Por Marcelo Tito
Em 16/10/2019
Imagem: Divulgação
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Basta um piscar de olhos da mãe que a sua criança bem pequena já está escalando a estante da sala, entrando em espaços que nunca viu como se fosse a dona do lugar e, se em um ambiente como um parquinho de praça encontrar outras crianças, imediatamente começará a interagir com elas como se fossem amigas de longa data.

            Esse comportamento, apesar de arriscado em alguns momentos, permite que ela descubra o mundo ao seu redor enquanto desenvolve suas habilidades, potencialidades e principalmente seus limites, que inicialmente para ela não existem.

            Posso subir onde eu quiser!

            Posso falar e interagir com quem eu quiser!

            Posso ir e fazer o que eu quiser!

            Até que durante o processo de crescimento, um adulto lhe diz:

            Não, não pode!

            Esse processo, além de natural, é importante para que possamos nos ajustar ao mundo e ao convívio social. Contudo, à medida que crescemos, outros “nãos” são apresentados para nós.

            Você não consegue!

            Isso não é para você!

            Você não é bom o suficiente!

            Na época e situação em que foram ditos, eles tinham a intenção de nos proteger, nos poupar ou mesmo nos mostrar que ainda não estávamos preparados.

            Mas com o passar do tempo somos obrigados a tomar nossas próprias decisões, e, com isso, a voz externa que nos dizia o que fazer passa a ser substituída pela interna que nos diz o que podemos ou não fazer ou se somos capazes de realizar algo.

Nesse processo, algumas vezes tomamos decisões erradas que nos geram consequências negativas, dando origem ao medo.

            O medo é uma emoção que originalmente tem a função de nos proteger, pois está relacionada a uma possível ameaça de dano físico ou psicológico, o que é muito importante para nossa sobrevivência. Contudo, em algumas situações nossa percepção dos fatos pode estar distorcida, causando um julgamento inadequado da situação e gerando medo de algo que não nos oferece nenhum tipo de ameaça real. Nessas situações ficamos paralisados, ou evitamos a situação ou fugimos.

            Quantas vezes você deixou de ir a um lugar novo pelo medo do que poderia encontrar?

            Quantas vezes deixou de tentar algo, pelo medo de não conseguir?

            Quantos amigos você deixou de fazer por medo de dizer “Oi” e não ser correspondido?

            Quantas oportunidades de trabalho você já perdeu pelo medo de não ser bom o suficiente?

            Será que isso teve um custo na sua vida? Um custo de oportunidades perdidas?

            O custo de oportunidade é um termo usado em Economia para indicar o custo de algo em termos de uma oportunidade renunciada, por exemplo deixar de comprar um imóvel em determinado momento. Mas esse custo nem sempre é financeiro, ele também pode ser social e afetivo.

            Você se identificou?

Da próxima vez que sentir medo de algo, pergunte a si mesmo:

            Tenho todas as informações necessárias sobre isso?

            Esse medo tem uma base lógica?

            Quais benefícios eu poderia ter se eu tentasse?
            Quais prejuízos emocionais/sociais eu teria por deixar de tentar?

            Minha história de vida ou minhas emoções podem estar afetando meu julgamento?
            Se mesmo assim o medo continuar causando prejuízo demasiado em sua vida, busque apoio profissional.

            Um grande abraço!

Marcelo Tito Costa de Brito
Psicólogo Clínico
Especialista em Dor
CRP – 20/09545

Marcelo Tito
marcelotitopsi@gmail.com
Psicólogo, especialista em Dor CRP-20 / 9545
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