Por Francisco Cândido
Em 29/12/2018

NATAL EM BOA VISTA, ONTEM E HOJE

A data para o Natal em 25 de dezembro e as poucas informações dadas na Bíblia (os pastores mantinham seus rebanhos na natureza) sugerem que o “Natal”, certamente, não ocorreu no inverno. Foi a igreja que, na primeira metade do século IV, reteve a data no dia 25 de dezembro. Esta escolha foi puramente estratégica: para a transição de datas pagãs que eram celebradas no mesmo período da antiguidade que as datas cristas. Contudo, não há nenhum texto religioso que especifique o dia que Jesus Cristo nasceu.

A festa de Natal não fazia parte dos dias comemorado pelos cristãos, foi a partir do quarto século, em 354, que a festa da Natividade foi introduzida a Roma pelo Papa Liberius na data  de 25 de dezembro. Esta festa, gradualmente, se espalhou para o Oriente e Gália.

Em 425, o Imperador Oriental Teodósio II oficializou as cerimônias da festa de Natal. Em 506, o Concílio de Agde faz o Natal um dia obrigatório e, em 529, o imperador Justiniano oficializa como um feriado público. A Missa do Galo, tradição que continua até hoje, já acontecia no século V, sob o pontificado do Papa Gregório, o Grande. A partir do século XII, esta celebração religiosa foi acompanhada por dramas litúrgicos, que aconteciam dentro das igrejas ou na frente destas. Estas representações encenavam o nascimento de Jesus e a chegada dos Reis Magos. Criando então a tradição dos presépios para o Natal.

Na tradição cristã, a festa de Natal celebra o nascimento de Jesus de Nazaré. Contudo, não há nenhum texto religioso que especifique o dia que Jesus Cristo nasceu. Na verdade, a data de 25 de dezembro foi fixada arbitrariamente no meio do século IV, provavelmente para competir com datas não religiosas que ocorreriam nesta época do ano. As Igrejas Ortodoxas seguem o calendário juliano, que celebra o Natal em 7 de janeiro.

E, em Roraima, como se dá esta tradição cristã?

A Lei nº 092, de 09 de novembro de 1858, assinada pelo presidente da Província do Amazonas, Francisco José Furtado, estabeleceu que no local da “Fazenda Boa Vista”, fosse elevado à condição de “Freguesia” de Nossa Senhora do Carmo da Boa Vista do Rio Branco. E, em 1887, a Freguesia foi elevada à condição de “Vila” de Boa Vista do Rio Branco.

Em 1877, houve uma grande seca no Nordeste brasileiro, o que motivou a vinda dos primeiros nordestinos para Boa Vista. Mas, como não havia emprego e nem atividade de construção civil, a maioria foi para o interior trabalhar na lavoura e na criação de gado, tornando-se os primeiros fazendeiros da região.

Foram estas primeiras famílias nordestinas que trouxeram a crença na comemoração da noite de Natal. No inicio, devido às dificuldades na época, a “ceia” natalina era composta pelo que havia na localidade: um pouco de carne, farinha, pimenta, um bolo de milho, aluá (bebida feita de abacaxi fermentado), e rezas, muitas rezas e orações. Padre no interior só se via praticamente uma vez no ano, na época da “desobriga”, viagem que o vigário passava nas localidades para realizar casamentos, batizados e outras atividades religiosas.

Em Boa Vista, não era diferente. A noite de Natal era comemorada na Igreja Matriz, onde, praticamente toda a população se fazia presente para a “Missa do Galo” – segundo a crença, à meia-noite do dia 24 de dezembro um galo teria cantado, anunciando a vinda do Messias, filho de Deus vivo, Jesus Cristo.

O explorador americano Alexandre Hamilton Rice, quando esteve em Boa Vista em 1924, registrou que: “Boa Vista era o único agrupamento junto ao rio (Branco) que tem a honra de ser chamada de “Vila”. Este aglomerado era composto de 164 casas, que abrigavam uma população de 1.200 almas (pessoas). Alguns destes prédios são de tijolos: a Igreja Matriz, a Intendência (nome da antiga Prefeitura), algumas casas de moradia e o Armazém, também eram feitos de tijolos. Já a maioria das casas era feita de reboco e pau-a-pique”.

A vida em Boa Vista só veio melhorar com a criação do Território Federal do Rio Branco no dia 13/09/1943 (Decreto-Lei nº 5.812), mudado o nome para Território Federal de Roraima em 13/12/1962 (Lei nº 4.182) e, a partir de 1964 com os governadores militares, chegando finalmente a transformação de Território em Estado, no dia 05 de outubro de 1988.

Mas, há de se convir que a festa do Natal, ou melhor, dizendo, a comemoração da noite de Natal, sempre houve em Roraima, uma terra onde a Igreja Católica teve a primazia de se instalar 1909, com a chegada dos Beneditinos para o trabalho de evangelização. Foram estes padres que incentivaram a comunidade boa-vistense à crença do Natal.

Durante todos estes anos, em Boa Vista, a “Noite do Natal” continua sendo celebrada pela comunidade católica, como a “noite do nascimento de Cristo”.

A Prefeitura de Boa Vista tem-se dedicada à esta festividade cristã, desde 2013, com a instalação de “Árvores de Natal” com luzes coloridas na “Praças das Águas (onde está o Portal do Milênio, no Centro), e na Praça Germano Sampaio (no bairro Pintolândia). Neste ano de 2018, com o tema: “O Auto do Menino Deus”. o espetáculo natalino reuniu mais de 30 mil pessoas no “Parque Germano Sampaio”, com encenação natalina, músicas de orquestra e show de luzes e fogos de artificio que iluminaram as pessoas que estavam na Praça.

Já na Praça Fábio Paracat (na Avenida Ene Garcez) desde 2016, a Prefeitura instala uma grande Árvore de Natal. Neste ano de 2018, a Árvore foi inovada com novas luzes e brilhantes enfeites, que deram um colorido especial à praça. Em todas as noites, dezenas de pessoas a visitam e tiram fotos como recordação de uma noite de Natal em Boa Vista.

Francisco Cândido
franciscocandido992@gmail.com
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