Por Denise Rohnelt Araujo
Em 27/04/2019

ENTRADA

Tenho falado muito sobre reaproveitamento de alimentos e utilização de ingredientes ainda pouco usados na nossa cozinha, como folhas, talos e as chamadas Plantas alimentícias não convencionais, as PANCs.

Trago hoje uma receita feita com taioba ou xanthosoma taioba, podemos encontrar taioba pela cidade e na feira de orgânicos. A taioba pode ser refogada, cozida, feita como purê ou na sopa. Mas tem que ter cuidado, pois existem alguns tipos de taioba venenosa.

A receita de hoje é da pesquisadora Ana Alice Correia, focaccia de taioba, um tipo de pão italiano delicioso para servir num lanche da tarde ou como entradinha. 

Não deixe de seguir todos os passos da receita, principalmente o de deixar a massa descansar para crescer, aproveitem!

Para complementar uma entrevista com a autora do livro Panc é Pop, professora Mahedy Passos, que fez uma longa pesquisa sobre as Plantas alimentícias não convencionais mais encontradas no nosso estado.

Até o próximo sábado!


PRATO DO DIA


Focaccia de taioba
Receita Ana Alice Correia

INGREDIENTES:
500g Farinha de trigo
200 ml água
01 colher de sopa de melado de cana
50 ml de azeite de oliva
01 colher de sopa de manteiga
120g xícaras de folhas de taioba picadas
20g de tablete de fermento fresco para pão
01 colher de chá sal
Cobertura do pão:
Quanto baste de alecrim
Quanto baste de sal granulado
Quanto baste de azeite de oliva

MODO DE PREPARO:

Medir todos os ingredientes conforme a receita. “Branquear” ou escaldar as folhas de taioba em água fervente e depois dar um “choque térmico” com água gelada, assim preserva a cor e fica pré-preparada.

Numa vasilha coloque o fermento e dissolva na água fria.

Acrescente a farinha de trigo, água, melado, manteiga, sal, azeite de oliva e as folhas da taioba. Misture tudo muito bem, amasse até ficar uma massa bem lisa e macia.

Se a massa estiver muita seca, acrescente um pouco mais de água.

Unte a tigela com um pouco de óleo e coloque a massa para descansar por 20 minutos, coberta com um plástico filme para abafar.

Unte uma assadeira com azeite. Abra a massa com rolo num retângulo do tamanho da assadeira (26X40 cm), e coloque na assadeira untada.

Cubra com plástico e deixe crescer novamente por 30 minutos.

Molhe a mão e aperte a massa com a ponta dos dedos, formando cavidades (como na foto).

Jogue azeite sobre a massa, cubra e deixe crescer novamente por uma hora. Polvilhe com um pouco de sal granulado e espalhe o alecrim.

Leve para assar em forno pré aquecido a 160ºC, até a massa ficar levemente corada, cerca de 20 minutos.


PANC É POP SEGUNDO MAHEDY PASSOS

Mahedy Passos nasceu em Manaus, foi criada em Belém e é filha de maranhenses.  Bióloga com Mestrado e Doutorado em Botânica pelo INPA-AM, atualmente é  professora do curso Técnico de Agroindústria de Alimentos do Centro Estadual de Educação Profissional de Roraima - CEEP, onde ministra disciplinas relacionadas à Tecnologia de Frutas e Hortaliças, Segurança Alimentar e Meio ambiente.

A idéia de escrever o livro Panc é Pop surgiu quando sentiu dificuldade em encontrar frutos nativos sendo comercializados e o quanto os mesmos eram negligenciados e subutilizados.

E quando viu que a grande maioria da população não conhecia nada sobre a utilização das plantas alimentícias disponíveis em Roraima por falta de informação de como utilizá-las, resolveu escrever o livro.

Com uma linguagem fácil sobre as PANC foi a maneira que ela encontrou para popularizar o conhecimento e o uso destas plantas na região. 

