Por Marcelo Tito
Em 30/07/2019

Ainda nos primeiros anos de vida, antes mesmo de dominarmos de forma plena a linguagem, já somos capazes de fazer afirmações sobre a vida e o comportamento dos outros. 

Seja com poucas palavras. 

- Foi ela!

- Chata!  

Seja através da linguagem corporal, apontando o dedo indicador, para denunciar aquele que acreditamos ser o culpado por algo. 

Com o passar do tempo vamos evoluindo, e nosso repertório de palavras e gestos vão aumentando, o que nos permite expressar de forma cada vez mais complexa nossas necessidades, pensamentos e impressões sobre o mundo que nos cerca. 

Espera-se que com o amadurecimento, o indivíduo passe a ter uma percepção mais adequada do mundo ao seu redor, e desenvolva um repertório de habilidades sociais adequadas, que lhe permita ser assertivo em suas relações. 

Mas em alguns casos não é isso que ocorre. 

Talvez você conheça alguém, que constantemente esteja envolvido em conflitos e confusões decorrentes da fofoca.

Seja de forma intencional, para atingir a imagem de outra pessoa, ou mesmo em decorrência de comentários inapropriados, que, muitas vezes, ocorrem pela falta de assertividade. Algumas pessoas não só manifestam tal comportamento, como reproduzem de forma inconsequente informações nocivas, e algumas vezes inverídicas sobre terceiros. Causando prejuízos irreparáveis à reputação, aos relacionamentos e a vida de outras pessoas.

Mas você já se perguntou por que isso ocorre?

O comportamento humano, pode ser motivado ou sofrer influência dos mais diversos fatores, graças a nossa subjetividade. Aquilo que pode exercer forte influência sobre um indivíduo, para outro, pode passar despercebido.

José Ângelo Gaiarsa, em seu livro Tratado geral sobre a fofoca: uma análise da desconfiança humana. Atribui à psicanalista austríaca Melanie Klein a ideia de que a fofoca é movida por dois motores: o desprezo e a inveja. Ele afirma que existem duas espécies fundamentais de fofoqueiros:

Os orgulhosos, que desprezam as pessoas que estão criticando, e a estes ele propõe uma reflexão/pergunta:

Se o outro é tão desprezível POR QUE VOCÊ SE INCOMODA TANTO COM ELE?

A segunda espécie, a dos ostensivamente invejosos, que corriqueiramente se perguntam COMO É QUE ESTE SUJEITO TEM CORAGEM DE FAZER ISSO?

Seja motivado pelo desprezo por algo, seja pelo envenenamento da inveja, o comportamento da “fofoca” ocorre em nossa sociedade de forma exponencial. A ação que gera o problema é a mesma desde que o homem passou a viver em sociedade. No entanto, o que antes era repassado de pessoa para pessoa, às escondidas, em conversas ao pé do ouvido, hoje dispõe de veículos de distribuição da informação de forma massiva e ágil. O mundo digital permite também o anonimato e, portanto, a falta de implicação do sujeito na prática de determinado ato. Hoje, com um click de um botão propaga-se a fofoca e destrói-se, assim, as reputações, relacionamentos e em alguns casos vidas.

Para aqueles que acreditam que a fofoca pode ter um viés positivo encerro com a frase do próprio José Angelo:

“A fofoca não serve para consertar nada - porque nunca alcança a pessoa certa na hora certa”

Fica a dica.

Seja assertivo, tenha coragem e foque no que interessa.

Um forte abraço.

Marcelo Tito
marcelotitopsi@gmail.com
Psicólogo, especialista em Dor CRP-20 / 9545
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