Por Francisco Cândido
Em 27/03/2019

PROFESSORA FRANCISCA FERNANDES SILVA
“Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina.”


A frase acima é da contista e poetisa brasileira Cora Coralina (1889-1985), nascida em Goiás e cujo nome de batismo era Ana Lins dos Guimarães Peixoto. 

Na mesma linha de pensamento, assim se pronunciou o educador Paulo Freire: “Quem ensina aprende ao ensinar. E quem aprende ensina ao aprender”.

Temos hoje a grata satisfação de trazer ao público à história de vida de uma grande educadora que se dispôs a ensinar não só as primeiras letras, mas e principalmente os primeiros números, às centenas de alunos seus durante o tempo de magistério: Francisca Fernandes Silva, a Professora “Francisquinha”, a mestre da disciplina numérica: Matemática. 

A História da Educação em Roraima, passa pela vida da Professora Francisca. Ela é uma abnegada que abraçou a profissão do magistério, imbuída dos melhores propósitos e predestinada a servir à causa educativa. Na sala de aula ela foi uma mestra exigente, mas, como ela mesma diz:

“Enquanto em meu coração batia a esperança deles aprenderem, nunca me faltaram forças para ensinar”.

A Professora Francisca (“Francisquinha”), nasceu na cidade de Acopiara (antiga cidade Afonso pena), no interior do Ceará, aos 23/03/1939. É filha do casal de agricultores Manoel Fernandes Silva e Leonilda Fernandes Silva. A família deixou o interior e foi pra capital, Fortaleza, onde estavam contratando pessoas para levar para a Amazônia, pra trabalhar na extração do látex da seringueira. Formava-se na época o contingente “Soldados da Borracha”, em plena 2ª Guerra Mundial. 

No final de 1944, a família embarcou num navio que a levaria até Belém do Pará. Nesta viagem, o navio foi seguido por um submarino japonês, que emergiu bem a frente da embarcação em alto mar. A sorte é que o capitão do navio havia detectado a presença do submarino e pediu socorro à Força Aérea Brasileira, que enviou de imediatos três aviões para sobrevoo e proteção ao navio brasileiro. O submarino japonês submergiu e desapareceu nas águas do oceano. 

Ao chegar à cidade de Belém, a família foi levada para o município paraense de Belterra (“Bela terra”), chamada inicialmente de Vila “Fordlândia”, onde o milionário americano Henry Ford implantou o cultivo de seringueira, transformando a localidade (cerca de um milhão de hectares de terras que o governo brasileiro cedeu ao Henry Ford) na maior produtora de borracha natural do mundo. 

A localidade do plantio e onde junto moravam as famílias (a maioria vindas do Nordeste), era constituída de toda uma infraestrutura: Hospitais, escolas, casas no estilo americano, mercearias, campos de atletismo, lojas, prédios de recreação, clube de sinuca, cinema, e até portos próximos à praia foram construídos para abrigar as famílias dos empregados que estavam trabalhando no plantio e extração da borracha. 

No entanto, o final da 2ª Guerra Mundial e a morte do filho de Henry Ford, fez com que a “cidade americana”, parasse de produzir e ficou esquecida por muitos anos. Passou a ser chamada de: “Estabelecimento Rural do Tapajós” (ERT). Em 1997, os moradores de Belterra conseguiram a emancipação do município. 

​​

Foi neste ambiente que a Professora Francisca passou a sua infância e juventude. Já em 1962, ela veio com a família para o Território Federal de Roraima. E, em 1964, foi convidada para dar aula numa escola na comunidade indígena do Caju, na Escola Presidente Kennedy, no Uiramutã. E, em 1968 até 1970, passou a dar aula na localidade do Maturuca, na Escola José Alamano. Já em 1971, foi transferida para dar aula na escola Padre José de Anchieta, junto ao Internato na missão do Surumu, onde permaneceu até 1981.

Em 1982 veio para Boa Vista, a convite do secretário de educação, para dar aula de matemática na “Escola 31 de Março”, no bairro de mesmo nome, permanecendo em sala de aula até 1992. E, em março de 1993, aposentou-se.

Mas, não foi esquecida. Recentemente, no dia 23 de Março deste ano, a professora Francisca completou 80 anos de idade. E, seus antigos alunos e alunas lhe fizeram uma festa-surpresa. Sem ela tomar conhecimento do que se estava fazendo, as alunas (hoje a maioria já casada e também mães), se organizaram e criaram um grupo no aplicativo WhatsApp, para convidar a todos e comemorar os 80 anos da querida professora Francisquinha. 

Foi, além de uma festa de aniversário, uma grande comemoração pelo reencontro de de ex-alunos da Escola 31 de Março. Havia mais de 180 ex-alunos e alunas. Tudo muito bem organizado, com direito a apresentação de vídeo (Amorim Coelho), cerimonial (apresentação da professora Edlauva Oliveira dos Santos), com fotografias (Carla), bolos e presentes. 

Na ocasião outros professores também foram homenageados: José Gomes, língua portuguesa; Manoel, Religião; Clemência, de Ciências Naturais; Elizabete, de História Geral; além das professoras Hildene, Vadinha, Nara e as educadoras Léia e Rosalete Saldanha.

A Professora Francisca tem três filhos: Serginaldo (servidor municipal), Elzo (major, Bombeiro Militar, na reserva) e Maria Augusta Fernandes (mora em Manaus, mas veio para o aniversário da mãe). Deles descendem netos: Manoel Caio, Emanoela Caroline, Paulo Augusto, Maria Paula, Elzio e Elzia. E, há também a bisneta Isabela.

A Professora Francisca em meio a todos, com sorriso estampado no rosto, era o centro das atenções. E, continuará sendo por muitos anos. Ela é uma professora inesquecível. 

Francisco Cândido
franciscocandido992@gmail.com
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