Por Francisco Cândido
Em 12/08/2020

6º BATALHÃO DE ENGENHARIA DE CONSTRUÇÃO – 6º BEC

- 52 anos prestando relevantes serviços à Roraima.

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O 6º BEC, nesses 52 anos em Roraima (1968-2020), tem realizado importantes obras: construção da BR-174 (Boa Vista/Manaus), com 971 km, concluída em 6 de abril de 1977; BR-401 (Boa Vista/Normandia), com 202 km, concluída em 19 de março de 1978; construção de casas da Vila Ipase (em Boa Vista); instalação de 200 km de eletrificação rural para atendimento à população, e a extensão de 31 quilômetros de rede elétrica na região do Amajari, como parte do Programa “Luz para Todos”.

Além destes trabalhos, realiza ainda a conservação de estradas e vicinais; asfaltamento de ruas e construção de quartéis; construção dos Aeródromos de São Luís do Anauá e de Pacaraima; construção das pontes sobre os rios Alalaú, rio Branco, e Itacutu; e, mais recentemente, concluiu a construção da inversão de mão de direção e 1.600 metros de asfalto após a ponte sobre o rio Tacutu, no território da República da Guiana (a leste de Roraima). E, no município de Pacaraima, construiu o quartel do 3º Pelotão Especial de Fronteira (3º PEF) e o prédio da Aduana da Receita Federal.

BR-174 –Norte/Sul – uma epopeia realizada pelo 6º BEC.

A história da construção da BR-174 é longa e penosa. O motivo principal para a construção dessa estrada foi a necessidade de ligar os campos do rio Branco à Manaus.

A primeira tentativa para fazer esta ligação por terra foi em 1847, quando o comandante militar da Comarca do Alto Amazonas, da antiga Província do Grão-Pará, ordenou a abertura de uma picada de Manaus para Boa Vista. Deu a ordem, mas não forneceu os recursos necessários para cumprir a missão.

Em 1855, o vice-presidente da Província do Amazonas, determinou que os capitães Miguel Nunes e Gabriel Guimarães fizessem as investigações necessárias para abrir uma picada para uma estrada que viesse dos campos do Rio Branco a Manaus. Mas, esses dois senhores, nada fizeram.

Em 1856, o Presidente da Província mandou abrir uma estrada do pouso de Guariúba (em Manaus) até Caracaraí. Nunca saiu do papel a tal ordem.

Em 1865, o capitão-engenheiro João Coutinho foi encarregado pelo Presidente da Província a abrir uma estrada entre Manaus e os Campos do Rio Branco. Nada foi feito.

Em 1874, pela Lei nº 306, de 13 de maio, o presidente da Província do Grão-Pará, foi autorizado a contratar com quem mais vantagens oferecesse à abertura de 5 léguas de estrada na zona encachoeirada do Rio Branco. Nada aconteceu.

Em 1879, pela Lei 426, de 19 de maio, o Presidente da Província foi novamente autorizado a contratar o senhor Antonio Amâncio para abrir uma picada a partir de Manaus até o Forte São Joaquim, recebendo cem mil réis por milha de picada aberta. Nada foi feito.

Em 1884, pela Lei 638, de 15 de maio, nova tentativa foi feita sem que nada de positivo viesse a acontecer.

Depois de tantas tentativas, todas infrutíferas, surgiu o grande Sebastião Diniz que, contratado pelo Governo do Amazonas, finalmente abriu uma picada, embrião da futura estrada Manaus/Boa Vista. Os trabalhos de Sebastião Diniz foram realizados entre 13 de novembro de 1893 e 13 de janeiro de 1895.

A picada aberta obedeceu ao seguinte itinerário: igarapé Tarumã (Manaus), rios Cuieiras, Urubu, Uatumã, Jauaperí, Barauana, Branco e Mucajaí numa extensão de 815 Km e 419 metros, e recebeu, pelo trabalho, mil e trezentos contos de réis. Na picada foram colocados 816 marcos triangulares com 1 metro de altura e ultrapassou 9 rios.

Nessa empreitada Sebastião Diniz foi auxiliado pelos agrimensores Carlos Stelling, Paul la Conte, Horácio Azevedo, Joaquim Gonçalves e Mariano da Silva Junior. Esta picada, no meio da selva, existe até hoje e passa diante do Haras Cunhã Pucá, em Boa Vista.

Em agosto de 1968, foi criado o 6º BEC, em Manaus/AM, e, em seguida, o efetivo militar veio pra Boa Vista. Quando os primeiros soldados aqui chegaram, foram alojados em barracas de lonas no local onde hoje é o GRESSB, na Rua Terêncio Lima, esquina com a Avenida Ene Garcez dos Reis. Semanas depois o pequeno efetivo foi transferido para alojar-se no Quartel da antiga Guarda Territorial (depois o prédio se tornou a Secretaria da Segurança Pública de Roraima, na Avenida Ene Garcez).

A missão inicial do 6º BEC, sob o comando do Coronel Engenheiro Ney de Oliveira Aquino, foi melhorar a estrada entre Boa Vista e Bonfim e depois recebeu o seu maior e mais importante desafio: a construção da BR-174, a estrada Manaus/Boa Vista, concluída e inaugurada no dia 06 de abril de 1977, com a presença do vice-presidente da República General Adalberto Pereira dos Santos.

O 6º BEC passou a ter a denominação de “Batalhão Simón Bolívar”, com a entrega do Estandarte Histórico no dia 9 de agosto de 1994 (Portaria Ministerial nº 025, de 21/01/1994).

O asfaltamento da BR-174 iniciou em 1998, no governo do Presidente da República Fernando Henrique Cardoso. E, hoje está toda asfaltada, de Norte a Sul.

Francisco Cândido
franciscocandido992@gmail.com
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