Por Opinião
Em 01/06/2020

Irresponsável

Linoberg Almeida*

Na última semana, o circo armado para tratar sobre medidas importantes de saúde coletiva no momento crítico da pandemia do Coronavírus, como lockdown ou feriado prolongado, serve para mostrar como precisamos trocar o modo de fazer gestão pública, e a forma como você toma conta do que é seu. Restrição precisa estar acompanhada de explicação ao produtor de abóboras, a manicures e cabeleireiras, aos jovens nas ruas do Equatorial…Todo mundo tem culpa no cartório, ou prefeitura e governo vacilam e alimentam vacilos por toda BV?

Ai, você é contra as medidas? Leia novamente. Não é sobre ser contra ou a favor. Cada ação tem seu tempo e precisam estar associadas a uma rede de medidas. Fique em casa sem renda mínima? Verbas municipais existem para isso. A mesma prefeitura que mentiu ao não entregar casas a quem saiu do Beiral e agora quer tirar o aluguel social é a que não tem programa para vulneráveis em risco extremo. E minha emenda foi negada por picuinha.

Nas imagens que correm o mundo, estamos mais para Itália, Equador, Peru que para os modelos de estados com políticas públicas justas. Dividimos com aqueles o jeitão de destruir aparatos públicos de serviços e vigilância em saúde. O dinheiro está rolando por aí. São mais de 17 milhões de reais em comunicação. E comunicar é importante, mas não está sendo eficaz ao interesse público. Pense em quase 10 milhões de reais destes indo para uma agência de Manaus com tanta gente talentosa e criativa em Boa Vista precisando trabalhar. Justo? Errado? Julgue, pois foi tudo homologado e publicado quando já eram 7 mortos e mais de 600 contaminados em 30 de abril.

Fui chamado de irresponsável por não compactuar com farsas. Sem medidas de salvamento de pobres; de transferência de renda a trabalhadores informais e empreendedores individuais; apoio a produtores rurais desesperados sem saber como escoar produção não dá. A foto do trator da prefeitura agro, tech e pop é mais uma peça que não mostra os que não são atingidos diretamente pela propaganda institucional nem pela política pública.

Assistir ao Jornal Nacional e algumas das contribuições durante essa pandemia em solidariedade empresarial, se contrapondo ao maior contrato da cidade, de quase 80 milhões de reais, sem licitação faz anos, acabar de ganhar aditivo milionário, para fazer seu bem pago serviço de limpeza e urbanização, tem que tocar o coração das pessoas. A CPI do Lixo não andou e não foi culpa minha; sou responsável pelos meus atos.

O cemitério municipal ali no São Vicente tem servidores sem receber insalubridade, com salários péssimos e condições de trabalho nada dignas. Feriado sem mostrar como vamos refazer as duras escalas de trabalho da saúde, ou evitar que mais e mais se submetam ao risco biológico sem indenizar é solução torpe. Assim como é não responder quando vai contratar mais profissionais para ocupar postos ou substituir adoecidos. Tem centenas de concursados à espera de contribuir.

O distanciamento social e a testagem universal da população com sintoma ou não são parte de um caminho de sucesso. Boa Vista não tem nem plano de mobilização e contingência para o distanciamento. E mente sem tornar público seu plano de abertura comercial. Não trabalho sob chantagens. Conhecimento científico trocado por achismos ou ataques ao meu trabalho só mostram que estou na direção correta. São centenas de ofícios, milhares de indicações, dezenas de ações judiciais. A máquina midiática de valorizar gestora e moer gente, aniquilando reputação, não vai me parar.

Ver a SpaceX subindo na Flórida e ilusão de ótica no rio Branco com obra faraônica só mostra que nossas prioridades estão de ponta cabeça. Que milhares de agentes comunitários de saúde e endemias; profissionais de saúde valorizados; educação para a cidadania, além da escolar; e comunicação pública visando moralidade, impessoalidade, razoabilidade e transparência sejam o novo normal que se aproxima. Irresponsável, quem mesmo? Não me faço de vítima.

