Por Opinião
Em 12/09/2020

PANDEMIA, IMPRUDÊNCIA NO TRÂNSITO E O DESPREZO PELA VIDA

Alysson Coimbra*

As cenas de praias lotadas em todo Brasil e de aglomeração em bares sem o uso de máscaras durante a pandemia ganharam destaque na imprensa e causaram perplexidade no feriado de 7 de Setembro. Mas o descuido com a própria saúde e a disposição em arriscar a vida foram vistos também nas rodovias do país: a cada 14 abordagens feita pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) durante o feriado, houve 1 flagrante de pessoa sem cinto de segurança ou de motociclista sem capacete.

O fato é que a quarentena modificou a forma como os brasileiros vivem, se relacionam, trabalham e até mesmo se comportam no trânsito. Os veículos passaram a ser cada vez mais utilizados, já que se tornaram um meio de segurança epidemiológica, em detrimento do transporte coletivo, e isso teve consequências no comportamento do motorista brasileiro, com a exacerbação do perfil agressivo e individualista.

O brasileiro passou a entender o trânsito como um espaço individualizado, e não mais coletivo. Isso se reflete em várias situações do dia a dia, como as agressões, a intolerância e o crescente desrespeito à lei. O eu e o meu se sobrepõem ao nosso e ao coletivo, guiado por uma orientação ideológica daqueles que foram eleitos para manterem controles rigorosos e fiscalizatórios sobre todos nós.

O que vemos no trânsito é uma clara sinalização da falsa falta de necessidade de obediência às leis, à cultura, história, ciência e de todos os principais pilares que conduziram a nossa sociedade até aqui. Sim, os brasileiros estão mais intolerantes, agressivos e imprudentes no trânsito.

Segundo balanço divulgado pela PRF, mais de 3.646 motoristas foram flagrados sem cinto de segurança e outros 1072 não estavam usando capacete. Estamos falando de regras de trânsito já conhecidas e que se incorporaram há muito aos hábitos de segurança no trânsito. A desobediência a essas normas pode fazer a diferença entre a vida e a morte.

Também chama atenção o número de motoristas alcoolizados flagrados pela polícia: 704. Há 12 anos a Lei Seca foi implantada e, desde então, entidades médicas e governo fazem campanhas sobre a combinação perigosa e criminosa de álcool e direção. Não faltam informações, mas sobra desrespeito.

Outras infrações que revelam o desprezo do brasileiro pela segurança viária foram 5.728 ultrapassagens indevidas e as 531 crianças transportadas sem os dispositivos de retenção (cadeirinha). Se com regras e normas rígidas já temos um desfile de imprudência nas estradas e rodovias do Brasil, o cenário que desponta no horizonte com a flexibilização do Código de Trânsito Brasileiro (CTB) não é nada promissor.

Durante os dias da Operação Independência, as estradas federais registraram 933 acidentes, que resultaram em 1.103 feridos e 97 mortos. Os índices são altos e justificam o Brasil ser o quarto país com o trânsito mais violento do mundo. A flexibilização das regras e o desprezo pela vida certamente farão crescer o número de vítimas do trânsito.

Por isso, mais do que nunca, é imprescindível lutar para que as leis que tornem o trânsito mais seguro sejam mantidas e aprimoradas. Um exemplo é o PL 98/2015, que prevê a avaliação periódica da saúde mental de todos aqueles que se propõem a conduzir veículos. O ato de dirigir vem exigindo dos cidadãos uma complexidade de sentimentos e de formações que estão sendo deixados de lado com as mudanças recentes na nossa sociedade. Por isso é urgente que cuidemos também da saúde mental dos condutores, o que vai ao encontro do modelo biopsicossocial de saúde, para que não tenhamos cada vez mais mortes e casos de invalidez no trânsito. Precisamos interromper a violência no trânsito que vem vitimando todos os dias cada vez mais jovens.

Onde faltam leis e regras, as pessoas pagam com a vida e a saúde. A desburocratização e a economia de recursos não podem ser usadas como desculpas para afrouxar normas que salvam vidas. Não há como estipular um valor para a vida humana.

*Médico especialista em trânsito

A ARTE DE VIVER

Afonso Rodrigues de Oliveira*

A arte da vida consiste em fazer da vida uma obra de arte.” (Gandhi)

Somos todos responsáveis pelas nossas vidas. Somos todos timoneiros do nosso destino. Tudo que colhemos na vida é fruto da semente que plantamos. O que nos torna vencedores ou perdedores. Ontem, numa pequena caminhada pelas ruas da cidade, lembrei-me de grandes vencedores que temos por aqui e os ignoramos. Ainda não aprendemos a aprender com os bons exemplos. Somos, como seres humanos, mais inclinados a admirar e seguir os maus exemplos. É uma característica do ser humano na sua caminhada rumo à racionalidade.

Ria sempre. Quando nos conhecemos como seres superiores respeitamos os que anteriormente considerávamos inferiores. É quando começamos a respeitar os outros, respeitando as diferenças. É quando começamos a rir de nós mesmos. É quando aprendemos a nos ver no nosso espelho interior. Porque é nele que realmente nos vemos como realmente somos. E nessa simplicidade a alegria nos traz o riso como fruto do sorriso na felicidade. E como a vida é uma peça de teatro, sejamos os atores. Aí buscamos sabedoria no Swami Vivecananda: “Não se mede o valor de um homem pela tarefa que ele executa, mas pela maneira de ele executá-la,”

Sinta-se sempre feliz. Todos os dissabores que nos atingem não são mais do que alertas para que sejamos mais atentos no futuro. Aprender com os erros, tanto os nossos quanto os dos outros, é uma forma de aprendizado. E por isso nossos erros não devem nos trazer tristezas nem aborrecimentos. Quando o Edson estava tentando criar a lâmpada elétrica foi ridicularizado por um amigo, pelo número de erros que estava cometendo. A resposta do Edson ao amigo, foi: “Eu não estou errando, estou aprendendo como não fazer, da próxima vez.” Simples pra dedéu.

O universo está à sua disposição. Tudo de que você necessita está ao seu alcance, desde que você saiba buscar. E tudo está dentro de você mesmo, ou mesma. Então vá em frente. Mire sempre no horizonte. Não perca seu tempo pensando em coisas que não lhe agradaram no passado. Passado é passado e dele só deve ser lembrado o que nos trouxe felicidade. O resto é resto. Procure fazer o melhor no que você está fazendo agora. Os erros que porventura estejam ocorrendo, são apenas lições para que você aprenda a acertar. Tenha um bom dia, um bom momento, sabendo que ele faz parte da sua vida. Se errar sorria, rindo de você mesmo ou mesma. A felicidade está onde você está. É só você saber vê-la e desfrutá-la. Não desperdice seu tempo martirizando-se com o Vírus. Ele faz parte do desenvolvimento do Planeta Terra, evolução. Pense nisso.

*Articulista

Email: afonso_rr@hotmail.com

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