Por Opinião
Em 04/09/2020

COOPERAÇÃO É A MELHOR SOLUÇÃO NO COMBATE À COVID-19

Marcos Wesley de Oliveira*

A cooperação entre o governo e as Ongs está fazendo a diferença no combate à Covid-19 em Roraima, diminuindo os impactos negativos da pandemia sobre a população. Organizações como Hutukara Associação Yanomami, Expedicionários da Saúde (EDS), Médicos Sem Fronteiras e Instituto Socioambiental (Isa) atuaram em parceria com os Distritos Sanitários Especiais Indígenas, Yanomami e Leste (Dsei-Yanomami e Dsei-Leste), elaborando planos emergenciais e doando equipamentos, EPIs, testes, alimentos, ferramentas e itens de higiene.

Em abril a Covid-19 fez sua primeira vítima entre os indígenas de Roraima, o jovem yanomami AlvaneiXirixana, e começou a se espalhar pelas aldeias e na Casa de Saúde do Índio (Casai), em Boa Vista. Na tentativa de evitar o caos que se anunciava para as Terras Indígenas no Estado, iniciou-se uma profícua colaboração entre os Dsei e as Ongs. Em maio, a Ong Expedicionários da Saúde apresentou aos Dsei um plano de instalação de Uapis - Unidades de Atendimento Primário Indígena - em pontos estratégicos dentro das Terras Indígenas. A proposta visava descentralizar o tratamento ambulatorial a fim de desafogar o afluxo de pacientes aldeados em busca de socorro na capital Boa Vista, cuja limitada capacidade de internação estava em vias de colapsar. As Uapis contam com concentradores de oxigênio, oxímetros, gerador de energia, tanques de oxigênio, termômetros de temperatura infravermelho, medidor digital de pressão, redes, cobertor e alimentação para os internados. Os Dsei incorporaram as Uapis em sua estratégia de enfrentamento à Covid-19 e se comprometeram com a instalação de 08 unidades na Terra Indígena Yanomami e 18 nas Terras Indígenas do leste de Roraima. O EDS também ofereceu formação aos profissionais de saúde e todos os equipamentos foram doados por EDS, Hutukara e Isa.

Em equipamentos, Hutukara e Isa doaram ao Dsei-Yanomami 75 concentradores de oxigênio, 36 cilindros de oxigênio, 06 geradores de energia, 50 oxímetros e 50 termômetros infravermelho. Para o Dsei-Leste foram doados por EDS e Isa 36 concentradores de oxigênio, 40 oxímetros e 40 termômetros infravermelho.

Também foram doados aos Dsei e comunidades 300 escudos faciais, 10 kits com Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) completos, 120 máscara N-95, 555 testes rápidos, 1500 máscaras de algodão, 70 kits de material de limpeza, 254 kits de higiene pessoal e 150 carotes. Ainda foram doados 1700 escudos faciais para o governo do estado e 400 para a prefeitura de Boa Vista.

Para garantir a segurança alimentar dos indígenas em suas aldeias, as organizações Hutukara e Isa enviaram para as comunidades mais de 800 kits com alimentos, devidamente higienizados e adaptados à dieta local. Ainda foram enviadas para algumas comunidades yanomami ferramentas para o trabalho nas roças. Essas doações fizeram parte da estratégia de evitar que os indígenas se deslocassem para os centros urbanos em busca de alimentos industrializados, onde ficariam expostos ao vírus.

Para diminuir o contágio por Covid-19 na Casai, a Ong Médicos Sem Fronteiras, a convite do Dsei-Yanomami, propôs um plano de uso dos espaços e de circulação dos pacientes e acompanhantes, restringindo o acesso aos espaços comuns e fortalecendo o isolamento necessário. A organização Médicos Sem Fronteiras está presente em Roraima desde 2018, contribuindo no atendimento aos venezuelanos e possui experiência mundial no enfrentamento a epidemias.