*Professor e Vereador de Boa Vista

Entendendo o Product Market Fit

Leonardo Costa*

Alguém falou, não faz muito tempo aliás, que “um Modelo de Negócio é uma história que empresas e empreendedores contam”, outra pessoa também tentou explicar a expressão Modelo de Negócio como “um termo da arte”, muito porque, talvez, um Modelo de Negócio é uma dessas coisas que muitas pessoas dizem saber do que se trata, mas não sabem definir muito bem o que é, assim como a arte.

Ambos as felizes falas deixam claro que um Modelo de Negócios é fruto de inspiração e criatividade, mas o caminho para este sucesso pretendido passa muito mais pela transpiração que pela própria inspiração e, consequentemente, pelo encontro do PMF (PRODUCT MARKET FIT), mas afinal o que é PMF?

O conceito do modelo de negócio é, sem dúvida nenhuma, algo muito conhecido ou que deveria ser conhecido, pelos empreendedores e pelo próprio mercado como um todo. De forma objetiva e precisa, trata-se da explicação dos três pilares básicos: como sua empresa cria, entrega e captura valor. Ou seja, como pretende resolver determinado problema, como o aborda e, até mesmo, quanto cobrará do cliente por produto, é o business da coisa envolvida.

Quando se trata de modelagem de negócios, essa equação é fundamental. Nós temos que criar mais valor do que nós capturamos, temos que capturar mais valor do que nos custa para entregar esse valor. Um modelo de negócios só vai ser sustentável se essa equação for verdadeira.

Com base na ideia desse tripé, CRIA, ENTREGA E CAPTURA VALOR, devemos instituir um modelo de negócio diferenciado, uma proposta de valor singular, que tenha fluxos de receitas diversas e muita criatividade (de preferência). Isso geralmente trata-se de uma tarefa hercúlea e os que conseguem se destacar com modelos de negócios diferenciados, em geral, galgam as melhores oportunidades.

Já o PMF (PRODUCT MARKET FIT), como o próprio nome traduzindo já diz é: Produto, Mercado e Encaixe. O que a maioria de nós tem muita dificuldade de entender é o alinho claro desses três conceitos e seu perfeito enlace frente ao business que se quer construir e é na convergência deles que nasce o PMF.

Sendo bem claro é simples de entender, sendo eles:

PRODUCT: pode ser resumido por aquilo que a organização desenvolve ou comercializa (um software, um site, um app, um produto físico); MARKET: trata-se do público que compra e/ou paga pelo produto; FIT: ocorre quando o mecanismo de distribuição da oferta está alinhado com a mecânica de compra e o consumo do mercado, abrangendo ainda a precificação.

Mas quando é que essa magia ocorre? Quando o empreendedor entende que precisa focar para encontrar o melhor produto ou serviço possível, para um mercado específico e mapeado, com os modelos de público, de receita e tipos de modelo de negócio, modelos adequados e precificação correta.

Se você não tiver um produto para um mercado ideal ou vice-versa, possivelmente todos os seus esforços serão em vão e, infelizmente, não é tão incomum encontrar organizações que, ainda hoje, dizem ter uma solução inovadora e que praticamente querem “empurrá-la” para o mercado a qualquer custo. Certamente a sobrevivência de negócios assim fica muito fragilizada.

Uma boa opção é a escolha de um mercado específico e já mapeado, onde é possível “enxergar bem o terreno”, não há problema em ser de um nicho especifico, contanto que se tenha em mente que mercados verticais tendem a ser menores, mas não necessariamente com pouca receita. Às vezes é até melhor atuar em mercados específicos, “nichados” ou verticais, porque demandarão menos investimento em marketing por exemplo, podendo crescer de forma organica com a prova social e com o boca a boca.

O PRODUCT MARKET FIT, portanto, não acontece por mera “arte” e muito menos de maneira acidental. As organizações precisam trabalhar arduamente nessa direção. As equipes e os processos devem receber análises e adequações continuamente, durante semanas ou mesmo meses, para que o produto chegue ao estágio de PMF.

