Por Francisco Cândido
Em 07/08/2019

MINHA RUA FALA – MOURA BAR 


“Moura Bar”, o principal comércio, onde foram instalados as novidades da época, como por exemplo, o primeiro salão de bilhar e sinuca e, mais tarde, em 1947, a primeira sorveteria de Boa Vista. Nesse local, os jovens e seus familiares, às tardes de domingo, reuniam-se para tomar sorvetes e assistir ao desfile das moças e rapazes que, invariavelmente, passeavam na Avenida Jaime Brasil.

Durante a Segunda Grande Guerra (1939 a 1945), o boa-vistense, às oito horas da noite, chegava ao Moura Bar para ouvir os noticiários da Rádio BBC de Londres. No “Moura Bar” havia um dos poucos aparelhos de rádio em Boa Vista, e mesmo assim à válvulas (o que significava que após ligá-los na tomada tinha-se que esperar de cinco a dez minutos até as válvulas internas se aquecerem o suficiente para iniciar a transmissão). No Moura Bar, o povo, através do rádio, ficava atento às notícias.

O senhor “Moura” (Antônio Luitgards Moura) nasceu em Fortaleza, no Estado do Ceará, em 1893. Era filho de Antônio Luitgards Moura e da senhora Raimunda Sampaio Moura. Veio com a família para Boa Vista em 1896, quando tinha apenas 3 anos de idade, viveu e cresceu nesta cidade onde participou ativamente do comércio e da política. Foi um dos fundadores da Associação Comercial do Rio Branco, hoje a Associação Comercial e Industrial de Roraima, instalada na Avenida Jaime Brasil, e exerceu por inúmeras vezes o cargo de secretário da Prefeitura de Boa Vista, inclusive chegou a ser nomeado Prefeito, quando aqui ainda era o Território Federal do Rio Branco.

Em 1918 casou-se com a roraimense a senhora Judith Sampaio. O casal teve os filhos: Maria do Carmo (Carmem Refkalefsky), Clarice, Augusto César, Celita, Alpha, Lourenço e Enéia. 

Antônio Luitgards, o Seu Moura, instalou-se, primeiramente em um sítio, ao qual deu o nome de “Sítio Mecejana”, onde plantava árvores frutíferas de onde colhia frutas variadas as quais eram vendidas em Boa Vista ou utilizadas em sucos que eram transformadas em sorvetes no seu Bar.

O nome “Mecejana” era uma lembrança do bairro onde nascera em Fortaleza. E, onde tinha o seu sítio, hoje é o Bairro Mecejana aqui em Boa Vista. A palavra “Mecejana” é de origem portuguesa, mas com influência árabe, e significa: “O que fez abandonar” ou que foi lugar e ocasião de abandonar”.

O romancista cearense José de Alencar, em seu Livro “Iracema”, conta que esta índia ao ver o esposo português Martim Soares Moreno, voltando em uma jangada para sua terra, Portugal, passou a viver em um sítio. A esse sítio os guerreiros Tabajaras, reconhecendo a tristeza de Iracema, deram o nome de “Mecejana”, que significa “a abandonada”.

O senhor Antônio Luitgards Moura era Mestre Maçom e foi Grão-Mestre da Grande Loja Maçônica de Roraima (quando ainda Território Federal), e esteve por muito tempo ligado à política. Em 1959, aqui em Boa Vista, foi apresentado ao então candidato à Presidência da República o Marechal Lott (Henrique Batista Duffles Teixeira Lott), quando de sua visita à esta cidade. O governador do Território (Federal do Rio Branco) era o senhor Hélio Magalhães de Araújo.

Antônio Luitgards Moura nasceu em Fortaleza/CE em 1893 e faleceu em Boa Vista no dia 11/05/1966, aos 73 anos de idade. 

A Prefeitura Municipal de Boa Vista, o homenageou pondo seu nome numa rua nesta cidade. A Rua Luitigards Moura, se situa entre as Ruas Pedro Rodrigues e Dom Pedro I, no Bairro Mecejana. 

Francisco Cândido
franciscocandido992@gmail.com
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