Por Opinião
Em 23/05/2020

O medo da solidão

Oscar D’Ambrosio*

Se há algo que parece apavorar as novas gerações, é a solidão. O tema vem ganhando muito destaque na cinematografia contemporânea, principalmente por um viés feminino, seja pela abordagem de diretoras ou de atrizes que ganham histórias que lhes dão a oportunidade de desempenhos magistrais, com temáticas de grande interesse para psicólogos e psiquiatras.

Anna T. Schlegel não perde a chance no filme “PigHag”, A direção de Colby Holt e Sam Probst é contundente na construção de uma narrativa que tem como protagonista uma enfermeira obesa próxima dos 40 anos que deseja encontrar um autêntico amor, mesmo que ela não tenha muito claro o que isso significa. E, na verdade, quem sabe?

Fã da banda Guns N' Roses, ela conhece em um show um viúvo com três filhos que se apresenta como uma possibilidade de relacionamento mais estável. Mas ele considera o encontro apenas uma oportunidade casual de ter sexo e conversar um pouco. As expectativas dela se frustram e a saída que funciona como válvula de escape é oferecer o corpo gratuitamente para eventuais parceiros via internet.

A atriz consegue explorar com maestria seu rosto de anjo com o corpo volumoso e possui grandes cenas, como a discussão por telefone com a irmã e o diálogo presencial com amigos gays. Nessas oportunidades, a possibilidade de passar o resto da vida sozinha surge com muita força como assustadora, num círculo vicioso que a leva ao pranto ou a uma falsa alegria.

*Jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo

 

Porque não acreditamos

Afonso Rodrigues de Oliveira*

“As palestras de autoajuda pouco ajudam quando as pessoas não compreendem o funcionamento da mente.” (Augusto Cury)

Somos, por natureza, reativos. Normalmente só nos livramos da reatividade depois que amadurecemos. Daí para frente, dedicamo-nos exclusivamente ao trabalho de correção. Ou mais precisamente, à tentativa de corrigir o que não fora feito. Porque o que foi feito está feito. E não acreditamos porque não temos fé. E esse descontrole nos leva a acreditar com mais facilidade nas coisas negativas, nos boatos, nas mentiras. Somos mais inclinados à derrota. Vimos isso anos atrás, com a cidade fechando as portas do comércio, as repartições públicas dispensando os servidores, porque alguém alardeou que iria ocorrer um terremoto em Boa Vista. E nossa condição de reativos nos levou ao ridículo.

Quando alguém nos diz que somos capazes de curar nossas doenças, de nos livrarmos dos nossos problemas, se acreditarmos que podemos, não acreditamos. Mas se alguém nos diz que nossa dor de cabeça vai nos matar, começamos a morrer. E isso não é exagero. Não somos capazes de aquilatar, porque não acreditamos, o poder que temos dentro de nós, no nosso subconsciente. Mas que para obter os resultados que desejamos, temos que ter muita fé, muita persistência e, sobretudo muita perseverança. E não somos capazes de acreditar que tudo isso é possível, se acreditarmos.

Conheci o Meyr Schneider em 2003. Assisti a várias se suas reuniões, em São Paulo. Ele perdera a visão aos sete anos de idade, consequência de um glaucoma. Já adulto, conheceu o Método Bates para tratamento dos olhos. Resolveu curar-se. Fez os exercícios com persistência e já dava palestras pelo mundo inteiro, sobre o tratamento dos olhos. Ele já lia, dirigia seu carro e vivia uma vida normal. Mas nas suas palestras ele deixava bem claro que só recuperaremos a visão ou a melhoraremos se acreditarmos no nosso poder de fazer. Nada de milagre nem magia. Exercícios simples, lógicos e naturais. E por isso poucas pessoas conseguem. A maioria não crê, porque é simples.  E não acreditamos no simples. Não lhe damos credito por ser simples. Não conseguimos fazer as pessoas acreditarem que a vida é uma estrada reta e que nós é que lhe pomos as curvas, obstáculos e desvios.

Torne sua vida simples e você viverá a felicidade plena. Acredite no seu potencial e você será poderoso, ou poderosa. Nada é impossível para quem acredita no possível. Alguém já disse que uma coisa só é impossível até que alguém a torne possível. Que esse alguém seja você. E tudo que você tem a fazer é acreditar em você mesmo. Pense nisso.

*Articulista

Email: afonso_rr@hotmail.com

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