Além disso, todos os membros da equipe, da linha “A” a “Z”, têm um papel importante a desempenhar a fim de alcançar o PMF. Cada um, desde que quem cria o produto, passando por quem fabrica, até chegar a quem toma as decisões estratégicas ou interage com o consumidor. Todos serão responsáveis por permitir que o novo produto chegue ao estágio ideal, para que ele não fique pelo caminho, perdendo terreno para a concorrência.

Devemos ter a clara noção que tudo gira em torno de valor. Não é dinheiro, é valor mesmo! É como nós criamos, entregamos e capturamos valor. Quando se trata de modelagem de negócios, transpirar rios de lagrimas e suor, nessa equação aqui, vale mais que qualquer inspiração divina. Nós temos que criar mais valor do que nós capturamos, temos que capturar mais valor do que nos custa para entregar esse valor. Um modelo de negócios só vai ser sustentável se essa equação for verdadeira, aí tudo vira arte meu estimado leitor.

*Professor especialista em planejamento estratégico e analise de negócios em ambientes digitais

Eduque educando

Afonso Rodrigues de Oliveira8

“Educação não é uma questão de falar e ouvir, mas um processo ativo e construtivo.” (John D. Wey)

A evolução racional não é indispensável. Ou evoluímos racionalmente ou continuaremos por mais milênios, nesse lamaçal da deseducação. Porque o que me parece é que estamos retrocedendo. E isso que parece mais, nas minhas repetições de falas sobre a educação, não é mais do que preocupação. Porque toda evolução depende da educação. Como ser apenas de origem racional, ainda não nos atentamos para a importância da educação. E educar no é ensinar, mas orientar.

Mas, vamos descomplicar. Ainda educamos nossos filhos baseados na educação que recebemos em nossa infância. Quando deveríamos ser orientados para o futuro. E este não está apenas na preparação para o profissionalismo. Como irão viver nossos netos num mundo onde a tecnologia avança de maneira acelerada? E isso não importaria se não vivêssemos num planeta em mudanças permanentes. A astrologia espacial nos alerta: estamos na iminência de um novo dilúvio. E, olha que isso não é fantasia. E a preocupação é não sabermos se estamos, ou não, preparados para o dilúvio. E lá vamos nós para o espaço.

Vamos nos cuidar. Vamos abrir os olhos e mirar o horizonte do futuro. A humanidade só progrediu através das guerras. Quando deveríamos progredir pela racionalidade. Somos todos da mesma origem. E por isso deveríamos ser todos iguais nas diferenças. Mas nunca o seremos enquanto não aprendermos a distinguir as diferenças e respeitá-las. E o maior exemplo desse transtorno está no comportamento da nossa política. E se você pensa que isso não está batendo com a racionalidade, acorde. Porque a política está até mesmo nas religiões. E como elas são inúmeras, a gangorra não para. Não deveria haver política onde não há educação. Daí a importância dela no nosso desenvolvimento racional.

Sei que o papo, hoje, anda meio confuso. Mas isso é necessário para que entendamos o balaio de caranguejos em que vivemos, no nosso mundo. Vamos apenas refletir e caminhar com cautela, mirando sempre no horizonte do futuro. Eduquemo-nos racionalmente para que possamos ser racionais. Chega de perdermos o nosso sono com os blá-blá-blás dos que ainda não se educaram. Somos todos iguais, atingidos pela desigualdade dos que se julgam diferentes. E é aí que a educação cai no balaio de ratos.

O que constrói o mundo dos socialmente inferiores. E em que grupo você quer estar? Faça sua parte no desenvolvimento deste planeta imenso onde chegamos, ficamos, e estamos sem saber sair. E se não acordarmos voltaremos sempre no mesmo grau de evolução. Pense nisso.

*Articulista

Email: afonso_rr@hotmail.com

95-99121-1460

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