Por Francisco Cândido
Em 28/08/2019

AVENIDA AMAZONAS
Bairro dos Estados


A exuberância da Amazônia permeia a imaginação no mundo inteiro e exerce forte fascínio sobre todos, provocando cobiça internacional desde que o navegador espanhol Vicente Yáñez Pinzón visitou o estuário do Rio Amazonas, em 1500, por ele chamado Santa Maria de la Mar Dulce (Santa Maria do Mar Doce). Vicente Pizon ao encontrar um rio “do tamanho dum mar” e de água doce, chamou aquele rio de Mar Dulce (Mar de águas doce).

Quarenta anos depois, outro espanhol o explorador Francisco de Orellana, ultrapassando a Cordilheira dos Andes, desceu o majestoso grande rio até o Oceano Atlântico, atravessando com sua expedição a misteriosa floresta Amazônica em busca de ouro e do País das Canelas (Peru). Depois de explorarem a região, seguiram viagem. Mas, quando navegavam pelo rio Nhamundá (hoje Município, distando de Manaus 660 km pelo rio, ou em linha reta, 383 km), foram atacados por um grupo de mulheres índias, que julgou ser as lendárias mulheres guerreiras Amazonas da região da Capadócia (região da Europa central). 

O ano era 1542. E, nos relatos de Francisco de Orellana e do frei Gaspar de Carvajal (que fazia parte da expedição, e se tornou o primeiro cronista da Amazônia), eles não medem palavras para elogiar as riquezas e belezas destas guerreiras, que chamaram de “Mulheres Amazonas”. Francisco de Orellana ficou tão impressionado com a coragem delas, que mudou o nome do conhecido rio “Mar Dulce”, passando a chamá-lo de “rio das Amazonas”.

Francisco de Orellana descreveu estas mulheres como sendo altas e brancas, que andavam nuas e portavam apenas Arco-e-flechas. Habitavam casas de pedra e acumulavam metais preciosos. Eram conhecidas como as “Iacamiabas” (do tupi i + kama + îaba, significando "peito rachado”, devido elas queimarem o seio esquerdo para diminuir o tamanho do peito a fim de facilitar o manuseio do arco e da flecha. Elas, uma vez ao ano, recebiam os rapazes das aldeias próximas para o acasalamento, num ritual chamado “Festa de Iaci (lua)”, e, como recompensas aos jovens lhes presenteavam com um amuleto indígena feito de jade (com aparência de um pequeno sapo), chamado de “Muiraquitã”, e lhes diziam que este amuleto traria sorte a quem o usasse. 

A história política e social de Roraima está intimamente ligada ao processo histórico de povoamento do Estado do Amazonas. Boa Vista foi parte integrante do município amazonense de Moura, até quando sua área foi desmembrada para a criação do Município de Boa Vista do Rio Branco, no dia 09 de Julho de 1890.    O nome da capital de Roraima foi herdado da Fazenda Boa Vista, criada pelo capitão cearense Inácio Lopes de Magalhães, no ano de 1830. Vinte e oito anos depois, em 1858, a pequena povoação foi elevada à categoria de Vila. Uma lei provincial assinada naquele ano regulamentou a delimitação das fronteiras do Amazonas, e criou a Freguesia de Nossa Senhora do Carmo, cuja sede ficaria localizada acima das cachoeiras do rio Branco. O lugar foi denominado de Boa Vista. Posteriormente, a Vila de Boa Vista passou à condição de cidade. 

O Decreto Provincial amazonense de nº 049, datado de 25 de julho de 1890 e assinado pelo então governador da Província do Amazonas, Augusto Ximeno de Villeroy, fez empossar, através do seu representante o capitão Fábio Barreto Leite, o primeiro Superintendente (Prefeito) da nova cidade, o sargento da Guarda Nacional João Capistrano da Silva Mota (o Coronel Mota). 

No dia 13 de setembro de 1943, o Presidente da República Getúlio Dorneles Vargas, usando da atribuição que lhe conferia o Art.180, e nos termos do Art. 6º da Constituição Federal de 1937, criou através do Decreto-Lei nº 5.812, de 13 de Setembro de 1943, o Território Federal do Rio Branco. Naquele momento histórico o presidente Getúlio Vargas estava assinando a nossa Independência política em relação ao Estado do Amazonas. A mudança do nome Território Federal do Rio Branco para Território Federal de Roraima, ocorreu por meio da Lei nº 4.182 de 13 de dezembro de 1962, de autoria do deputado federal roraimense Valério Caldas de Magalhães. E, através do Artigo 14 das Leis Transitórias da atual Constituição Federal, promulgada em 05 de outubro de 1988, o ex-Território foi transformado no atual Estado de Roraima.

A Prefeitura Municipal de Boa Vista, na época do Prefeito Miguel Guerra Ballvé, através da Lei nº 093, datada de 16 de junho de 1983, alterou o nome do trecho da Avenida Júlio Bezerra (da rotatória, no cruzamento com a Avenida Brigadeiro Eduardo Gomes, até a Rua Rio Grande do Sul no Bairro dos Estados), passando ter nova denominação: AVENIDA AMAZONAS. Esta avenida passa em frente à Farmavita e ao Tribunal Regional do Trabalho, findando na cerca do Aeroporto, na parte do Bairro dos Estados.

Francisco Cândido
franciscocandido992@gmail.com
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