Ainda visando melhorar as condições na Casai, o Dsei, com o apoio da Funai, transferiu para o Clube do Servidor, no bairro Buritis, os pacientes que testaram positivos, mas que não apresentaram sintomas, com o intuito de isolá-los para não transmitirem o vírus aos demais. O ISA apoiou na reforma e adaptação do Clube do Servidor, além de doar redes, cordas e cobertores.

O total de doações das Ongs para os Dsei e comunidades, em tempos de pandemia, beira 1,5 milhão de reais e será ainda maior até o final do ano.

O enfrentamento à Covid-19 é um dos maiores desafios dos últimos tempos para Roraima. O Estado apresenta o maior número de mortes pelo vírus entre os estados brasileiros, com 96,1 óbitos a cada 100 mil habitantes. A parceria entre os órgãos do governo e as organizações da sociedade civil (Ongs) contribuiu para que o número de mortes não fosse ainda maior.

A cooperação entre governo e Ongs, que tem contribuído no combate a Covid-19, pode contribuir também para o desenvolvimento sustentável de Roraima, favorecendo iniciativas de geração de renda baseadas na valorização de nossas riquezas naturais e culturais e nos produtos de nossa agrobiodiversidade. Agora, mais do que nunca, é necessária a colaboração de todos os setores da sociedade, não apenas para a superação desta crise de saúde pública, mas também para a recuperação da economia no pós-pandemia.

*Assessor do Instituto Socioambiental – Isa

VAMOS AMADURECER?

Afonso Rodrigues de Oliveira*

“Somos o único caso de democracia que os condenados por corrupção legislam contra os juízes que os condenaram.” (Joaquim Barbosa)

Uma verdade nua e crua que vem assolando a política brasileira há longas datas. Felizmente voltamos a mexer no lixo da corrupção política brasileira. E você nem imagina o quanto me contrai ficar falando nesse assunto. Adoro a política. Sempre estive próximo a ela. Apertei muito, a mão do Café Filho, ali na Ribeira, na calçada da loja onde eu trabalhava, em Natal, no início da década dos cinquentas. Convivi com grandes políticos em São Paulo. Entre eles, Jânio Quadros, Laudo Natel, e tantos outros.

Mas isso não tem nada a ver com o assunto atual. O que quero dizer é que na política brasileira a corrupção e o desmando sempre estiveram presentes. O que não quer dizer que devamos continuar alimentando esse mal. O que nos exige maturidade e, sobretudo, educação. E o John Wey já nos disse que: “A educação não é uma questão de falar e ouvir, mas um processo ativo e construtivo.” O mundo inteiro continua na gangorra do despreparo político. Mas temos tudo para ser um país desenvolvido. E nunca o seremos, enquanto continuarmos nessa ignorância política.

Preocupa-me a aproximação das próximas eleições. E o que continuamos vendo, nas seleções de candidatos? Mas, mais preocupante é a estagnação na consciência do eleitor. Ainda continuamos acreditando que somos cidadãos. Os faladores em nome da política continuam nos enganando, fechando a cortina da verdade em relação ao absurdo da obrigatoriedade no voto. Mas devemos ser pacatos e procurar nos educarmos para que possamos realmente merecer o voto facultativo. Porque sem ele não teremos liberdade. Continuaremos presos como elefantes de circo.

Vamos nos libertar das guilhotinas pintadas de política. Vamos fazer nossa parte, fazendo o que realmente devemos fazer; libertarmo-nos da pobreza mental. Tudo o que há de errado nas administrações públicas faz parte do nosso desconhecimento. Continuamos confundindo política com maracutaia. Observe sempre o comportamento do seu candidato nas discussões em campanha.

Nas últimas eleições, aqui, em Boa vista, observei um exemplo de desconhecimento entre dois candidatos. Um chamou o outro de corrupto e o outro revidou dizendo que ele sim, sabia muito bem o que é corrupção. Uma atitude absolutamente antipolítica. Sorri lembrando-me do exemplo dado pelo Abraham Lincoln, quando um senador disse que ele era um político de duas caras. Ele falou para os senadores presentes: “Os senhores acham que se eu tivesse outra cara iria sair por aí com essa?” Pense nisso.

*Articulista

Email: afonso_rr@hotmail.com

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