo, percebe-se que o material não é de boa qualidade.

Onde foi realizada apenas uma operação tapa-buraco, com remendo com asfalto e maioria feito com barro, a situação ficou crítica, pois não só os buracos ressurgiram com toda força como também novas crateras apareceram, deixando esses locais em situação bem pior do que era antes, principalmente porque as chuvas não dão trégua na região.

O que se esperava dessa nova visita do governador é que ele mostrasse uma posição firme em relação à qualidade da obra apresentada da empresa, proporcionando um alento a quem depende daquela rodovia. Porém, Denarium posou para fotos somente nos trechos onde o asfalto foi feito recentemente e que estão boas condições. É como se fosse mentira da população e dos turistas que reclamam da situação da estrada.

Já que este foi o comportamento do governo e sua esquipe que estiveram na região, então é hora de os órgãos de controle agirem para realizarem uma fiscalização da obra de asfaltamento da RR-203, a fim de que tomem uma posição, pois corre-se o risco de se ter uma obra mal feita, que só vai comer os R$10 milhões de recursos públicos e deixar uma estrada que continuará na buraqueira e intrafegável a cada inverno.

No governo anterior, a obra de recuperação do asfalto sequer foi iniciada e logo foi abandonada com as placas de "estamos em obra" fixadas na margem da rodovia, sem que nenhum órgão fiscalizador, nem a atual administração, esclarecesse o que ocorreu com os recursos destinados para aquele serviço que nunca foi executado. A obra resumiu-se à reforma das pontes de madeira. E nada mais.

O contribuinte não pode cair em um novo "conto do asfaltamento". A Serra do Tepequém não pode continuar sendo penalizada sem sequer ter uma estrada digna para garantir que o turista chegue com tranquilidade à região. Nem os produtores de pescado e de gado que lá estão também sofram prejuízos com a logística de escoamento de sua produção.

Basta de ficar engabelando a opinião pública.

*Colunista



Jessé Souza
jesse@folhabv.com.br
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SANTOS disse: Em 20/07/2021 às 11:14:07

"- Meu caro articulista, isso os gestores brasileiros sabem fazer, e muito bem: contratam uma empreiteirazinha mequetrefe qualquer, que faz uma obra meia-boca por um valor absurdo, de qualidade tão ratuina que logo, logo precisa ser refeita. - E a coisa é feita de caso pensado pois temos, sediado aqui em Boa Vista, o 6º BEC ? Batalhão de Engenharia e Construção do Glorioso Exército Brasileiro, detentor de um know how incomparável em se tratando de pavimentação. - Será que é proibido ao governo estadual firmar convênio com o Exército? Ou será que a proibição é quanto adotar medidas que impeçam a corrupção de se estabelecer? - A indagação é perfeitamente cabível pois de um lado a empreiteira faz de contas que realiza a obra com os padrões que se espera e/ou a qualidade desejada e, de outro lado, o contratante faz de contas que fiscaliza a execução da obra. Só uma coisa é certa: a fatura é paga, integralmente, e muitas vezes com o valor aviltado pelos termos de aditamento. - E ainda reclamam, e riem, do povo, que paga por tudo isso."

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