Ela vê a alimentação com as PANC como um mundo de possibilidades para a alimentação humana cotidiana, com um incremento nutricional que estas espécies podem fornecer. Mas também existem possibilidades para a agricultura familiar, para a agroindústria de alimentos, merenda escolar e gastronomia, além de serem grandes aliadas em projetos de conservação da biodiversidade.

Ela desenvolveu o  projeto inicial sobre Aproveitamento Integral de Alimentos (AIA) com a utilização de partes não convencionais de frutos ou hortaliças convencionais como cascas, talos, folhas e sementes que geralmente são descartados durante o preparo de alimentos.

Em seguida teve a idéia de produzir alimentos com cara de Fast Food, mas com hortaliças incorporadas em suas composições como hambúrguer enriquecido com raízes e tubérculos e massas à base de hortaliças para desmistificar que alimento saudável é sem graça ou tem aparência pouco atrativa. 

Depois desenvolveu o projeto chamado “Mato no Prato como incremento nutricional” em um restaurante popular de Boa Vista, realizando testes de aceitabilidade com a inclusão de algumas PANC inusitadas como mandacaru, bredo, serralhinha, etc. em pratos servidos no cardápio da empresa, o que resultou em um prêmio pelo projeto BITERR-IEL.

Em 2018 foi a vez de colocar as PANC na alta gastronomia e verificar sua aplicabilidade e aceitação, e que resultou em mais um prêmio no final de 2018.

O livro PANC É POP, foi lançado oficialmente em Belém do Pará no XVI Congresso Internacional de Etnobiologia, XII Simpósio Brasileiro de Etnoecologia, I Feira Mundial da Sociobiodiversidade e IX Feira de Ciência, Tecnologia e Inovação do evento Belém+30, realizados em agosto de 2018. 

Já houve lançamento do livro em Boa Vista, em São Luis (MA) no festival Mercado das Tulhas, e em Manaus.

O roraimense ainda consome muito pouco ou quase nada do que se tem de PANC disponível, resumindo-se basicamente a fazer pratos regionais com uso do jambu, cariru e chicória, ou no consumo doméstico de alguns frutos durante a safra. Não se vê nas feiras, nem durante as safras, frutos como caçari, araçá, goiaba-de-anta, etc.

Ela acredita em divulgar o conhecimento na prática, no dia a dia, na escola, em projetos de cunho social que aproximem a sociedade da natureza, aproveitando a demanda por alimentos saudáveis. 

Mahedy ainda conta com uma lista para ser publicada em forma de artigo científico com pelo menos 150 espécies de PANC disponíveis em Roraima, destas apenas 40 foram apresentadas na 1ª edição do livro. Ela pretende lançar pelo menos mais uma edição do PANC É POP. 

A pesquisadora está atualmente voltada para projetos dentro e fora do estado de Roraima sobre usos, produção e potencialidades das PANC para agricultura orgânica familiar, comunidades tradicionais e sociedade em geral, como aporte para mercados locais, agroindústria e gastronomia, pois “não se consome, não se produz, se não  produz não se consome”. Além da implantação de vitrines e viveiros PANC para uso didático em instituições de ensino e áreas de produção da agricultura orgânica.

Para Mahedy “A introdução das PANC no cardápio cotidiano, é extremamente importante para a soberania e segurança alimentar e nutricional, representa um resgate cultural de alimentos que foram esquecidos e substituídos por uma alimentação monótona e pobre em nutrientes, incrementando e diversificando o repertório culinário humano. As pessoas podem continuar se alimentando do que sempre se alimentaram, só que com um leque bem maior de sabores que podem impactar na valorização de nosso patrimônio sociocultural”. 

O livro pode ser adquirido pelo e-mail: mahedypassos@hotmail.com ou no espaço “Cozinha Letras Saborosas” no Plataforma 8 (em breve). Para acompanhar o trabalho da pesquisadora podem acessar o Instagram: Mahedy Passos, #pancépop e o Facebook: Mahedy Passos.

Denise Rohnelt Araujo
jornalista@teste.com.br
http://meusite.com.br
Aqui ficará as informações sobre o colunista e a coluna.
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