Por Francisco Cândido
Em 17/06/2020

ENE GARCEZ DOS REIS (Avenida)

- primeiro Governador do Território Federal do Rio Branco

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Ene Garcez foi o 1º Governador do então Território Federal do Rio Branco, nomeado pelo Presidente Getúlio Dornelles Vargas, através do  decreto-lei  n.º 5.839 de 21 de setembro de 1943. Chegou a Boa Vista, a bordo de um avião catalina, hidroavião, pousando nas águas do rio Branco, em frente ao Porto do Cimento (onde hoje está a Orla Taumanã), na Praça Capitão Fábio Barreto Leite, às 10 horas do dia 20 de junho de 1944.

            A comitiva do governador Ene Garcez era composta por sua esposa dona Dulce Aleixo dos Reis, e mais o professor Mário Homem de Melo (primeiro prefeito de Boa Vista – quando da criação do Território Federal do Rio Branco), do tenente Paulo Sóter da Silveira (secretário- geral), do Tenente João Batista da Silva (radioamador), do médico Silvio Botelho e do sanitarista Dr. Durval Araújo Cavalcante.

Em seu discurso inicial, quando tomou posse, Ene Garcez proferiu a seguinte frase:

Coube-nos a honra da primeira investidura como Governador. Não vemos no cargo as vantagens que poderíamos usufruir;  antes, encaramo-lo como a mais árdua e espinhosa missão que temos recebido até agora.  Aceitamo-la porque confiamos no vosso desejo de progredir e porque confiamos no Vosso profundo sentimento de brasilidade.``

 Ene Garcez realizou nesta terra as primeiras obras estruturais para consolidação da nova unidade nacional – O Território Federal do Rio Branco. Dentre suas realizações podemos citar:

Foi o responsável pela implantação do primeiro Plano Diretor da cidade e idealizador, junto ao urbanista Darci Derenusson, pelo formato do Centro Cívico em forma de leque para onde convergem, praticamente, todas as ruas de Boa Vista.

A criação e instalação da primeira unidade de ensino do Território: o Grupo Escolar Lobo Dalmada e contratou os primeiros professores: Jacobede Cavalcante de Oliveira, Isnal Barbosa Andrade e Lindalva da Silva Liberato, que ensinaram as primeiras letras aos 318 alunos boa-vistenses, que era o total de alunos matriculados no primeiro ano de atividade do grupo escolar.

No setor de Saúde Pública, foi atendido durante sua gestão, que durou um ano, 3.675 pessoas e hospitalizados 133. Admitiu, na função de médico, o Dr. Sílvio Lofêgo Botelho.com um salário de Cr$ 3. 000,00 (três mil cruzeiros), e o nomeou como Diretor da Divisão de Assistência à Maternidade e à Infância-DAMI (a primeira maternidade de Boa Vista), onde hoje funciona a Seplan-Secretaria Estadual de Planejamento-, na Rua Coronel Pinto, Centro.

Mesmo enfrentando as dificuldades de transportes, devido os problemas da 2ª Guerra Mundial, Ene Garcez, embora sem máquinas, iniciou e concluiu o serviço de desmatamento até o rio Mucajai, como primeiro passo para a construção da rodovia que ligaria, futuramente, Caracaraí a Boa Vista.

No setor de comunicações, encomendou dos Estados Unidos, e instalou no Território 11 (onze) estações de rádio que ligariam todos os pontos do Território. Viabilizou a primeira linha regular de avião internacional para Boa Vista, no percurso Caracas – Boa Vista, e também trouxe a linha aérea Cruzeiro do Sul que vinha do Rio de Janeiro de 15 em 15 dias. Isto sem falar nos barcos comprados para transportes de mercadorias e de pessoas.

            Ene Garcez conseguiu, junto à Prelazia, um mimeógrafo e viabilizou a publicação de um documento que chamou de “Órgão Oficial”, e o fez circular a primeira vez no dia 24 de julho de 1944. O documento, depois de datilografado, era então rodado no mimeógrafo, e depois de pronto enviado à prefeitura e às poucas secretarias de seu governo. Posteriormente o público tomava ciência dos “Atos e Portarias do Governo do Território”.

Convidou para dirigir a “Imprensa Oficial” o senhor Geraldo Guimarães Moreira (o Tenente Guimarães), que não era jornalista, mas que demonstrava um bom conhecimento da língua portuguesa e que contava com certa experiência na arte da impressão. Como auxiliar convidou o senhor Amaral Peixoto, que lhe foi de grande ajuda para cumprir a missão.

Começava assim, mesmo de forma rudimentar, a primeira publicação governamental do Território: O Órgão Oficial. Esta publicação servia também para a divulgação dos trabalhos da Prefeitura de Boa Vista. O de nº 29, que circulou no dia 11 de janeiro de 1945, trazia um edital do prefeito Mário Homem de Melo: “Somente os comerciantes de secos e molhados a varejos, poderão abrir suas casas, às 06 horas e fechar às 18 horas”. O edital havia sido levado para a Imprensa Oficial pelo senhor Gustavo Mesquita - secretário geral da Prefeitura.

E, o “Órgão Oficial” (Diário Oficial) de nº 40, datado de 26 de março de 1945, publicou a Lei que “Dispõe sobre a regulamentação da Polícia do Território Federal do Rio Branco”- conhecida como Guarda Territorial que depois seria extinta em 1975 pelo governador da época, o coronel Fernando Ramos Pereira. O governador, após extinguir a Guarda Territorial, em ato contínuo criou a Polícia Civil e a Polícia Militar do Território Federal de Roraima.

Ene Garcez deixou o governo em 21 de julho de 1945, viajando com sua esposa dona Dulce Aleixo dos Reis, no avião “Uirapuru”, que veio diretamente do Rio de Janeiro para apanhá-lo, inaugurando assim a primeira viagem de um avião de carreira neste Território.

            Ene Garcez ao voltar pro Rio de Janeiro, foi promovido a Coronel e tempos depois passou para a reserva como General do Exército.

            Em 1964, no governo do coronel Dilermando Cunha da Rocha, foi denominada uma avenida com o nome do governador Ene Garcez. A Avenida capitão Ene Garcez dos Reis, nasce no Centro Cívico, passa ao lado do Terminal de Ônibus “Luís Canuto Chaves”, e segue direto até o Aeroporto.

Ene Garcez faleceu no dia 06 de fevereiro de 2000, no Rio de Janeiro, de insuficiência respiratória.

Francisco Cândido
franciscocandido992@gmail.com
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