Por Opinião
Em 03/09/2020

COVID-19 – LIÇÕES DA PRIMEIRA GRANDE PANDEMIA DO SÉCULO XXI

Alessandro Castanha da Silva*

As pandemias ao longo da história trouxeram diversas mudanças e aprendizados, principalmente quando discutimos o desenvolvimento da área de saúde. Entretanto, a primeira grande pandemia do século XXI, não esquecendo da gripe H1N1, a COVID-19, traz grandes mudanças a respeito do conhecimento sobre transmissão, características gerais das infecções virais, dentre outros tantos conceitos já estabelecidos na área de saúde.

Desde o aparecimento no final de 2019 na China até o momento atual, pouco se sabe sobre o agente causador, a forma e velocidade de transmissão, do público vulnerável à doença, da forma de enfrentar e combater a infecção que se apresenta diferente em todos os países. Métodos como isolamento social, lockdown, quarentena, rastreio de contatos tem sido utilizadas para tentar conter a doença, porém não tem se mostrado totalmente eficaz. A contenção, mitigação, supressão e recuperação são os métodos preconizados de combate à doença, e mais utilizados.

A Covid-19 mostra-se como uma infecção em que 60 fatores de riscos contribuem para o agravamento, já atingiu mais de 200 países no mundo, com mais de 18 milhões de pessoas infectadas e números que superam as 690 mil mortes até o presente momento. E apesar da grande quantidade de produção científica e conhecimento adquirido sobre o tema, os números atuais continuam a crescer rapidamente.

Inúmeros pesquisadores buscam incessantemente contribuir para as alterações destes números, visando algo que contribua para a queda dos casos que só crescem mundo afora. Apesar da gravidade, alguns legados devem ser deixados para o futuro com relação às novas pandemias que venham a atingir a população, pois com certeza elas virão.

É indiscutível e imperativa a necessidade de apoio à ciência em nosso país, pois, em momentos de crises mundiais como esta que estamos vivendo o desenvolvimento científico é uma das melhores armas para combater as adversidades. Instituições que abrigam pesquisadores necessitam de aporte financeiro para o desenvolvimento de soluções para a prevenção e contenção de doenças endêmicas e epidêmicas.

Quando falamos de apoio a ciência temos que pensar que está muito além de questões de saúde, elas são também questões econômicas e sociais, pois uma população saudável é economia para o Estado, é trabalhador produzindo, é capital girando, portanto, torna-se um investimento e não ônus.

Seguindo o mesmo raciocínio, a necessidade de investimento no serviço de saúde público é outro ponto a ser considerado. Estratégias de saúde familiar e comunitária, bem como a criação de comitês de emergência em saúde que englobam todas as esferas do poder público apresentaram-se eficazes em outras situações no combate a outras enfermidades como a varíola, que é a única doença erradicada do nosso meio. O investimento em mão de obra especializada para o serviço de saúde facilita o trabalho preventivo, bem como a tecnologia de ponta para um melhor tratamento de dados epidemiológicos que ajudariam a prevenir epidemias e por consequência, os altos custos empregados em tratamentos.

Infelizmente nosso sistema de saúde passa por décadas de estagnação, e a atual pandemia evidenciou fortemente essa situação. A carência de uma gestão eficaz e de investimentos, transformou o SUS de um projeto copiado por outros países em uma realidade triste e defasada de cuidados a saúde.

Temos que ter em mente que esta é uma grande oportunidade para refletirmos sobre os processos que estamos passando, que este momento traz a possibilidade de mudanças com relação a prognósticos melhores em outras situações futuras semelhantes a estas que estamos vivendo. A necessidade de uma discussão mais ampla, onde toda a sociedade proponha-se a rediscutir a saúde, a ciência que é feita em nosso país, onde os valores sociais, éticos e morais sejam revisitados e evidenciados.

*Biólogo, especialista em Microbiologia Clínica e professor dos cursos da Área de Saúde do Centro Universitário Internacional Uninter.

PÁSSAROS VOANDO

Afonso Rodrigues de Oliveira*

“Quando ela canta me lembra um pássaro. Não um pássaro cantando, mas um pássaro voando.” (Ferreira Goulart)

O Ferreira Goulart falou essa joia referindo-se a Nara Leão. Realmente é gostoso, salutar, e maravilhosamente agradável ouvir cantores do padrão da Nara Leão. Como é gostoso e agradável ouvir-se o canto dos pássaros. Até mesmo quando eles cantam parecendo que estão dando bronca. Que é o que fazem os quero-queros ali na Praça. O frio do inverno os afastou. Fazia dias que eu não os via. O sol voltou, mesmo que preguiçosamente, e os briguentos voltaram. Legal pra dedéu.

Tenho andado com um punhado de saudade de Boa Vista. E sempre que a saudade chega, corro para a varanda, buscando alguma coisa que me divirta. E cá pra nós, tudo por aqui, na Ilha, me diverte. Até mesmo o tempo chato do frio. Mas deixemos a chatice para os chatos e vamos falar do que realmente nos interessa, que é viver a vida como ela é. E ela é como nós a construímos. Então vamos fazer nossa parte na construção.

Fazia tempo que os balanços não balançavam, as gangorras não subiam nem desciam e eu não ouvia as vozes estridentes das crianças. No solzinho morno, a alegria volta a se expandir. Foi o que percebi ainda há pouco, no movimento na rua. Mais gente, contrariamente, no pronto socorro, carros em número bem mais considerável, e muita alegria. Mais tarde irei ver como anda ao movimento lá pela praia. Despois falarei pra você.

Não sei como as cosias andam, no momento, aí na Boa Vista Boa de se Ver. Mas isso não importa. O que realmente interessa é que saibamos viver cada momento dos nossos dias, para que a felicidade esteja nas vidas dos nossos descendentes. Não vamos deixar que problemas mundiais, por mais graves que sejam, façam de nós, meras marionetes do tempo. O importante é que nos preparemos para o futuro. O que nem sempre sabemos fazer. Dificilmente aprendemos a viver a vida para o futuro. Como seres humanos nosso comportamento não vai além do presente sem futuro. Vamos evoluir. E não há evolução sem racionalidade.

Parei de refletir e comecei a prestar mais atenção à alegria das crianças brincando na Praça. Aí me lembrei do meu netinho IAN. Não vai demorar muito pra eu lhe falar do dia em que me encantei com o comportamento dele, quando ele tinha apenas oito aninhos de idade. Um exemplo de racionalidade que deveria ser seguido por adultos, no caminho de uma civilidade exigida pela formação do ser humano.

Um grupo de pássaros gritadores acabou de voar em direção ao prédio do Espaço Cultural Plínio Marcos. Você nem imagina como me sinto feliz com o barulho desses caras. Pense nisso.

*Articulista

Email: afonso_rr@hotmail.com

95 99121-1460

Opinião
fale@folhabv.com.br
Cadastrar-me Enviar Comentário
Não existem comentários. Seja o primeiro a comentar!