Por Francisco Cândido
Em 26/08/2020

A PRESENÇA MILITAR NO VALE DO RIO BRANCO (RORAIMA)

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A construção do Forte São Joaquim em 1775/1778,foi um marco decisivo na conquista do rio Branco e firmou a presença do colonizador nestas terras. O segundo passo foi a criação dos povoados de Nossa Senhora da Conceição e Santo Antônio (no rio Uraricoera), São Felipe (no rio Tacutu),Santa Bárbara e Nossa Senhora do Carmo (hoje Boa Vista), às margens do rio Branco.

            Em 1920, foram criados os Destacamentos Militares de Fronteira (depois transformados em Contingentes). Em 1926 veio para Boa Vista o 1º Contingente Federal, sob o comando do Sargento Azevedo Cruz.

Depois, já em 1952 foi criado o 1º Pelotão de Fronteira, subordinado ao Grupamento de Elementos de Fronteira (GEF). E, com publicação do Decreto nº 50.480, de 20 de abril de 1961, o então 1º Pelotão de Fronteira foi transformado na 9ª Companhia de Fronteira, mas ainda subordinada ao GEF de Manaus.

            Em 1968 chegou a Boa Vista o 6º Batalhão de Engenharia de Construção – 6º BEC, que foi o responsável pela construção da BR-401 (Boa Vista – Normandia – Bonfim), e da BR-174 (Manaus – Boa Vista – Pacaraima). A inauguração oficial da BR-174 aconteceu no dia 06 de abril de 1977 e contou com a participação do então Presidente da República Ernesto Geisel e do Ministro do Interior, à época, Mário David Andreazza.

            Em 1969, no inicio de janeiro daquele ano, eclodiu na Guiana (ex-inglesa) uma revolta no Distrito do Rupununi, do qual a localidade de Lethem, situada à margem direita do rio Tacutú, é a capital do distrito.

            O que aconteceu é que o governo central da Guiana resolveu desapropriar parte das terras de alguns latifundiários (no caso, das Famílias Melville e Hart), com a alegação de que estas famílias tinham muitas terras e pouco produziam. E, assim, as terras apropriadas, seriam doadas para famílias de baixa renda, principalmente para produtores rurais que não tinham onde morar e produzir.

            A reação da família Hart se fez de imediato. Uniu-se a um grupo indígena da região e invadiu a localidade de Lethem, como protesto, chamando a atenção do governo da Guiana.

Nos primeiros dias de janeiro de 1969 os revoltosos enfrentaram os militares da Força de Defesa da Guiana. Os combates aconteciam em toda a faixa de fronteira. No entanto, os Hartz não receberam o apoio que acreditavam ter, e parte do grupo separatista transpôs os rios Maú e Tacutu, adentrando nas localidades de Bonfim e Normandia, em terras roraimenses. Na fuga, pelo caminho, abandonavam armas e munições, já sem força pra lutar.

Em Boa Vista, o Exército tinha a 9ª Companhia de Fronteira- formadas por dois Pelotões Especiais de Fronteira. O 1º Pelotão foi para Bonfim e o 2º para Normandia e região do Surumú. Os nossos militares não trocaram um só tiro com os invasores, pois estes se renderam de imediato, diante da presença militar do nosso Exército.

Os militares brasileiros, por ordem do Governador, à época, Hélio da Costa Campo, prestaram socorro médico aos feridos, principalmente às mulheres e crianças que vinham da Guiana e entravam em Roraima. Por fim, houve a rendição dos revoltosos, tanto do lado da fronteira com Roraima, quanto em Lethem, na Guiana.

            E, de volta à Boa Vista, no dia 23 de maio de 1969, através do Decreto nº 64.497, foi criado o Comando de Fronteira de Roraima (CFR), e no mesmo ano a 9ª Companhia de Fronteira foi transformada no 2º Batalhão Especial de Fronteira, através do Decreto nº 65.133.

            No dia 31/03/1976 o Comando de Fronteira de Roraima/2º Batalhão Especial de Fronteira, ocupou suas atuais instalações (ao lado da 1ª Brigada de Infantaria de Selva) no Bairro Marechal Rondon. Hoje o 2º BEF é o 7º BIS – Batalhão de Infantaria de Selva.

            Em Roraima, o Exército está presente com a 1ª Brigada se Infantaria de Selva (“Brigada Lobo D`Àlmada”), tendo como comandante atual o General-de-Brigada Márcio Bessa Campos; e mais o 7º Batalhão de Infantaria de Selva (7° BIS), o 12° Esquadrão de Cavalaria Mecanizada (12º ECM), o 10º Grupo de Artilharia de Campanha de Selva–(10º GAC)-, o 1ª Batalhão Logístico de Selva (1° B Log Sl), o 32º Pelotão de Polícia do Exército, a Companhia de Comando da 1º Brigada, a 6ª Delegacia do Serviço Militar, o 3º Pelotão Especial de Fronteira (em Pacaraima), e Pelotões especiais nas localidades de Uiramutã, Uauris, Surucucu, Bonfim e Normandia, além do efetivo militar do 6° Batalhão de Engenharia de Construção (6° BEC).

            Temos também em solo e no ar roraimense a Base Aérea de Boa Vista, que dá suporte ao Grupamento de Avião de Caça.Em janeiro de 2017, foi criado dentro da Organização, o Grupo de Apoio-GAP, responsável pelas atividades administrativas da instituição, e a própria Base Aérea de Boa, se adaptando a uma nova ideologia na administração operacional, tem novo nome: “ALA-7”, sendo o seu primeiro Comandante, o Coronel Aviador Eric Breviglieri, que tomou posse no dia 03 de março de 2017.

            O Exército e a Aeronáutica em Roraima, além da vigilância constante em terra-e-ar, nas fronteiras, realizam também Ações Cívico-Sociais–ACISO-, levando assistência médica-odontológica aos mais distantes lugares deste Estado, principalmente às comunidades ribeirinhas e aldeias indígenas (nas regiões de Auaris e Sururucus, a noroeste de Roraima).

Esta é, sem dúvida, a missão maior das Forças Armadas Brasileiras: a de servir à Pátria e ao povo, onde estiver.

Francisco Cândido
franciscocandido992@gmail.com
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